antes que eu vá
 Distribuidora: Paris Filmes | Duração 1h30 | Gênero: Drama Estreia: 18/05/2017 | Duração: 1:33 min. | Roteiro: Gina Prince-Bythewood , Maria Maggenti
 
“Dizem que logo antes de morrer sua vida inteira passa diante de seus olhos, mas não foi assim comigo”

A adaptação literária do best seller “Antes que eu vá”, de Lauren Oliver, com mais de 20 mil exemplares vendidos apenas no Brasil, chega ao cinema no dia 18 de maio. E realmente, ele entrega o que o trailer prometeu. Digo já no início, ainda não li o livro, mas acho que o filme passou uma boa impressão para que eu queira ver o que foi deixado de lado da história da nossa personagem.

Parece que nos Estados Unidos houve um “boom” tanto de livros com mensagens inspiradoras, quanto de adaptações destes livros. O filme, dirigido por Ry Russo Young, conta a história de um dia na vida de Samantha Kingston (Zoey Deutch), mas não é um dia qualquer: esse pode ser o último dia de vida de Sam.

Podemos logo no início a conhecer como uma típica adolescente, não ligando muito para as ações que toma não dando muito atenção para aqueles que estão próximos a ela. Mas a garota tem algo que vários outros não tem: é popular no colégio, namora o garoto mais desejado por todas, Rob Cokran (Kiam Lawley) e tem três amigas inseparáveis e divertidas: Elody (Medalion Rahimi), Ally (Cynthy Wu) e a líder do grupo Lindsay (Halston Sage).

antes que eu vá

O dia em que se passa o filme é esperado pelo grupo de amigas: dia do cupido, 12 de fevereiro. Na escola nesse dia uns mandam rosas para os outros, declarando paixões secretas (ou não) e a quantidade de flores que a pessoa recebe quer dizer o quanto ela é popular. O período escolar é cruel com algumas pessoas que a maioria diz não se encaixar no local. Vemos logo de cara o bullying que Anna Cartullo (Liv Hewson) recebe por ser homossexual.

Somos apresentados também ao típico crush do menino que tenta ser descolado e se encaixar na escola, Kent (Logan Miller), sente por Sam, quando esse envia uma rosa diferente de todas as outras para a garota e depois tenta a convidar para uma festa que ele dará na sua casa.

Típica história americana, o grupo de mean girls, o garoto fofo, o garoto popular, e os excluídos socialmente da escola. Um desses excluídos é a jovem Juliet Sykes (Elena Kampouris), sinceramente acho que queriam chocar com a questão de exclusão e fizeram dela uma personagem para isso.

Não vou entrar em detalhes sobre o filme, mas o que acontece é: há um acidente de carro com essas jovens e assim que o filme dá um black de transição, rápido demais para que alguém possa processar o que está acontecendo, e o despertador do início do filme toca novamente e, a nossa querida Sam acorda na manhã do dia 12 mas, pensando que é dia 13. O dia se repete novamente, com ela começando a estranhar o que está acontecendo: primeira repetição, segunda, terceira, na quarta eu já estava querendo chorar porque não aguentava mais.

antes que eu vá

Apesar de ser cansativo as voltas da garota é nelas que ela vai aprendendo sobre como refazer o seu dia e o que ela tem que mudar e valorizar. Esse para mim é um ponto chave no filme, e sim, acaba sendo bem emocionante essa descoberta e essas mudanças (consegui derramar algumas lágrimas durante o filme). JA DEU de spoiler não é?

Vou falar do que achei problemático no filme. Vemos nossa querida Sam em um ponto de redenção depois de várias voltas, tentando consertar as coisas que ela fez. Entendo bem a mensagem que a autora quis passar com isso: as pessoas se machucam com as pequenas atitudes que tomamos no dia a dia. Temos que pensar bem no que fazemos, no que queremos, e como queremos. Pensar nas pessoas que amamos, pensar em quem queremos ser.

Uma mensagem para os nossos jovens, para tantos jovens perdidos em desespero, em bullying, nas próprias palavras que não saem e não são ouvidas, para toda essa violência no mundo. Mas a redenção não é um ato, a redenção tem que ser conquistado dia após dia. A redenção não é fácil, a redenção é difícil. Não digo que foi fácil para Sam, mas do jeito que foi mostrado parece que você só precisa de um ato bom para redimir toda uma vida. Esse foi o ponto que mais me incomodou no filme.

antes que eu vá

Apesar disso, achei ele bem interessante e emocionante. Acredito que pessoas com coração derretido chorarão como eu chorei, acho que sentirão as emoções dos personagens que estão na trama: uma coisa que a trilha sonora faz muito bem, conectar emoções de personagens e espectadores. Mas acredito que a redenção da personagem poderia ter sido contada de outra forma. Pode ser que algum detalhe que exista no livro conte isso, ou complemente.

Outra coisa fascinante no filme é o local de gravação, os cenários estão bem bonitos e a cidade escolhida é maravilhosa: Squamish, no Canadá. A atriz que interpreta Sam, Zoey Deutch, não é desconhecida do público literário. Ela também atuou em Dezesseis Luas, como Emily Asher, e interpretou a dampira Rosemarie Hathaway em Academia de Vampiros.