Data de lançamento: 26 de janeiro de 2017 (Brasil) | Direção: Mel Gibson | Indicações: Prêmio Globo de Ouro: Melhor Filme Dramático, mais Prêmios: Critics’ Choice Movie Award: Melhor Filme de Ação, mais Produção: Bill Mechanic, David Permut, Terry Benedict | Gêneros Drama, Guerra, Biografia | Nacionalidades Austrália, Eua | Distribuidor: Diamond Films
Esqueça o que você sabe ou até mesmo entende a respeito de heroísmo e guerra, esqueça a sua definição de covardia e bravura, uma vez que isso aconteceu, assista sem qualquer tipo de pre-conceitos este filme genial que marca a volta do nosso antigo galã e atual diretor Mel Gibson.

 

Não é segredo que Mel tem quatro fetiches; Fé, Heroísmo, Sangue e Clichê, e ele exalta cada um deles nesse filme na maneira mais direta possível: quando refere a fé, quer dizer no sentido cristão da palavra, temente e servo de Deus; Heroísmo nada tem a ver com Batman, Super-Homem ou até mesmo o Homem Aranha, mas sim de pessoas comuns, normais, sem mascaras que apesar dar diversidades consegue triunfar na guerra; Sangue é sangue, sangue e mais sangue .. e por fim, o eterno clichê que sempre nos arrebata em Hollywood.
Nesta sua nova produção somos apresentados e compramos a idade de todos os seus fetiches, pra quem gosta de filme de guerra, bem produzido, regado a sangue, tiros, horror e muitas mortes filmadas tão realista que quase espirra sangue na nossa cara, este filme é pra você. E por mais incrível que pareça, se você é cristão e gosta de ver as maneiras diversas e com um certo tom de senso de humor que Deus age, este filme também é pra você e irei explicar o motivo.
Desmond T. Doss é um homem temente a Deus que com o objetivo de salvar o máximo de vidas possível decide ir para a guerra, sim, é isso mesmo, um homem que segue a bíblia e os mandamentos nela descritos resolve guerrear pelo seu país, mas com um pequeno detalhe, ele se recusa a colocar as mãos em qualquer arma. É amigos, ele vai pra guerra, mas não irá tocar no rifle devido a uma promessa e traumas de infância; analisando assim parece algo bem religioso fissurado e sem qualquer noção da realidade, porém é nesse momento que Doss nos surpreende e mostra a sua força.
Jovem, franzino e adventista do sétimo dia, mais religioso que a própria religião este é Desmond, filho de um ex combatente, que devido a alcoolismo e a tristeza de sobreviver a uma guerra, se tornou um péssimo pai e marido. Desmond foi o primeiro objetor (alguém que reivindica o direito de recusar o serviço militar) e opositor consciente da historia americana a ganhar a Medalha de Honra. Devido ao seu objetivo de não matar e sim salvar, Desmond vai a segunda guerra com o titulo de medico dos Exercito dos EUA e faz a diferença devido a sua bravura e coragem, pois mesmo sofrendo sansões físicas, abusos psicológicos e todo incentivo para desistir do seu objetivo de servir sem matar, ele se mantém firme e fiel a suas convicções, e é exatamente ai que a sua religiosidade se cruza com a sua personalidade. Ele sente a presença tão forte de Deus em suas ações, em sua vida, que em nenhum momento se curva perante as dificuldades e muito menos desiste. Com o lema de literalmente “Até o último homem”, ele se recusa a deixar o campo de batalha enquanto não tem a certeza de que resgatou absolutamente todos os seus companheiros feridos (e as vezes alguns inimigos também) graças a isso, salva sozinho o total de 75 homens e colaborando de maneira positiva para o vencimento daquela batalha.
Recomendo fortemente este filme, é lindo ver a mudança dos soldados diante das atitudes de Desmond, é encantador sentir o respeito que se é criado por ele ao longo da trama e ver a relação próxima e de confiança que Desmond tem com Deus. A minha unica critica e isso é devido mais a maneira patriota que os americanos enxergam a guerra do que ao filme em si, é porque eles fazem questão de mostrar o ‘inimigo’ como vilão, tentando dar-lhes uma face carregada e cruel, e é isso que não posso concordar, pois tenho o discernimento de que ambos estão errados por estarem ali, que ambos estão seguindo ordens (e aquilo que acreditam) e ambos estão dando o melhor para não morrer e voltar para casa.
Desmond é interpretado por Andrew Garfield (Homem Aranha) e ele esta sensacional, a sua desconstrução do herói de quadrinho e construção do herói de guerra é belíssima de ser ver, no filme ainda temos Teresa Palmer (Lights Out), Vince Vaughn (Penetras bom de bico), Rachel Griffiths (Brothers & Sisters), entre outros. Baseado em uma incrível (e difícil de acreditar) história real, Hacksam abocanhou 6 indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e diretor, mas apesar de ter gostado muito, acredito que (infelizmente) irá perder todas as estatuetas principais e levará algo a respeito da sua sonoplastia apenas.