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MAIS MORTAIS QUE OS HOMENS – AS PIONEIRAS DO TERROR GÓTICO E FIM GANHAM VISIBILIDADE! | RESENHA

MAIS MORTAIS QUE OS HOMENS – AS PIONEIRAS DO TERROR GÓTICO E FIM GANHAM VISIBILIDADE!  | RESENHA

“Mais Mortais que os Homens” foi um livro que me chamou a atenção imediatamente pelo título! Lançado no ano passado, a antologia organizada por Graeme Davis tem a proposta de trazer a público algumas obras de terror de escritoras pioneiras e transgressoras do século 19.

Mais Mortais que os Homens

Obras-primas do terror de grandes escritoras do século XIX

 

Autoria:
Graeme Davis

Editora:
Jangada

Ano de lançamento:
2021

Páginas (nº):
656

Gênero:
Terror, Antologias
Classificação indicativa: 16+

Algumas muito famosas e outras quase desconhecidas (pelo menos em publicações aqui no Brasil), são mulheres que não receberam o crédito por sua escrita como deveriam, uma vez que o campo do terror/gótico sempre foi considerado predominantemente masculino. Suas obras então ficaram “suspensas”, aguardando o momento de serem trazidas à luz e reconhecidas com a importância que merecem. Pois bem, pra 26 delas, chegou a hora!

Antes de qualquer coisa, adianto a vocês que o livro é um calhamaço dos bons! Com 654 páginas, era de se esperar algo cansativo ou repetitivo, mas já garanto que a seleção é das boas. Todas as histórias são bastante interessantes, com ótimos desenvolvimentos e desfechos.

Estão dispostas em ordem cronológica, indo de 1830 a 1903, com autoras inglesas, norte-americanas e uma russa. Então, prestem atenção nesse período, pois é importante pra entender o teor da obra.

Em Mais Mortais que os Homens temos autoras de vários países

Apesar de não haver apenas autoras da Inglaterra, os contos selecionados estão compreendidos no período de reinado da Rainha Victoria no país, ou seja, o período Vitoriano. Este é famoso pelo desenvolvimento da paranormalidade, crescimento do gótico e do horror, disseminação de pennydreadfull (pequenos contos de horror vendidos bem baratos)…

Ao se aprofundar na história de vida da Rainha Victoria, é possível descobrir que perder seu amado marido bem jovem a impactou e deprimiu, fazendo com que procurasse formas alternativas de contato com o falecido a qualquer custo. Sendo assim, pode-se dizer que este fato serviu como pano de fundo para uma época já com seus indícios sombrios, influenciando várias outras regiões e histórias de fantasmas, aparições, contatos mediúnicos e etc.

Logo, aproveito para tranquilizar os corações medrosos, aqueles que fogem do terror e do sangue para conseguir dormir à noite em paz. Este livro vai funcionar para vocês também! É importante diferenciar o conteúdo do horror gótico das histórias sombrias e sangrentas que conhecemos hoje.

Os contos deste livro trabalham o medo intrínseco, o sobrenatural, o paranormal. São fantasmas, situações apreensivas, o improvável, o psicológico… Nada semelhante ao gore, à violências extremamente descritivas e escancaradas.

MAIS MORTAIS QUE OS HOMENS – AS PIONEIRAS DO TERROR GÓTICO E FIM GANHAM VISIBILIDADE!

Sobre as autoras

Acredito que algumas vão surpreendê-los, assim como aconteceu comigo. É o caso de Louisa May Alcott, autora de “Mulherzinhas”, de quem eu nunca esperava uma história assim. E esse fato acaba dizendo muito mais sobre a época do que eu poderia expressar, não é mesmo?! Vemos que era muito mais “aceitável” que uma mulher escrevesse um romance do que algo no gênero do horror. Mais um ponto então para a criação de “Mais Mortais que os Homens”! E já adianto, o conto da Alcott é um dos meus preferidos!

Outra que aparece por aqui, e obviamente não poderia faltar, é nossa queridinha Mary Shelley, autora de “Frankenstein”. Na verdade, Mary Wollstonecraft Shelley, como a edição faz questão de registrá-la, incluindo o sobrenome de sua famosa mãe (apesar de não tê-la conhecido, a mãe de Mary foi uma famosa autora feminista de sua época, sendo referência até hoje).

Na época do lançamento de “Frankenstein”, muitos creditaram a criação ao seu marido, de quem herdou o sobrenome Shelley, então é um detalhe bastante significativo a inclusão do SEU sobrenome.

Charlotte Perkins Gilman aparece por aqui com uma obra que eu já conhecia muito e tenho o livro especificamente dela, inclusive: “O papel de parede amarelo”. O engraçado é que eu nunca tinha visto a obra com olhos de horror, mas acabou sim fazendo todo o sentido. É uma história angustiante e psicologicamente aterradora, principalmente para as mulheres.

No total, são 26 histórias que casam muito bem com o estilo proposto.

Algumas das autoras eu nunca tinha lido, e nem conhecia, o que se tornou uma oportunidade sensacional de expandir conhecimentos. A edição está maravilhosa, em capa dura, verniz localizado, fitilho, uma arte linda, além de detalhes iniciais em cada capítulo seguindo os tons de capa. Além disso, antes de cada história temos uma breve apresentação de cada autora, com informações bastante interessantes e necessárias.

A tradução de “A tradução deMais Mortais que os Homens” ficou à cargo de Thereza Cristina, de quem preciso elogiar o excelente trabalho. Suas notas e informações fazem toda a diferença nesse mergulho de época. Temos também um prefácio feito pela Michelle Henriques, do Leia Mulheres”. Aconselho uma leitura devagar, aproveitando cada trama, sem empurrar um conto sobre o outro. A antologia representa reconhecimento, ainda que tardio, e valorização feminina. Algo que, se formos pensar, nossas autoras (principalmente as nacionais) ainda precisam muito nos dias de hoje.

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