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SKYHUNTER – MARIE LU | RESENHA

20 dezembro, 2021 por

Marie Lu, a aclamada autora da série Legend, está de volta com Skyhunter, o primeiro livro de uma duologia publicado pela Editora Rocco.

Título: Skyhunter
Autora: Marie Lu
Tradução: Regiane Winarski
Ano: 2021 – Páginas: 384
Editora: Rocco
Classificação indicativa: 12+
Aviso de conteúdo: Violência armada. Violência. Morte/Assassinato. Experimentos médicos.
Nota: 4,5
Gênero: Ficção científica, distopia
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Em um futuro distópico, destruído pela guerra, são reconhecidas duas nações: a Federação de Karensa, que conquistou quase todos os países fronteiriços, e Mara, a última nação independente.

Refugiados das nações conquistadas fogem para Mara, na tentativa de escapar dos horrores de Karensa, que transforma seus inimigos em feras mutantes conhecidas como Fantasmas: violentos, sanguinários, que perderam sua humanidade e agora são as armas de guerra enviadas para atacar quem tentar se opor à Federação
Talin Kanami e sua mãe são refugiadas de Basea, a última conquista da federação, e fogem para Mara. Dez anos após a fuga, Talin – que perdeu sua voz durante a fuga e que usa da língua dos sinais para se comunicar, continua sendo tratada como uma forasteira. Ainda assim, ela escolhe defender a nação que a acolheu, e se tornou uma Foice, uma soldada da força de elite, letais no combate aos fantasmas.

“Meu nome é Talin. Sou Foice de Mara, a última nação livre deste lado do oceano. Somos lendários portadores da morte, assassinos de monstros.”

SKYHUNTER – MARIE LU

Entretanto, o número de fantasmas só aumenta… até que surge um prisioneiro de guerra que vai ser interrogado pelo Prima-lâmina na presença de todos os Foices. Sem respostas, parece que o destino do desertor é a morte, mas Talin sente que ele pode fornecer informações importantes, e intercede por ele. Ela percebe que, se ele realmente quisesse se libertar, não teria muito problema. Talin consegue salvar Red, o desertor, mas o Prima Lâmina o deixa sob os cuidados dela, que, mesmo levemente arrependida, vai ter tempo para entender melhor o prisioneiro e descobrir se ele é de fato a arma definitiva para a vitória.

Eu sou fã das estórias da autora, e quando vi o lançamento, já coloquei imediatamente na minha lista de desejados. Marie Lu consegue criar mundos distópicos como ninguém, e seus personagens são muito carismáticos.

Skyhunter foi mais que isso. Em entrevista para o New York Times, a autora disse que se inspirou em uma declaração de Khizr Khan sobre seu filho, Humayun, durante a Convenção Nacional Democrata. O jovem morreu, salvando outros soldados no Iraque. Marie disse que “não conseguia parar de pensar em quantos jovens de classes marginalizadas vão para a guerra para lutar por nós, para nos proteger, e depois voltam para um país que não lhes dá o respeito que merecem. Essa ideia me assombrou e ainda me persegue.”

“É sempre pelos gentis que temo mais, os dispostos a abrir o coração, que sofrem pelos outros e ficam felizes pela felicidade dos outros.”

 

MAPA SKYHUNTER – MARIE LU

A trama se passa cerca de 5.000 anos no futuro, que passou por algum evento que levou a uma regressão em termos de tecnologia, e traz justamente uma refugiada que defende seu país. É muito fácil gostar da Talin, que tem um espírito forte, é resiliente, e se torna uma das melhores foices – ainda que não seja reconhecida pelos maranos, talvez por conta de sua cor, marrom clara. Mesmo tendo conquistado seu lugar no grupo de elite dos Foices, ela ainda é acometida por dúvidas, mas não deixa que as incertezas sejam uma barreira para o que ela quer fazer: impedir a Federação de tomar Mara.

Entretanto, ela é acolhida por Corian, que intercedeu para que ela pudesse se tornar uma Foice, e que se torna o escudo de Talin. Também temos Adena (com inclinação para tecnologia) e Jeran, um dançarino mortal quando está com as armas. Jeran tem uma estória cruel: filho de um dos senadores de Mara, e com um irmão mais velho com inclinação para a política, cresce com a necessidade de deixar o pai feliz, de quem sofre abusos físicos e psicológicos. Jeran tem um relacionamento amoroso que é lindo e perigoso! A esse grupo se junta Red, que traz segredos, mas que acaba se abrindo mais e mais com Talin, e conquista a gente quando vamos descobrindo mais sobre seu passado. Queria falar mais dele, que traz um ponto tão importante ao adicionar elementos para essa estória, e já tem lugar entre meus personagens favoritos…

“Isso é o que a Federação faz conosco. Ele planta essas memórias horríveis em nossas mentes até que nossos corações se tornem vazios.”

 

SKYHUNTER – MARIE LU

Mesmo com uma protagonista com limitações de fala, temos diálogos muito bons, já que grande parte dos personagens conhece a linguagem de sinais. E foi imersivo estar em um mundo no qual a comunicação com as mãos é fluida, ao mesmo tempo que nos lembra da importância de perceber que a comunicação se dá de diversas formas.
Os elementos distópicos são bem tratados. Ainda que o governo a ser derrubado seja a Federação, claramente o vilão da estória, teremos várias outras nuances. Mesmo que os soldados de Karensa sejam apresentados como cruéis, vamos descobrindo como é verdadeiramente a situação deles.

