Direção: Tom Ford | Música composta por: Abel Korzeniowski | Indicações: Prêmio Globo de Ouro: Melhor Roteiro de Cinema, Melhor Ator Coadjuvante em Cinema. | Gêneros Drama, Suspense | Nacionalidade Eua | Distribuidor: UNIVERSAL PICTURES

 

Assisti a este filme há um bom tempo e ele se tornou a pior indicação da minha vida, vou explicar, o vi de madrugada e fiquei até sem ar, achei sensacional, a história, o enredo, o Jake e o final, pra mim ele foi a flor da pele, verdadeiro, intenso e o final apesar de não ser transparente, deixou tudo absolutamente claro. Apos isso indiquei para um amiga que assistiu e não conseguiu enxergar 1/3 da genialidade que enxerguei e ainda questionou o motivo de ter gostado tanto, então descobri que Animais Noturnos não é pra qualquer tipo de pessoa, sem ofender algum seguimento que não gostou, mas este filme necessita uma visão transcendental (devido a junção de três histórias) e a sensibilidade para captar o que não é dito, mas mostrado.

Dirigido pelo estilita texano queridinho dos famosos (Jay-z fez até uma musica em sua homenagem), Tom Ford que já havia feito um excelente trabalho em Direito de Amar (2009) e vem dessa vez mais maduro com um um thriller psicológico construído com um convincente clima de tensão, culpa, lembranças e tristeza. Baseado no romance contemporâneo “Tony and Susan”, de Austin Wright, Nocturnal Animals tem como personagem principal a jovem, porem já consagrada e cinco vezes indicada ao Oscar Amy Adams (Retratos de Família, Duvida, O Vencedor, O Mestre e Trapaça) no papel da bem sucedida Marchad de arte Susan Morrow, Susan que esta vivendo uma crise existencial, matrimonial e levemente financeira, fazendo com que assim todas as estruturas de sua vida sejam questionadas e colocadas a prova.

Em um determinado dia Susan recebe de Edward seu ex-marido (Jake Gyllenhaal) o manuscrito de seu atual romance dedicado a ela, Nocturnal Animals e esse por sinal era o apelido que ele a chamava devido aos seus hábitos noturnos. Sendo totalmente composto por atmosferas e as suas diferenças, o filme se passa em três distintas historias, a atual, de Susan casada com o segundo marido (Armie Hammer), a segunda retratada por flashbacks do passado em que Susan ainda era casada com Edward e a terceira fictícia dentro do livro que recebeu e que é onde todo o psicológico do filme se desenvolve. É fascinante a linha extremamente tênue e muitas vezes invisível entre o sentimento real de Susan a respeito de Edward, do relacionamento dos dois e as relações, sentimentos descritos na história do livro.
O romance conta a história de Tony também vivido por Jake Gyllenhaal, um professor, casado e pai de uma menina, que tem exatamente as características que Susan tanto reclama e critica em Edward, se temos dificuldade em enxergar tais características nos flashbacks, no romance elas são escancaradas, como se ela fosse esculpido pedaço por pedaço com todas as criticas e constatações de Susan. Isso faz com que Tony seja um fraco, indefeso e suscetível a qualquer alteração do ambiente. De viagem com sua família, Tony acaba cruzando com um gangue e nesse momentos se torna tocável a sua fraqueza, uma vez que não encontram grandes dificuldades em fazer com a família de Tony o que desejam.
Sendo baseado em atmosferas e no paralelismo dos ambientes completamente opostos, em que na sua vida atual Susan é cercada de luxo, riqueza e extravagancia, o cenário do romance é um deserto árido, cruel e pessimista e o passado mostrado em pequenos flashbacks onde de fato conta a história do casal que é marcante pela maneira que Susan é feliz mas aos poucos deixa de ser muito por ouvir criticas de pessoas externas a respeito da vida e característica de seu marido e também por parar de amar/aceitar Edward do jeito que ele é e começar a exigir que ele seja como ela acha que seria o certo, fazendo com que assim ela acabe o ferindo drasticamente e dando um desfecho triste a uma história que tivera grande potencial de ser de amor.
Guiado pela calma e expressiva necessidade de vingança Tony encontra como aliado um Xerife local, vivido pelo completamente transformado e extremamente magro Michael Shannon, tais mudanças renderam á ele a indicação do Oscar de melhor ator coadjuvante, juntos os dois são capazes de darem um final a esse terrível pesadelo vivido pelo professor com sua família no deserto, ao longo das paginas do romance Edward não termina o livro apenas finalizando a ficção por ele criada, mas também a sua história com Susan, fazendo com que o romance seja entre outras coisas uma analogia á relação dos dois e assim quando ele acaba, os dois enfim acabam também.
Sendo o filme finalizado de maneira incrível e seca, Ford nos dá de presente este enredo rico, carregado e que exige de nós total concentração, fazendo com que assim o estilista consagrado mundialmente no mundo da moda, deixe também a sua marca no cinema e com grandes chances real de ser tornar tão grande no mundo cinematográfico como já é no mundo da alta costura.