Título original: Get Out | Data de lançamento 18/05/2017 | Duração: 1h:44min | Distribuidor: Universal Pictures | Nacionalidade: EUA | Gênero: Suspense
Acontece hoje (18) a estreia do filme Corra!, a grande aposta do diretor Jordan Peele, classificado como Terror Racial. A proposta inicial do diretor, que é negro, foi criar algo provocativo a partir da tão utilizada e absurda ideia de “Não tenho nada contra negros, tenho até amigos que são”. Nós já assistimos e estou aqui pra contar o que esperar deste que está fazendo o maior sucesso lá na “gringa”.
A história gira em torno de Chris, um jovem fotógrafo negro que namora Rose, uma moça branca e de família classe média tradicional. Aproveitando o fim de semana, e após 5 meses de relacionamento, eles decidem visitar os pais dela para que Chris possa conhecê-los. Ele demonstra certo receio e a questiona sobre ela ter dito a seus pais que ele é negro, mas Rose o tranquiliza dizendo que não disse por não ser necessário, mas os pais são muito tranquilos e até “votariam no Obama uma terceira vez”.

Chris se mostra acostumado e passível frente às diferenças no tratamento que recebe, enquanto Rose se mantém implacável na defesa do namorado. Apesar do excessivo carinho e atenção dados a ele pelos pais da moça, começa a achar que algo estranho está acontecendo no local, o que só agrava quando percebe que os únicos empregados da casa são negros e apresentam um comportamento bastante perturbador. Durante este fim de semana irá ocorrer uma grande festa na casa e com a chegada dos convidados o rapaz descobre que seus problemas podem estar só começando.

 

 

Preciso dizer que não esperava muito deste filme. Achei que seria muito difícil trabalhar o tema sem criar algo completamente caricato ou clichê, mas tive uma surpresa muito boa. O filme aborda de uma forma muito interessante a questão da segregação racial. Com a proposta principal do suspense e terror, trabalha diversos estereótipos, preconceitos e ofensas veladas em situações que causam no expectador uma reflexão sobre seus próprios conceitos (e PRÉ-conceitos). Outro ponto interessante foi encontrar em meio à trama pesada um alívio cômico inteligente e provocador, muitas vezes vindo do melhor amigo do protagonista, Rod Williams.
Evitando estragar os mistérios do filme para vocês, eu vou dizer apenas que vale muito a pena que vejam. Semana passada a Tay já escreveu aqui sobre a série Dear White People (e se você ainda não leu, clique AQUI) e como o mesmo tema é trabalhado tão bem por ela no humor. Este filme então se mostra como mais uma eficiente ferramenta para a quebra de tabus e criação de discussões necessárias.