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UMA BRUXA NO TEMPO – CONSTANCE SAYERS | RESENHA

15 novembro, 2021 por

Uma Bruxa no Tempo é o romance de estreia da autora estadunidense Constance Sayers, que acaba de chegar ao Brasil pelas mãos da Editora Trama, um selo da Editora Ediouro, focada em thrillers e fantasias.

Título: Uma Bruxa no Tempo
Autora: Constance Sayers
Tradução: Carolina Selvatici
Ano: 2021 – Páginas: 416
Editora: Trama
Classificação indicativa: 18+
Aviso de conteúdo: Rituais, Pedofilia, Estupro, Suicídio, Uso de drogas, Uso de Álcool, Agressões, Abusos psicológico e físico, Aborto.
Nota: 4/5
Gênero: Fantasia

Vamos conhecer Helen Lambert, uma empresária que vive em Washington, e acabou de se separar do marido, Roger, curador de um museu. Eles tinham uma vida feliz, estavam há muito tempo juntos, mas Roger estava obcecado com a Coleção Hannover, voltado para pinturas francesas e americanas, além de uma sessão de fotografias. Difícil competir …

Helen quer seguir em frente, e topa um encontro às cegas proposto pelo amigo Mickey, e conhece Luke Varner. Ele não parece fazer muito o tipo de Helen, mas os dois começam a conversar, até que chegam num momento bem bizarro: Luke insiste que a conhece há anos, na verdade, desde 1895.

Claro que ela não acredita, e Luke a leva para passear pela coleção Hannover. Param em uma das pinturas, intitulada Juliete, datada de 1896, obra de um pintor francês chamado August Marchant. Luke insiste que a menina retratada é Helen.

É assim que passado e presente começam a se mesclar. Helen passa a ter lembranças de vidas passadas enquanto sonha, e começa a acreditar que esteja enlouquecendo – afinal, é a explicação mais lógica, não é? Acontece que esses sonhos são tão reais! Como se ela pudesse sentir o cheiro, as texturas de suas vidas anteriores.

Uma Bruxa no Tempo - Carolina Selvatici

A primeira delas é Juliette LaCompte, uma jovem camponesa de 16 anos, que mora com os pais e os irmãos no interior da França. August Marchant é um vizinho que passa os verões no interior, conhecido pintor, que se encanta pela menina – pois é, já começamos bem errado, não é Marchant?

Ele faz pinturas de Juliette desde bem jovem, mas é casado e sua esposa está grávida. Juliette está prometida em noivado ao filho de um fazendeiro vizinho, mas ela não está feliz com esse acordo.

A mãe de Juliette é uma bruxa. Quando ela descobre o caso da filha com o pintor, fica completamente enfurecida e apavorada – só entenderemos os motivos bem ao final, e faz um feitiço, amaldiçoando Marchant e causando um aborto na menina. O feitiço é feito num momento de raiva, impulsivo e cheio de erros, e as consequências moldarão a vida da família.

“Você foi meu maior erro. Guardei um esboço de você no meu ateliê. Ele me faz lembrar da loucura do homem, da minha loucura.”

Uma Bruxa no Tempo - Carolina Selvatici

Juliette é encaminhada para Paris, onde se torna uma pianista prodígio, mas sempre em busca de seu primeiro amor.

As próximas vidas a serem lembradas são de uma atriz na Hollywood dos anos 1930 – Nora, e uma estrela do rock da década de 1970, Sandra. Luke é uma presença constante em todas as vidas, e entender o caminho percorrido por cada uma de suas versões vai ser imprescindível para buscar uma solução para a maldição. Mas, ela está ficando sem tempo…

“Eu realmente acredito em maldições. Acho que estão por toda parte.”

Eu estava muito ansiosa para ler Uma Bruxa no Tempo, que me pegou pela capa e pela sinopse. A premissa do livro prometia muito.

A história gira em torno das vidas de Helen, que não sabe que vive uma maldição e não tem memórias das vidas passadas… até que tudo desaba de uma vez. As lembranças dela vêm em ordem cronológica, e vamos descobrindo junto com a protagonista como surgiu a maldição, e qual o padrão que ela tece em volta dos personagens. Cada uma de suas vidas passadas têm uma história distinta, ainda que carreguem habilidades aprendidas nas vidas anteriores, e que surgem com muita especulação – afinal, Juliette era um prodígio no piano, e todas as suas versões guardam essa memória musical.

Mas vou começar pelos gatilhos: são muitos, sem aviso, e muitos deles desnecessários. A começar pela pedofilia, que não recebe nenhuma discussão nas vidas posteriores de Helen: quando tudo começou, Juliette era uma menina de 16 anos que foi envolvida por um homem mais velho – não há definição da idade dele, mas já é casado e pai. Todas as cenas em volta de Juliette são tensas!

O ritual que a mãe faz é bem gráfico, e as cenas são escatológicas e terminam com mais um gatilho. Os motivos até então apresentados eram muito fracos, mas são melhor expostos ao final – ainda assim, não convencem. Há ainda agressões e estupro. Imagino que a vida de uma garota na França do final do século XIX deveria ser bem difícil, e mesmo que entenda que algumas das agressões sofridas por ela construíram seu caminho, achei muitas delas desnecessárias.

A fantasia é pouco explorada, menos ainda os poderes de Helen, que se descobre uma bruxa, mas que pouco faz verdadeiramente com seus poderes. Sandra é quem mais utiliza dos dons, mas o capítulo dela é a narração da terceira vida da protagonista: eu já estava cansada dos eventos cíclicos, e é o capítulo mais longo do livro. Interminável.

Ao final, a autora consegue amarrar todos os acontecimentos e eventos, mas tem uma solução fácil para um problema que nunca foi de fato o foco da trama. Ao menos, para mim.

Ainda assim, a escrita é fluida e, à exceção dos gatilhos, foi fácil ler. A curiosidade era grande para descobrir o que aconteceu e como Helen tentaria escapar da maldição.

“Não é natural testemunhar tantas mudanças radicais provocadas pelo tempo.”

Livro Uma Bruxa no Tempo - Carolina Selvatici

Uma bruxa no Tempo tem um romance fofo, que poderia ser mais explorado para que conseguisse acreditar nele. Precisava aprofundar mais o relacionamento dos dois personagens, mas ela passou muito por alto. Torci pelos dois, acreditando que talvez a autora buscasse por outro caminho. Achei que a saída encontrada pela autora foi conveniente demais!

“(…) quando a pele dela encontrou a dele, ela sabia que não era a primeira vez que se despedia dele. Essa tristeza era como uma marca nela.”

Gostei das descrições das épocas em que a protagonista viveu. Consegui me ver passeando por vielas e pontos turísticos de Paris, me vi na fazenda onde Sandra viveu, e acompanhar a Hollywood de Nora foi nostálgico. A autora pesquisou bastante para retratar épocas tão distintas. O livro é recheado de referências ao cinema, arte, música e fotografia.

Uma bruxa no Tempo fala muito de música: Juliet é pianista e passa esse talento para Nora, que vira compositora. E, por fim, Sandra faz um disco com todas as músicas que ela se lembra (as composições da Nora). Por conta disso, a autora criou uma playlist com vinte músicas no Spotify.

Se você é um leitor que quer começar a ler fantasia, ou mesmo se é um leitor assíduo do gênero, mas não se importa com discrepâncias na trama, Uma Bruxa no Tempo é para você.

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