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CAMINHOS DA MEMÓRIA | CRÍTICA

19 agosto, 2021 por

Ficou curioso com a trama que estreia nos cinemas ‘Caminhos da Memória’? Uma dica logo de início, se você assistiu a “Toda a Nossa História”, um dos principais episódios de Black Mirror, vai gostar bastante deste filme.

A ficção científica com bastante ação de Lisa Joy da série Westworld e estrelada por Hugh Jackman, Rebecca Ferguson e Thandiwe Newton, vai lhe fazer assim que chegar no cinema e pensar o quão perigoso podem ser nossas lembranças? E, apesar de ser ficção, ainda nos traz algumas reflexões muito importantes para os dias de hoje.

Filme: Caminhos da Memória
Data de lançamento: 19 de agosto de 2021 (Brasil)
Diretora: Lisa Joy
Produção: Lisa Joy, Jonathan Nolan, Michael De Luca, Aaron Ryder
Duração 1h 56min
Gêneros: Ficção científica, Romance, Suspense
Classificação: 14 Anos
Conteúdo: Drogas, violência e conteúdo sexual

Quando Hugh Jackman deixou de interpretar nosso amado Wolverine, com toda certeza ficaríamos com saudades de ver o ator em tela. Para nossa felicidade, isso não levou tempo para acontecer novamente e o ex-intérprete de Logan está agora, dando vida para Nick Bannister. Para contextualização, o protagonista é um ex-fuzileiro naval que depois da guerra, agora trabalha como especialista em memórias. Você não leu errado e isso há motivos.

A trama se passa no futuro, na cidade de Miami completamente imersa pela água. Porém, todos têm uma vida normal. Os carros passaram a ser barcos, e o dia foi trocado pela noite pela impossibilidade de viver no calor das horas diurnas. Isso é um dos pontos que nos faz refletir, já que o aquecimento global é algo que preocupa muito. E, infelizmente, esse pode ser o cenário daqui a alguns anos se as coisas não começarem a mudar agora.

CAMINHOS DA MEMÓRIA | CRÍTICA

A ficção trata de um cientista que descobre uma forma de reviver o passado nessa loucura toda e usa a tecnologia para procurar um antigo amor. Nesta combinação um tanto arriscada: certos elementos de viagem no tempo, suspense e até mesmo romance nos coloca dentro de uma sala de cinema durante duas horas, numa história gira em torno dos três grandes nomes citados acima, com algumas reviravoltas.

Além de dirigir, Joy é responsável pelo roteiro. Ela também produz o longa junto a seu marido, Jonathan Nolan, com quem divide o cargo de showrunner em “Westworld”.

O filme que no estúdio Warner Bros é chamado Reminiscence. Pelo próprio título de Caminhos da Memória é possível entender que a grande premissa de trabalhar com as memórias. Mas, além delas ajudarem o protagonista a combater a corrupção que existe entre os barões e o resto do povo, afinal a desigualdade social ainda acontece e neste caso, está ainda mais aparente. Aqui o uso das memórias traz uma mensagem.

Várias vezes durante a história, Hugh Jackman fala sobre como as pessoas se prendem às memórias, como o passado pode assombrar alguém. Ou ainda, como o passado pode trazer lembranças boas. E é claro dizer que essa é a parte filosófica do roteiro.

Caminhos da Memória

E o filme explora muito bem isso, inclusive faz o telespectador não entender em alguns momentos se os personagens estão vivendo o presente ou a memória de alguém. Mas, tudo é sempre explicado no final, ou seja, não fica uma bagunça e chato de assistir.

E a questão da memória é tão importante no filme que ela pode ser usada para literalmente qualquer coisa. Desde encontrar as chaves que foram perdidas – que é como Nick conhece Mae – até descobrir segredos de alguém.

Joy disse que toda a ideia do filme, e do que ele fala, veio em dois momentos bem marcantes de sua vida. O primeiro quando ela foi para a cidadezinha de Slaithwaite, na Inglaterra para cuidar dos preparativos do enterro do avô que havia acabado de falecer. E ao retornar para a casa deles, que tinha um grande brasão com um nome na frente, como se fosse o nome da propriedade: Sookie Lane.

“E basicamente na mesma época eu estava grávida da minha primeira filha… eu terminei de escrever o longa logo após que dei a luz.. e eu lembro de segurar ela no meu colo, e estava naquele transe de estar super cansada e cuidando dela ao mesmo tempo, e eu cheirava a cabeça dela, e sentia aquele cheirinho especial e pensava: eu gostaria de colocar isso em um potinho…. ela não vai cheirar mais assim no futuro…”

Com certeza esse não é o melhor filme de todos, muito menos o melhor trabalho que Jackman já fez. Mas, o elenco como um todo, e o roteiro prendem o telespectador. E abordar assuntos delicados mas que também tendem a trazer reflexões para o público é algo que chama a atenção. A direção e os efeitos sonoros também são perfeitos para retratar bem os sentimentos e a tensão de todos.

Caminhos da Memória não deve estar entre os indicados do Oscar, mas ao mesmo tempo, não vai lhe dar uma experiência completamente frustrante. Hugh Jackman cumpre o que foi prometido no trailer do filme e mais uma vez, prova ser o ator com o devido conhecimento. Vale a pena conferir!

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