Cidade de Gelo é um filme lindo, é o clichê que eu estava precisando. Um filme russo de romance de época da Netflix é baseado no livro “Hans Brinker, or The Silver Skates” da autora estadunidense Mary Mapes Dodge e foi dirigido por Michael Lockshin com o roteiro de Roman Kantor.

Ambientado no final do século XX, a história narra a vida de Matvey (Fedor Fedotov), um jovem de 18 anos que é melhor entregador da padaria Le Grand Pie, em São Petersburgo. Filho de um pobre acendedor de lâmpadas, ele recebeu de seu pai patins prateados como única herança. Após ser injustamente demitido do trabalho, Matvey se une a um grupo de batedores de carteira da cidade.

Enquanto isso, Alice (Sonya Priss), filha de um aristocrata, sonha em se tornar uma cientista, mas é aprisionada por seus pais por acreditarem que uma mulher não pode exercer tal função. Assim, os caminhos se cruzam e Matvey e Alice tentam viver um romance em meio a tantas pressões.

Juntos precisam enfrentar os desafios desse amor proibido, que atravessa suas classes sociais no estilo Titanic, A Dama e o Vagabundo ou até mesmo uma versão reimaginada de clássicos da animação como Anastasia, que inclusive também se passa durante a Revolução Russa.

O fato da opinião da crítica especializada se diferenciar das reações do público não é, nem de longe, uma novidade na indústria do entretenimento.

Cidade de Gelo parece seguir essa tendência. Embora alguns críticos não tenham gostado muito do longa, sua trama romântica e cenários luxuosos conquistaram o público que se encantou com toda a emoção e sentimentos vividos.

Com todos os elementos de um conto de fadas clássico. Desde sua ambientação no frio inverno, entre os rios e canais congelados do Império na virada do século XX, na Rússia, até o convencional romance proibido entre um sujeito pobre e uma dama filha de um poderoso aristocrata. Fora, é claro, o design de produção luxuoso e um final no melhor estilo “felizes para sempre”.

O filme apesar de visualmente estonteante, há problemas que afastam a história de atingir seu potencial de encantamento, como a brutal duração de mais de duas horas e alguns aspectos políticos rasos e banais, que pesam sobre a leveza do romance central.

Já o elenco, por sua vez, o maior destaque fica mesmo para a dupla de protagonistas que esbanja carisma e charme, uma vez que os coadjuvantes não conquistam os holofotes e o roteiro definitivamente não almeja dar mais profundidade para nenhum deles.

Mas felizmente, a produção é bastante competente. Os cenários, figurinos, penteados e iluminação conseguem capturar o clima da época, impedindo que nossos olhos fiquem tão entediados quanto o nosso cérebro, que pode prever todos os momentos dessa história com o mínimo de esforço e sim é possível se emocionar.