Data de lançamento 15 de fevereiro de 2018 | Duração: 1h 56min | Direção: Martin McDonagh | Elenco: Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell | Gênero Drama | Título original  Three Billboards Outside Ebbing, Missouri | Distribuidor: Fox Film do Brasil

 

Há quase 10 anos peguei de uma prima a mania de assistir todos os filmes que concorrem ao Oscar, essa mania se tornou algo bem próximo de vicio e assim que saiu as listas dos indicados de 2018 (sim, ja tenho o meu favorito) prontamente comecei a assistir todos. TRÊS ANUNCIOS PARA UM CRIME, era o que eu menos queria ver, e ele calou a minha boca, vem que te conto o motivo.
Começo esse texto dizendo que não sabia a dificuldade que seria escrever esta resenha até sentar aqui e tentar transcrever em poucos parágrafos o que esse filme me causou em alguns minutos, vencedor na categoria de melhor roteiro no Festival de Veneza, e devidamente aclamado no festival internacional de Toronto, Three Billboards Outside Ebbing Missouri, é um filme que não se encaixa em nenhuma classificação, poderia facilmente ser considerado um drama, pois tem um luto como pano de fundo, um thriller, ou até mesmo comédia, já que o humor ‘politicamente’ incorreto (mas necessário e não apelativo) se encontra presente em quase todos os momentos.
Em uma cidadezinha do sul dos EUA, onde o racimos não é velado ou vergonhoso, mas sim característico de algumas pessoas, três outdoors são colocados em uma estrada que embora não seja movimentada, atrai de imediato a atenção de todos os habitantes. Mildred Hayes (Frances McDormand) é uma mulher de luto que perdeu a sua filha vitima de um crime bárbaro, a jovem Ângela foi violentada e morta queimada logo em seguida. Julgando que a policia não investiu o esforço necessário para a resolução do crime ela resolve desafiar á todos escrevendo uma mensagem direta e sem filtro para o chefe da policia local Willoughby (Woody Harrelson).
Willoughby é um homem bom, pai de família, policial dedicado, que esta passando por uma situação pessoal muito triste, o interessante neste personagem que embora a trama do filme seja meio direcionada para que o telespectador não goste dele, a simpatia do publico é quase instantânea, é como se pudêssemos o ver de verdade, como um homem inteiro construído de falhas, amores, medos e vontade de fazer o certo, mesmo errando categoricamente. Como autoridade local, Willoughby é muito respeitado, isso faz com que os alguns habitantes da pequena cidade se unam contra Mildred, tentando faze-la desistir dos outdoors e transformar a sua vida já miserável em algo ainda pior.
Podendo ser visto no primeiro momento como contrario de Willoughby e uma versão diferente do mesmo odio que é feito Mildred, temos o policial Jason Dixon um homem que ainda vive com a mãe com quem tem uma relação não muito saudável de pequenas ofensas e provocações, que devido a sua criação e medo de se aceitar, vê na violência em excesso uma válvula de escape e no ódio ao diferente uma fuga, conhecido por ‘odiar negros’, Dixon é a personificação de uma pessoa mal criada, preconceituosa e que ao deter qualquer tipo de poder, se torna extremamente perigosa para toda a sociedade.
O diretor Martin McDonagh em Three Billboards Outside Ebbing Missouri, mostra a realidade crua e sem meias palavras, algumas vezes de maneira humorada, causando risadas culpadas no telespectador, fazendo uso de piadas trágicas e momentos dolorosos como pano de fundo. Outras descascando as camadas dos mais profundos sentimentos humanos, como o ódio, violência e preconceito, mostrando a suas origens, causas e consequências. Deixando claro que o ódio mesmo motivado por algo plausível é sim destruidor para quem o carrega também, pois torna o portador uma pessoa cruel, sem absolutamente nada de bom para dizer ao próximo e toxica por dentro.
O preconceito é mostrado em suas mais diversas faces, mas focando exclusivamente no racismo comumente presente nas pessoas da pequena cidade sulista, mas vista de maneira mais escancarada em dois personagens, Martin da uma visão mais humanizada da raiz e origem do problema, mostrando o quão profundo, bem construído e coberto por diversas camadas ele se encontra dentro do ser humano, uma vez que a ideologia que existe uma raça superior foi sim devidamente pregada e enterrada ha anos dentro das pessoas, e que precisará de muitos outros anos para ser cavada, arrancada e desconstruída.
Embora o perdão, a evolução, o amor e o sacrifício estejam devidamente representados no filme, é palpável o quanto a agressividade é quem dita todas as regras no final das contas. A violência rege toda a historia, unindo todos os personagens na mesma caraterista (ou dor); o homem violento com as mulheres, o filho violento com o pai, o anão (Peter Dinklage) que violenta a si mesmo através da bebida, o policial que usa da violência como resposta, etc.. então nada mais direto que seja com ela que o ciclo presente na  história termine, e comece um próximo regado a vingança, escolhas mal feitas, e claro, ódio.
Gostei bastante de Three Billboards Outside Ebbing Missouri, me surpreendi com os temas abordados no filme e com a inteligencia que o diretor soube conduzir tudo mesclando sempre a violência com atos que são exatamente o oposto dela. Diferente de mim, não veja o filme apenas porque ele concorre a um premio qualquer, que talvez nem vá ganhar, veja porque alem de merecer muito a sua atenção, ele é uma obra que irá te fazer levantar diversas questões consigo mesmo.