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NO RITMO DO CORAÇÃO (CODA) | A FÓRMULA PERFEITA PARA ARRANCAR LÁGRIMAS

NO RITMO DO CORAÇÃO (CODA) | A FÓRMULA PERFEITA PARA ARRANCAR LÁGRIMAS

No Ritmo do Coração” (CODA) foi a minha grande surpresa dentre os últimos lançamentos de filmes. Apesar de ser um remake de um ótimo drama francês chamado “A Família Bélier”, lançado em 2014, o longa consegue apresentar um diferencial e encantar, com uma história repleta de amor, família e empatia. Através da direção de Sian Heder, o filme foi destaque no festival de Sundance, e chegou ao Brasil em 07 de janeiro, após meses de espera, na plataforma Prime Video.

Data de lançamento: 07 de janeiro de 2022
Duração: 01h 51min
Direção: Sian Heder
Atores: Emilia Jones, Marlee Matlin, Troy Kotsur, Daniel Durant, Eugenio Derbez
Gênero: Drama, Romance
Classificação: 14 anos
Distribuidora: Prime Video

Conhecemos a família Rossi, onde apenas Ruby, a filha mais nova, é ouvinte. Seus pais e o irmão mais velho são surdos. Os quatro trabalham com pesca e, ainda que sejam super independentes, é papel de Ruby fazer a ponte de ligação entre sua família e os demais moradores da região. Aliás, essa é a função da garota desde sempre, seja em consultas médicas, bares, ou até mesmo negociações de trabalho.

No entanto, Ruby descobre ter um dom e um sonho: cantar! Descoberta pelo professor do coral de sua escola, a garota deseja tentar a aprovação na Universidade de Berkeley, renomada em música, mas bate de frente com um enorme problema, pois como sua família poderá seguir sem o seu auxílio? Ela sabe que precisa trilhar seu caminho, desenvolver aquilo que ama, ainda assim não vê formas para que isso possa acontecer.

 O Ritmo do Coração

Ao saber sobre o enredo, talvez você tenha a mesma impressão que eu… Que o filme soa um tanto quanto previsível e segue uma mesma fórmula padrão de drama familiar. Não está errado, pois aqui o foco não é esperar grandes reviravoltas, cenas muito trabalhadas ou grandes estrelas de Hollywood. “No Ritmo do Coração” aborda o subjetivo, a união, e justamente emociona pela simplicidade e pelas situações do cotidiano.

Remakes americanos de filmes de outras nacionalidades não são uma novidade. Muitos nem conseguem superar o seu filme de origem. Porém, aqui a situação foi um pouquinho diferente. Apesar de “A Família Bélier” ser muito bom, foi a própria produção do filme francês quem estabeleceu contato para iniciar essa “nova versão” estadunidense. Inclusive, fizeram contato com a renomada Marlee Matlin, a única atriz surda a ganhar o Oscar de melhor atriz (em 1986 por “Filhos do Silêncio”) e esta topou participar, desde que os demais atores escalados também fossem surdos.

Coda

Essa exigência de Matlin fez toda a diferença para a produção, representando muito para a visibilidade da comunidade surda. Consequentemente, ela quase abandonou o projeto quando percebeu a intenção dos financiadores em incluir algumas “estrelas do cinema” para garantir destaque e divulgação. Então, ao contrário do que aconteceu em “A Família Bélier”, temos neste filme três atores surdos excelentes, passando com verdade e emoção a história. Troy Kotsur, o pai, além de tudo é o grande alívio cômico do filme, e Daniel Durant, o filho, teve o desafio de se expressar, com extrema verdade, no limite da tensão em vários diálogos. Todos os atores são ativistas pelos direitos dos surdos e é importante perceber aqui como essa escalação é um avanço.

Apesar do filme receber o nome de “No Ritmo do Coração” aqui no Brasil (beeeeeem clichê), seu nome americano é carregado de significado, sendo uma pena perder o sentido na tradução. Com o nome de “CODA”, se refere ao termo Children of Deaf Adults, ou seja, uma criança filha de pais surdos. No entanto, CODA também é um termo da música, se referindo a uma seção com que se termina uma música em que haverá repetições. Mais adequado, impossível.

