Data de lançamento 29/11/2018 | Duração: 2h09min) |  Direção: Steve McQueen (II) | Elenco: Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki | Gêneros: Suspense, Drama | Distribuidor Fox Film do Brasil | País: EUA

Do diretor Steve McQueen (do premiado 12 Anos de Escravidão) e da autora e co-roteirista, Gillian Flynn (Garota Exemplar), desponta um thriller moderno sobre crime, corrupção, mas também sobre paixão. “As Viúvas” baseado no livro de mesmo nome da autora Lynda La Plante, conta a história de quatro mulheres que não possuem nada em comum, exceto uma dívida que ficou para trás a partir de atividades criminosas de seus maridos recém-assassinados. Suas mulheres sabiam pouco ou quase nada sobre essas atividades e se veem em apuros com pessoas a quem os maridos deviam muito dinheiro.

Tudo isso acontece em uma Chicago em época de eleições. As tensões aumentam bastante quando Veronica (Viola Davis), Alice (Elizabeth Debicki), Linda (Michelle Rodriguez) e Belle (Cynthia Erivo) assumem o destino que querem escrever para si. Unidas, as viúvas conspiram para realizar um grande assalto que foi descoberto em uma caderneta deixada por Harry Rawlins (Liam Neeson), o marido de Veronica e cabeça das operações criminosas.

E é Veronica que lidera as enlutadas nessa façanha digna de criminosos profissionais. Ela afirma que esse plano vai dar certo por um único motivo: “Ninguém acha que temos coragem de fazer isso!” É um filme forte, violento e cínico, mas que se tornou um entretenimento no que se propôs. Questões éticas são colocadas em jogo, há degradação da vida humana e da imagem da mulher, e mais uma vez podemos comparar que a corrupção não ronda tão somente a política brasileira (como muitos pensam) – achei fantástica a subtrama com viés político.

Uma cena que achei muito interessante foi durante o trajeto do político representado por Colin Farrell de um local que fez um discurso até a sede de seu comitê. Nesse período de conversação com sua assistente, a câmera fica o tempo todo fixa no para-brisa do carro, sem ao menos mostrar os atores nem uma vez se quer. Primeiro me trouxe certo incômodo. Achei estranho e me perguntei o que o diretor queria com aquilo. Mas vemos as imagens dos tipos de moradias pelo trajeto dos bairros mais humildes até ao bairro melhor localizado. Deu pra sentir todo asco e desprezo do político em representar um papel perante a sociedade, e a ambivalência do que ele realmente é, pensa e sente. Foi uma boa sacada do diretor em retratar toda aversão que o político estava expressando no momento. Uma boa dose de realidade para os telespectadores.

Em um filme onde não foi explorado nenhum alívio cômico, senti que o recado foi dado. A conexão entre os protagonistas e o público se dá de forma que nos envolvemos com a trama, e buscamos junto com as viúvas, uma libertação das ameaças políticas e de criminosos extremamente agressivos e perigosos. Mesmo que seja por meio de um grande e ousado golpe.

Nessa história conhecemos pessoas de todas as extirpes, de raça e condição social distinta uns dos outros, e percebemos que muitas das vezes o mal está no outro. O ser humano é corruptível e ganancioso. E descartam vidas como se essas fossem lixo, caso estiverem entre ele e seus objetivos.

Uma obra feminista sim, mas não uma falácia, não algo publicitário ou vendável. Se as mulheres não se unissem e fossem a luta, não sobreviveriam. Não teriam nenhuma chance frente previsões tão desesperadoras. Elas perderam tudo que tinham, e mesmo sem saberem ao certo onde estavam se metendo, aceitaram o desafio por suas famílias e por elas mesmas. Demonstraram tal força interior que não tem poder masculino que aguente.

As Viúvas é estrelado também por Robert Duvall, Brian Tyree Henry, Daniel Kaluuya, e Lukas Haas.