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MATRIX RESSURRECTIONS (2021) | CRÍTICA

23 dezembro, 2021 por

“Matrix Ressurrections” já está nos cinemas, então, após 18 anos da famosa trilogia que explodiu mentes ao redor do mundo, temos a chance de revisitar esse universo distópico e tecnológico com gostinho de nostalgia. Se você foi uma criança/adolescente do início dos anos 2000, com certeza Matrix te marcou e te fez pensar. Se ainda assim não usou sua oportunidade na época, cuidado, pois que esse texto vai ter spoiler dos filmes anteriores! Até porque, como tranquilizar os corações fragilizados pela morte de Neo e Trinity, sem falar sobre o fato deles estarem de volta mesmo tendo morrido no final de “Matrix Revolutions”?!

MATRIX RESURRECTIONSData de lançamento: 22 de dezembro de 2021
Duração: 2h 28min
Diretora: Lana Wachowski
Lançamento: 22 de dezembro de 2021
Elenco: Keanu Reeves, Carrie-Anne Moss, Yahya Abdul-Mateen II
Produção: Grant Hill; James McTeigue; Lana Wachowski
Roteiro: Aleksandar Hemon, David Mitchell.
Classificação: 12 Anos
distribuidora: Warner Bros. Pictures Brasil

 

Então, resumindo bem grosseiramente o universo Matrix criado pelas brilhantes irmãs Wachowski (Lilly e Lana), tratava-se, até então, de uma trilogia do início dos anos 2000 composta pelos títulos “Matrix” (1999), “Matrix Reloaded” (2003) e “Matrix Revolutions” (2003). Na história vemos um futuro distópico com a revolução das máquinas, onde o mundo que conhecemos é, na verdade, uma realidade simulada chamada Matrix, criada para aprisionar a mente dos humanos enquanto seus corpos são utilizados como baterias.

Matrix Ressurrections - Crítica

MATRIX RESSURRECTIONS (2021) | CRÍTICA

Dentro dessa simulação, o programador e hacker Thomas Anderson, que tem o apelido de Neo (Keanu Reeves), começa a ter alguns sonhos e se confrontar com algumas informações sobre Matrix, até descobrir ser O Escolhido para liderar o despertar dos humanos contra as máquinas. Orientado por Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), seu par romântico, fará parte de uma imensa e tecnológica rebelião. E acontece um final tanto chocante, quanto trágico. Neo, após perder Trinity, faz um acordo com o Deus Ex Machina e finaliza a guerra, tendo como preço matar seu vilão Agente Smith, um programa fora de controle que estava ameaçando todo o funcionamento do sistema. Para matá-lo, Neo se sacrifica… Mas cumpre sua parte do acordo, conseguindo o direito de liberdade para todos aqueles que quiserem se libertar da realidade simulada.

Matrix revolucionou uma geração. Com suas referências tecnológicas, filosóficas, religiosas e literárias, é possível encontrar fóruns de discussão até hoje sobre os temas do filme. E muitas questões ainda estarão em aberto! Ao abordar o poder da escolha do indivíduo, os filmes trabalharam consequentemente as várias formas de percepção de si e do ambiente à sua volta, logo também a respeito de sua interação com o meio. Você escolheria a pílula azul ou a vermelha? Seguiria o coelho branco? Bom, é sua decisão questionar e assimilar as verdades e destinos “designados” a você.

Sendo assim, com o anúncio de que agora, 21 anos após o primeiro filme, Lana Wachowski traria um 4° filme da franquia, fiquei bem apreensiva e muito curiosa! Eu não tinha ideia dos caminhos por onde “Matrix Ressurrections” iria percorrer e, pra ser sincera, estava mundo interessada em descobrir essa abordagem agora que, basicamente, o que os primeiros filmes previram aconteceu… Nós somos reféns das máquinas. A explicação para o retorno de Neo e Trinity também foi um grande suspense que eu preferi manter, não assistindo nem o trailer. Logo, minha surpresa foi encontrar no cinema não mais um filme com pretensão de ser revolucionário e travar mentes, mas sim de homenagear e revisitar a trilogia anterior. Minha adolescente de 2000 agradece.