Todo o mundo apresentado está sob o domínio da Federação, então Mara é vista como a última nação livre. Isso leva a crer que aqui a corrupção não exista, mas não é o que acontece. Há miséria e fome, principalmente para os refugiados, que ficam do lado de fora da cidade murada, a capital Newage.

“Vocês passaram a vida toda olhando com desprezo para o chão onde piso. Para o estilo das minhas roupas e para o tom da minha pele. Para o idioma do meu povo, para os sinais que uso porque não sou capaz de falar em voz alta. (…) Ainda assim, vou arriscar a minha vida para salvar a de vocês.”

Mesmo que o caminho trilhado pela autora seja clichê para esse gênero, com um herói que surge do povo, e que poderá ser decisivo para salvar aqueles que não lhe dão importância, ou que o vilão seja prontamente odiado, a forma como a autora constrói o mundo e as intenções são plenamente satisfatórios. Mesmo porque, eu ainda acho que ela poderá trazer pontos interessantes no próximo livro, e quem sabe, desarticular algumas dessas certezas.

Skyhunter traz descrições sobre os ‘precursores’ e sobre os restos de tecnologia deixados por eles, e aí temos também mais uma discussão sobre o futuro que nos espera. A forma como usamos nossos recursos, como se fossem ilimitados, e como não nos preocupamos com o descarte de materiais tóxicos tem um momento de reflexão – Talin, por exemplo, cresce buscando no lixo dos ‘precursores’ materiais que possam ser reutilizados.

E, se você ficou curioso sobre o título Skyhunter do livro, pode esperar pela explicação, e vai ser daqueles momentos de brilhar os olhos… Com muitas reviravoltas e um final sem conclusão – o que é esperado, já que se trata do primeiro livro, Skyhunter traz cenas de batalhas bem elaboradas, e muitas discussões. Ou seja, perfeito para os fãs da autora e para quem procura por uma distopia jovem.

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14 Comentários

  • Paloma
    dezembro 20, 2021

    Gostei do sem coração
    Me atraiu bastante! Nunca tinha visto um livro que falasse até mesmo de passagem sobre libras. E o enredo de miséria e fome me atraiu também!!!

    • Maisa Carvalho
      janeiro 03, 2022

      Paloma, achei bem importante a parte de Libras, foi bem inclusivo.

  • Paloma
    dezembro 20, 2021

    Não gosto muito de distopia mas me interessei por essa. Vou colocar na lista

    • Maisa Carvalho
      janeiro 03, 2022

      Eu gosto de distopias porque remete muito a situações que vivemos…

  • Lidiane
    dezembro 20, 2021

    Muito bom a resenha, resumo.
    Fiquei bem curiosa coma história ainda mais que vem com algo novo ( pelo.menoa pra mim) sendo sobre a língua de sinais.
    Sem dúvida vai entrar pra lista.

    • Maisa Carvalho
      janeiro 03, 2022

      Lidiane, espero que goste!

  • Ana Carolina
    dezembro 20, 2021

    Distopias é um dos meus estilos literários favoritos, tava faltando um pras minhas leituras de 2022, mas agora não falta mais kkk. Achei incrível o fato de ter uma personagem que usa linguagem de sinais, é tão difícil encontrar isso nas histórias, já me deu mais vontade ainda de ler.

    • Maisa Carvalho
      janeiro 03, 2022

      Ana Caroline, não é? Me encantei por isso também.

  • Nalu Santos
    dezembro 20, 2021

    Adorei, não conhecia o autor e nem o livro mas já fiquei curiosíssima! já li vários livros por indicação do coisas de mineira e o meu preferido veio tbm por indicação daqui.

    • Maisa Carvalho
      janeiro 03, 2022

      Nalu, qual o seu preferido?

  • Ana Clara
    dezembro 20, 2021

    Que história interessante!
    Acho que eu nunca li nenhum livro em que o protagonista se comunicasse de outra forma que não a fala. É importante demais esse tipo de reapresentação!
    E que enredo bacana! Eu já vou ter que colocar esse livro na meta de 2022!
    Amei a resenha!
    Beijos!

    • Maisa Carvalho
      janeiro 03, 2022

      Ana Clara, que bom que gostou! Beijos!

  • Flavia Pedroso
    dezembro 20, 2021

    Caramba a história deve ser muito boa, gosto bastante dessas história de distopia, tanto de Ceifador é uma das minhas favoritas. Nunca li nada da Marie Lu, mas fiquei interessada. Dela eu tenho Warcross que ainda não li e Batman das Lendas da DC, tenho que remediar isso imediatamente.

    • Maisa Carvalho
      janeiro 03, 2022

      Eu sou fã… indico também a série Prodigy.

  • INDICAÇÕES DA 25ª MOSTRA TIRADENTES 10 LIVROS MARAVILHOSOS PARA VOCÊ LER NAS FÉRIAS REBELDE: UM REBOOT PARA UMA NOVA GERAÇÃO, MAS SEM DEIXAR QUE A ANTIGA SEJA ESQUECIDA! LIVROS QUE VÃO VIRAR SÉRIE/FILME EM 2022 LANÇAMENTOS LITERÁRIOS JANEIRO DE 2022