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TEM ALGUÉM NA SUA CASA, DAS PÁGINAS À NETFLIX – STEPHANIE PERKINS | RESENHA E CRÍTICA

13 janeiro, 2022 por

“Tem Alguém na Sua Casa” (There’s Someone Inside Your House, 2017), foi publicado aqui no Brasil em 2021. É considerado uma homenagem aos filmes slashers dos anos 80 e 90. Tem de tudo um pouco… romance, representação, amizades verdadeiras, e suspense! Eu realmente devorei essa leitura. Adoro livros que me prendem, mesmo quando não são aqueles livros calhamaços. E assim, me diverti durante as 341 páginas desse terror teen.

“…os boatos eram apenas isso: invenções criadas para distraí-los do desconhecido.”

Título: Tem Alguém Na Sua Casa
Autora: Stephanie Perkins
Ano: 2021
Páginas: 341
Editora: Intrínseca
Classificação indicativa: 16+
Aviso de conteúdo: Mortes, Sangue, Gore, Bullying, Conteúdo Sexual, Perseguição
Nota: 3,5
Gênero: Slasher, Suspense, Terror
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… não era supersticiosa. Exceto quando era.”

Makani Young é nossa protagonista. Ela é uma jovem que veio do Havaí para morar com sua avó em Osborne, no interior do Nebraska. Ela é descendente de coreanos por parte de pai, e sua mãe é afro-americana. Ela é constantemente assombrada por acontecimentos do seu passado, que não nos é revelado no início da trama. E este é o motivo de ter deixado sua terra natal.

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Ela já está familiarizada tanto à cidade, quanto à escola. Entre seus melhores amigos, está Darby (um garoto transexual). Alex é a garota que fecha esse trio de amizades. E alvo romântico de Makani está voltado para Ollie, o garoto diferente da escola… que no fatídico dia em que todos descobrem o assassinato de uma jovem colega de escola, ele aparece com o cabelo pintado de rosa (e isso é motivo de muitos comentários).

“De qualquer modo, a memória não é confiável.”

Então chegamos naquela parte da história onde um a um, alunos da escola de Makani vão sendo assassinados. Nunca deixando para trás um motivo plausível para a morte dos adolescentes, o assassino não demora a ser descoberto. E a gente fica com aquela cara de “tacho”, pensando: mas já? Sim! A autora entrega o ouro perto da metade do livro. A agonia que teremos que lidar nas demais páginas, irá além do “quem foi”. Agora, o problema vai criar diversas vertentes…

Makani, Ollie, Alex e Darby tentam a todo tempo entender o porquê das mortes. Qual fator interliga as vítimas? Qual deles poderá ser o próximo corpo sem vida? E em meio a tantas questões e desconfianças policiais e dos próprios adolescentes, rola todo o lance de Ollie com Makani. Também acontece outros plots, como a culpa que a protagonista carrega dos acontecimentos lá no Havaí, onde ela era uma jovem atleta. Aparentemente, ela acredita que essa é uma boa chance de ela figurar na lista de próximas vítimas.

“Por toda parte. Eles estavam por toda parte. Os que haviam partido e os que haviam sido deixados para trás.”

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Confesso que eu me apeguei aos personagens e a todos os clichês típicos dos filmes slashers. Para mim, a autora foi muito feliz em “Tem Alguém na Sua Casa”. O clima, um tanto retrô, porém na atualidade, foi alcançado. Resgatou, pelo menos em mim, aquela adrenalina dos longas de outrora que tanto agradavam a galera da minha geração.

Contudo, a adaptação disponível na Netflix não caminhou da mesma forma. A história foi baseada, tão somente. Muita coisa foi mudada de forma drástica. E, para não chover no molhado, eu nem vou dizer que o livro é melhor, tá bom? Só que #FicaADica… Algumas personagens corresponderam bastante a seus homônimos literários. Porém, outros além de serem totalmente diferentes, até a personalidade não é a mesma. E para leitores, você já sabe como funciona… Essas coisas incomodam! Mudaram até o assassino, a motivação e o fim da história original.

Quando você lê “Tem Alguém na Sua Casa” e depois assiste a adaptação, o sentimento de “pra quê isso?” passa por nossa mente várias vezes. Principalmente a respeito do serial killer e sua justificação de seus atos. Algo que no livro, eu achei muito interessante e bem sacado. Faz um sentido muito intrigante na vida daqueles adolescentes! E Shawn Levy (produtor de Stranger Things) e James Wan (diretor de Invocação do Mal 1 e 2), não souberam aproveitar a fluidez da obra. Até os clichês que me agradaram quando lendo, me geraram desgosto quando assistindo.

“Sempre presto atenção em você. Sempre vejo você.”

A sensação que um filme slasher deve causar, não me foi passada aqui em “Tem Alguém na Sua Casa”. Já, na leitura da obra eu me senti como se estivesse vendo um filme realmente. Ponto para Stephanie Perkins, que ousou escrevendo noutro gênero, e para meu gosto, acertou em cheio. Algo que conseguimos enxergar no filme, que foi mantido como no original, foi a questão da representatividade.

Makani é vivida por Sydney Park, uma protagonista não branca, que preencheu muito bem a protagonista do meu imaginário. Jesse LaTourette, que representa Darby, também foi uma escolha muito acertada! Já os demais adolescentes não me agradaram em sua representação visual. Não que os atores não cumprissem com seu papel. Apenas, não eram da forma como vi no momento que estava com os livros em mãos. Teve alguns que foram totalmente modificados em suas características físicas, que no livro, tinha certo contexto.

No fim das contas, a adaptação para mim fica no nível de um filme para passar o tempo quando não se tem pretensões alguma. Já o livro é uma leitura altamente envolvente para os fãs do gênero. Lembrando que matança e sangue não faltam. Fica aquele conselho de sempre… Não se apegue a ninguém. Você não sabe nunca quais cabeças irão rolar.

“Não abra a porta para ninguém.”

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