Filme Matrix Ressurrections

“Matrix Ressurrections” mostra o programador de sucesso Thomas Anderson (Keanu Reeves), já mais velho, muito conhecido pelos seus famosos jogos “Matrix”. No café que frequenta, observa à distância a casada e mãe Tiffany (Carrie-Anne Moss). Paralelamente, temos Bugs (Jessica Henwick), a capitã de uma equipe de resistência à prisão mental das simulações sobre os humanos, muito ligada às histórias e tradições do passado. Inclusive, ela tem a mesma tatuagem do coelho branco de Alice no País das Maravilhas que Trinity também tinha no braço. Bugs começa a perceber nessa nova Matrix que estão vivendo, a presença de alguns códigos antigos, ainda que bastante neutralizados por pílulas azuis. Ela então será a responsável por iniciar um novo despertar. No entanto, agora estão em contexto completamente diferente…

Como era de se esperar, vivemos uma realidade de total submissão às máquinas hoje em dia e isso não passou despercebido, apesar de não ter sido o foco principal do filme. Em um encontro com a nossa já conhecida capitã Naiobi, agora chefe da nova cidade de resistência chamada IO, ela informa a Neo que os humanos pararam de querer se libertar das máquinas e acharam mais cômodo viver na Matrix, ainda que as coisas não sejam de fato “reais”. Encontraram certo conforto nessa realidade virtual e não existem mais guerras e nem confrontos. Inclusive, ela ressalta ter encontrado algumas formas de trabalhar em cooperação com as máquinas, abordando trabalhos realizados em conjunto na sua cidade. Ela mostrou a ele que dessa forma encontrou a tranquilidade do silêncio, o conformismo. Eu, que esperava um belo e sonoro “EU AVISEI” da Wachowski, fiquei bem admirada e achei que ela pegou leve com a nossa geração.

E se o confronto com as máquinas saiu de cena, o que entrou? O romance. É, “Matrix Ressurrections” é uma grande jornada emocional, onde retira-se toda a questão da escolha, tratada nos filmes anteriores, e passa-se a buscar a verdade que está dentro de você. Neo e Trinity se completam, formam uma profecia, foram reconstruídos pelas máquinas ao final da revolução com o objetivo de gerar energia de forma diferenciada e ainda nunca vista, simplesmente por estarem perto um do outro, e assim tiveram suas mentes aprisionadas mais uma vez na nova Matrix. Mas Neo agora despertou e deseja ter ela de volta… Só que ela precisa querer.

Eu achei o filme ótimo! Sensacional, eu diria. Talvez eu tenha me sentido um pouquinho incomodada com a atualização de alguns pontos do filme, seguindo os modelos atuais, como a inclusão de diversos alívios cômicos semelhantes ao universo Marvel. Mas também, nada chocante. É importante partir do princípio de que estamos falando de um filme que homenageia e reorganiza o que conhecemos de Matrix. Agora, nem tudo que é novo é ruim, pois a inclusão feita ao elenco foi sensacional.

Keanu Reeves como Neo

Jonathan Groff e Neil Patrick Harris roubam a cena e mostram quão bons atores eles são. Mereciam, inclusive, muito mais tempo de tela (principalmente o Groff, que só faz algumas presenças de impacto). Jessica Henwick e quase todo o elenco de Sense8 (série da Netflix também escrita pelas irmãs Wachowski), trouxeram bastante jovialidade e agilidade para as cenas de ação. Ainda não entendi o motivo de Laurence Fishburne não ter sido convidado para retornar e sua troca por Yahua Abdul-Mateen II para viver Morpheus, mas gostei do personagem. Priyanka Chopra era minha grande aposta e acabou sendo minha grande decepção… Mas a culpa não foi dela. Eu esperava tanto da Sati desde aquele final de “Revolutions”. Fiquei frustrada com a participação dela no contexto todo.

Enfim, fãs de Matrix já devem estar à postos neste momento para ir ao cinema, e o que eu posso dizer é: vão amar ou odiar. Não tem meio termo. Se forem esperando uma trama filosófica, repleta de questionamentos, revisitando antigas teorias do passado, vão ficar frustrados. Se forem de coração aberto, abraçando a nostalgia, se entregando ao “poder” do romance e dos novos personagens, vão se divertir bastante com a nova história e relembrar um gostinho do passado. E talvez, quem sabe, fiquem com a esperança de uma continuação… Nunca se sabe!

Ah, entrando de vez na “era atual”, Matrix Ressurrections tem uma cena pós-créditos, ok?!

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2 Comentários

  • Alex
    dezembro 31, 2021

    Mana, muito bom texto.
    Só uma ressalva: a tatuagem de coelho branco era de DuJour, não de Trinity.

    Vida longa ao site!

    Felicidades a todxs!
    Feliz 2022!

  • Walter
    dezembro 26, 2021

    Eu fiquei aliviado ao ver que “Ressurrections” não teve a pretensão de ser revolucionário e acabar caindo no erro de “Reloaded” e “Revolutions”. Gostei muito. Mas ele pede um “Matrix 5”, para não se tornar uma história rasa demais, bem abaixo do que é característico da franquia.

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