No Ritmo do Coração

E por falar em música, que espetáculo é a voz da atriz Emilia Jones… A garota é dona de um controle impecável. Um complemento agradável e emocionante. As cenas do coral de Ruby são repletas de significado. Apesar de possuir um enorme talento, ela não sabe disso, nunca foi ouvida antes. E ainda sofreu muito na adaptação escolar, pois foi vítima de bullying pesado, devido à dificuldade em desenvolver a fala na infância e ter chegado na escola fazendo apenas “sons de surdos”.

Existe um romance adolescente “água com açúcar” no filme, bem sessão da tarde e bem previsível, mas este não recebe tanto destaque, não é o principal. Acredito que a maior mensagem da história seja a inclusão, a aceitação e reconhecimento do universo dos surdos como parte integrante da vivência dos ouvintes. Como é dito lindamente por um dos personagens, eles não deveriam se sentir “bobos” ou “excluídos”, essa carga de participar dos eventos à sua volta não deveria ser deles. Os ouvintes precisam entender e assumir sua responsabilidade ao enxergar e respeitar os surdos.

Partindo então desse ponto de criar identificação e transpor barreiras, a diretora faz lindas escolhas de cena, responsáveis por várias das minhas lágrimas. Um exemplo é o filme se manter em completo silêncio durante os diálogos na linguagem de sinais (No filme utiliza-se a ASL, língua de sinais americana. A LIBRAS é a linguagem de sinais brasileira), não legendar alguns sinais utilizados pelos atores, nos mostrando como é totalmente possível a compreensão, e principalmente uma cena em especial onde temos a oportunidade de nos sentir como os familiares de Ruby… Vcs vão precisar assistir para sentir.

Após um enorme destaque no festival de Sundance, “No Ritmo do Coração” passou a ser bastante disputado pelos canais de streaming. Sendo dono de vários traços e características muito valorizadas pelo Oscar, existe uma grande expectativa para que consiga algumas indicações. Nada mais justo!

Comente este post!

  • Fernanda Martins Sales de Oliveira

    Gente essas indicações estão maraaaaa

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  • Deybiane

    Que representatividade incrível, achei extremamente importante que os atores sejam realmente surdos, irei assistir!

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  • Helenna

    Margente, que filme maravilhoso. Já colocando na minha lista de filmes… Muito importante a representatividade e a história parece muito boa.

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  • Mary

    Já havia visto comentários sobre este filne e me empolguei para assistir. Vou colocá-lo em minha lista de desejos.

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  • Nalu Santos

    Só filme bom!!!! CODA eu ainda não assisti mas já adicionei na minha lista, a representatividade é muito importante.

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  • Luiza Miró

    Amei todas as indicações.. tentarei ler os livros e ver os filmes.. ♥️♥️

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  • Debora

    Um filme muito recomendado. com certeza irei ver em breve. Precisamos de mais representatividade!

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  • Dieny

    Isso sim é o que quer dizer representatividade. Nada melhor do que representar pessoas com problemas auditivos e colocando pessoas com esta deficiência para fazer estes tipos de papel. Esse filme serve para mostrar o quanto todos nos somos capazes e que nada na vida é impossível.
    .

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  • Danielle Antunes

    Ah agora estou doidinha para ver. Meu marido é deficiente auditivo e sou mãe de um garotinho que tinha síndrome congênita por Zika vírus. Meu @davizinhiguerreiro que hoje é o anjo mais lindo do céu. Então tudo relacionado a pessoas com algum tipo de deficiência desperta meu interesse imensamente. Ótima dica!

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  • Luciane

    mais um filme bem mediano que so pq tem representatividade, vira “filmaço”… e fala serio, agua com açucar e clichê demais, tanto que nem me permitiu me emocionar…

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