Distribuidora: Paramount | Estréia: 02/03/2017 | Orçamento: US$ 24 milhões | Gênero: Drama | Duração: 02h:19

 

Viola é daquele tipo raro de artista completo, que é maior até mesmo que a sua própria grandeza, com uma carreira consolidada no cinema e no ar atualmente como a melhor (e mais fd*) advogada que você respeita em HTGAWM (Para ler minha resenha sobre essa série clique AQUI), Viola esta concorrendo pela terceira vez ao Oscar e se tornou a primeira atriz negra a conseguir esta façanha (deu o nome), sem contar que ela também foi a primeira atriz negra a ganhar o Emmy de melhor atriz dramática e que ganhou uma estrela na calçada da fama no inicio deste ano, mesmo com tudo isso, Viola é apenas um dos vários outros motivos para a gente assistir Fences.

 

Fences é um filme difícil de ir até o final, difícil de captar, de gostar e até mesmo de sentir, não é qualquer pessoa que gostará da história, que verá a essência e criará qualquer afinidade com os personagens principais.
Dirigido e protagonizado por um inacreditável Denzel Washington, baseado na peça (também protagonizada por Denzel) escrita por August Wilson, que por sinal é o roteirista do filme, Fences é uma aula de teatro dentro do cinema, é como se a gente tivesse assistindo na tela uma peça gravada e essa visão muda completamente a maneira com que nos relacionamos com o filme, e o enquadramento perfeito nos proporciona sentir as angustia dos personagens como se estivéssemos no mesmo ambiente.
Se passando nos anos 50, nós acompanhamos a vida de Troy Maxson (Denzel Washington), um homem que ficou preso por anos, analfabeto, casado, pai de família, que trabalha duro como lixeiro para sustentar os seus e se sente frustrado por não ter dado continuidade ou ter tido oportunidade de seguir a sua carreira no beisebol profissional mesmo tendo sido um excelente esportista, vivendo entre um drink e outro, e sempre esperando o dia do seu pagamento. Troy é o retrato da luta contra a pobreza, o racismo e a eterna espera de uma oportunidade, de uma felicidade, de um momento que valha a vida inteira, mas que nunca chega. Denzel como Troy esta de tirar o nosso folego, a maneira que ele se entregou a um personagem conturbado, depressivo, alegre, difícil, apaixonado, amigável e violento, tudo de uma só vez, permite que assim a gente sinta afeição e ódio pelo menos personagem em uma fração de segundos. Eu particularmente entendi, compreendi e gostei de Troy, ao mesmo tempo que o julguei, o amaldiçoei e o xinguei, mas independente do meu sentimento, o personagem me fez questionar as minhas escolhas, o meu passado e ter um certo medo do que estou fazendo ou não pelo meu futuro.
Dando vida a esposa de Troy, temos a maravilhosa Viola Davis, que esta no momento mais visado da sua carreira, Rose Maxson é uma dona de casa tipica, mãe de dois filhos e que cuida também um pouco do seu cunhado, um ex combatente do exercito que voltou com problemas da guerra. Rose nos confunde e nos faz sentir, ela é forte ao mesmo tempo que é submissa, impõe sua voz, sua dor, seus pensamentos e se deixa calar pelas vontades e desejos de seu marido. Viola se entrega de uma maneira tão forte a personagem que em alguns momentos você sente, não me perguntem o que, mas você de fato sente algo durante as cenas, ela te absorve e te deixa mudo, assistam.
Tratando de crise financeira, crise familiar, traição, pobreza, frustrações, problemas matrimoniais, morte e ate mesmo machismo, o filme poderia ser pesado (e é também), mas ele é muito mais poético e teatral, do que qualquer outra coisa. A cerca do nome, pode ser tanto a real, que Troy tenta levantar envolta de sua casa á pedido de sua mulher desde a primeira cena do filme, quanto imaginaria, essa ele tenta á sua maneira que pode ou não ser certa e amorosa, levantar envolta de seus familiares.
Com seis indicações ao Oscar, Melhor Filme, Melhor Ator (Denzel Wahington), Melhor Atriz Coadjuvante (Viola Davis) e Melhor Roteiro Adaptado. Acredito que ele tenha reais chances de ganhar como melhor roteiro adaptado e que a Viola ganhe como melhor atriz coadjuvante.