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TEMPESTADE SELVAGEM – BEVERLY JENKINS | RESENHA

TEMPESTADE SELVAGEM – BEVERLY JENKINS | RESENHA

Tempestade Selvagem é o segundo livro da trilogia Mulheres Pioneiras, da autora estadunidense Beverly Jenkins, cujos romances históricos e contemporâneos têm foco na vida afro-americana do século XIX, publicado pela editora Arqueiro.

Tempestade Selvagem

trilogia Mulheres Pioneiras

 

Autoria:
Beverly Jenkins

Editora:
Arqueiro

Ano de lançamento:
2022

Gênero:
Romance de Época

Páginas (nº):
224
Tradução: Dandara Morena
Classificação indicativa: 16+
Aviso de conteúdo: Racismo, Violência, Morte/Assassinato.

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Spring Rain Lee é a irmã do Dr. Colton Lee, uma mulher destemida que usa calças, bebe uísque, mora sozinha e não gosta de dar satisfação à ninguém. Administra sozinha sua fazenda, e já experimentou o lado mais sombrio da vida, que a moldaram na mulher forte que é hoje. Mas a vida ainda é difícil para uma mulher negra em Paradise, Wyoming.

Durante uma tempestade de neve, ela encontra Garrett McCray mancando com suas botas novas depois de ser jogado de seu cavalo. Mesmo sendo uma mulher endurecida pela vida, Spring sabe que precisa cuidar de Garret, e o leva para casa.

Sobre os personagens de Tempestade Selvagem

Garrett é um homem negro de Washington, DC, um homem de múltiplas funções: é advogado, carpinteiro, e jornalista nas horas vagas. Ele veio entrevistar o irmão de Spring para um artigo de jornal, já que médicos pretos ainda são raros… aos poucos, vai se apaixonando pelos costumes do oeste, das pessoas, e da mulher ousada que não sai de seus pensamentos. Vai conhecendo sua história, sempre sem julgá-la – o que é uma grata surpresa para Spring, que sempre foi alvo de fofocas.

“Spring Lee parecia tão indomável quanto as montanhas de Wyoming e, para falar a verdade, igualmente impressionante.”

Mas, a família de Garrett tem outros planos para ele… o pai, mais especificamente, quer que o filho se case com uma mulher da sociedade e que se instale em um escritório de advocacia. Garrett sente dificuldade em dizer para o pai que ele quer uma vida tranquila, seguir a carpintaria, se assentar – quem sabe justamente no Oeste?

Logo, os dois percebem que a atração entre eles é forte, mas reconhecem que estão em caminhos diferentes na vida. Ele, sente falta da família; ela, não acredita no amor. Mas, a vida tem lá seus mistérios, e a cada dia que passa, a atração se torna mais forte e mais promissora.

Mergulho na história dos EUA pós guerra civil

O que poderia ser mais um livro de romance de época, acaba se tornando um mergulho num momento histórico tão complexo e com reflexo até os dias de hoje. A autora, da mesma forma que no livro anterior, faz uma pesquisa meticulosa, trazendo um olhar sobre a condição social dos negros da época, com personagens complexos e carismáticos. O retrato da segregação racial, bem como a discussão da expulsão de tribos nativas de suas terras para reservas é uma aula de história!

Os personagens são muito diferentes e cativantes. Spring tem uma ferocidade e uma coragem que a relação – seja com o clima, com cavalos selvagens, com as pessoas. É tão intensa, que deixa poucas dúvidas sobre sua força. Em alguns momentos, ela é até muito fria, e admito que me incomodou o plot de seu passado, não sei se a escolha que ela fez foi a mais acertada. Ela era uma garota de 18 anos que foi expulsa de casa, e seu orgulho a levou a caminhos bem reprováveis. Mas, quem sou eu para julgar.

“Ele não usava um coldre e ela nunca o tinha ouvido falar palavrões. Ele cozinhava para ela e não ligava de lavar a louça. A gentileza parecia guiar os passos dele, e Garrett lhe oferecia a mesma gentileza espontaneamente e sem julgamento.”

Amor em construção

Garrett, sempre com um livro na mão, é um cavalheiro que não se assusta com a força de Spring. Pelo contrário, se encanta rapidamente por ela, e pelas pessoas, pelo lugar, pela possibilidade de ser quem ele gostaria de ser. Nas notas da autora, ela diz que Garrett é o que os romancistas chamam de Bolinho de Canela: doce, gentil, solidário e quase “bom demais para esse mundo”. Ele é isso tudo e mais, daqueles que nos faz querer acreditar que existem por aí.

Outro ponto forte é que não se trata de um amor instantâneo e arrebatador. Se desenvolve lentamente – e cheio de pimentinhas… ou seja, temos cenas bem calientes entre esses dois. Mas são delicados, e complementam o relacionamento. Principalmente porque Garrett mostra a Spring como uma mulher pode ser amada! O amor de Spring e Garrett é íntimo, apaixonado e sexy.

Tempestade Selvagem retrata uma linda paisagem do território de Wyoming e sua vida selvagem. São muitos os personagens e os temas abordados – inclusive, achei incrível que ela acrescenta alguns nativos americanos. Então temos personagens pretos e outros nativos, vivendo lado a lado com seus vizinhos brancos, relativamente em harmonia, ainda que com consciência de raça. Mas, se protegem como uma comunidade. Confesso que me encantei com um certo engenheiro fazendeiro nativo americano…

Um Romance arrebatador

Os personagens coadjuvantes são especiais. Odell é aquele rabugento favorito com um coração de ouro. A cunhada, Regan, era frequentemente a voz da razão que lembrava Spring de seu valor – queria muito mais dela! Os vilões também foram totalmente desenvolvidos e odiosos, criando mais do que alguns momentos cheios de tensão e de coração na garganta.

Embora seja o segundo livro da série Mulheres Pioneiras, também é um crossover para a série Old West, incorporando personagens de Tempest (2018) – justamente a estória de Regan! Arqueiro, você vai nos brindar com essa outra série também, não é?

Enfim, recomendo fortemente para fãs de romances de época, que queiram dar um tempo dos salões londrinos, e que queiram mergulhar na história dos afro-americanos pós-guerra. Eu ri, me preocupei, chorei e me alegrei – e quando um livro faz isso tudo, a gente sabe que é uma estória boa…

“Com seu jeito calmo e tranquilo, ele a tinha mudado, não necessariamente para uma pessoa melhor, mas para uma diferente.”

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