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HEARTSTOPPER: DOIS GAROTOS, UM ENCONTRO – ALICE OSEMAN | RESENHA

22 novembro, 2021 por

Heartstopper: dois garotos, um encontro é uma série de Graphic Novels da autora Alice Oseman, lançada no Reino Unido como uma webcomic e vem conquistando o público desde 2016, e chega ao Brasil em uma edição primorosa pelas mãos da Editora Seguinte – selo jovem da Companhia das Letras. Já é um sucesso no mundo todo, e tem uma adaptação confirmada pela Netflix.

Título: Heartstopper, Dois garotos, um encontro
Autora: Alice Oseman
Tradução: Guilherme Miranda
Ano: 2021 – Páginas: 288
Editora: Seguinte
Classificação indicativa: + 12 anos
Aviso de conteúdo: Bullying
Nota: 4,5
Gênero: Jovem adulto/HQ
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Vamos acompanhar dois adolescentes. Primeiro, Charlie – esteja pronto para se apaixonar por ele… é um garoto tímido, nerd, que está no primeiro ano do ensino médio e que passou um momento bem estressante, lidando com muito bullying quando se assumiu homossexual. Tem uma família que o apoia, e poucos, mas fiéis amigos. Logo nas primeiras páginas, vamos encontrá-lo com Ben, um colega com quem tem um relacionamento, mas que não tem coragem de assumir perante a escola – mas que não se furta de mostrar a ‘namorada’ para todos.

HEARTSTOPPER, DOIS GAROTOS, UM ENCONTRO – ALICE OSEMAN

O outro garoto é Nick, o típico atleta das história: está no segundo ano, um dos líderes do time de rúgbi, e rodeado de amigos – todos definitivamente heterossexuais. Não tem namorada, mas paira um amor não resolvido do passado.
Os dois estão em uma mesma turma de uma das disciplinas, e acabam formando uma dupla nestas aulas. Charlie está pronto para ser importunado pelo colega grandalhão, mas se surpreende com o tratamento tranquilo e sem preconceitos de Nick.

Durante o treino de rúbbi, Nick vê Charlie correndo, e sugere o nome do colega para integrar o time, já que estão com falta de jogador. Claro que os colegas duvidam que um menino franzino e gay possa integrar o time, mas o carisma de Nick fala mais alto, e Charlie é convidado.

É assim que os dois começam a passar mais tempo juntos, e vão descobrindo que possuem gostos e interesses em comum. A conversa entre os dois flui muito bem, e começam a ansiar por encontrar o ‘melhor amigo’ não só na escola. Até que eles percebem que a amizade está num limite: Charlie sabe que gosta de Nick, mas entende que ele é hétero, e teme perder o amigo. Já Nick não consegue entender a própria sexualidade, pois sempre achou que só se interessava por garotas, e esse sentimento por Charlie é desconhecido e parece contrapor a forma como sempre se conheceu.

“Não dá para dizer que alguém é gay só pela aparência. E gay e hétero não são as únicas possibilidades.”

Os amigos dos dois também estão desconfortáveis: os de Charlie, por medo dele se ferir, pois é difícil acreditar que o atleta da escola não queira no fundo tirar sarro dele; os amigos de Nick não entendem como ele pode gostar de passar tanto tempo ao lado de um garoto gay.

Charlie e Nick conseguirão dar um próximo passo? A amizade vai superar uma desilusão? É possível ser amigo de quem se gosta?

Não leio muitas histórias em quadrinhos, mas eu me apaixonei de cara pelo traço da autora logo na capa – além de ser uma edição belíssima. Mas me encantei ainda mais ao ler: as cores, as expressões faciais, a cachorrinha do Nick!
O Charlie passou pelo bullying de uma forma muito madura, não se escondeu de qualquer experiência. Uma construção tão real que queria dar um abraço nele. A família também é maravilhosa. Amei a Tori, irmã mais velha, estava sempre sacando o que estava acontecendo, e torcendo pelo irmão.

HEARTSTOPPER, DOIS GAROTOS, UM ENCONTRO – ALICE OSEMAN

O Nick também é muito fofo. Impossível não shippar os dois, porque os olhares já entregam tanto! E os conflitos do Nick tocam bastante – ele está confuso e só, nessa autodescoberta. Não entende seus sentimentos e como levar adiante essa relação.

Heartstopper: dois garotos, um encontro é uma história sobre amizade: Charles e Nick se entendem, se protegem e se gostam. Não deixam o preconceito diminuir nem mesmo o toque que se permitem – garotos heteros geralmente ficam cheios de dedos para abraçar um gay. Nick nem se intimida, inclusive em frente dos amigos.

Mas também é sobre um amor que vai desabrochando devagarinho… e é uma tensão que dá vontade de voar em algumas páginas – fiz isso, mas voltei para apreciar com calma todos os detalhes dos quadrinhos.

Mesmo que o bullying e o preconceito sejam intrínsecos da vida de Charlie, não são apresentadas cenas pesadas, só menção do que ele passou quando se declarou homossexual – daí poder ser lido por pré-adolescentes.

Toda a discussão passa justamente pelas incertezas da adolescência, uma idade de descobertas e muitas dúvidas, sobre como nos importamos sobre a forma que somos vistos, em que precisamos ser aceitos pelos amigos e/ou grupos. Mas é assim mesmo, toda essa confusão é normal, desde que tenhamos o apoio da família e de quem amamos. Acho que todos os sentimentos que a estória desperta aquece o coração e por isso fez tanto sucesso!

Heartstopper está em uma edição caprichada – não me canso de repetir: capa dura, páginas em um papel encorpado, ficha dos personagens ao final, além de uma explicação da autora sobre o desenvolvimento dessa estória: Charlie e Nick nasceram secundariamente no primeiro livro da autora – Um ano solitário. Charlie é o irmão mais novo da protagonista, Tori.

Heartstopper: Vol. 1 é uma história de ler sorrindo, sentindo aquelas velhas conhecidas borboletas noestômago, de se lembrar do primeiro amor, uma leitura gostosa e de deixar mesmo o coração quente. É jovem, representativo e viciante! O traço é tão lindo que mesmo as cenas sem diálogos jorram os sentimentos.

Mas, recomendo ler com o segundo em mãos que, felizmente, foi publicado junto com o primeiro.

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5 Comentários

  • Leticia
    dezembro 31, 2021

    Heartstopper Também foi meu primeiro com a Alice Oseman, eu ate tenho dois outros livros dela, mas acabei que nunca li, porem fiquei feliz de ter começado por essa Hq, ela é tão fofinha que já quero a segunda para ontem.

  • Izabel Souza
    dezembro 17, 2021

    Esse livro foi planfetado por uma amiga para mim. O que mais me chama atenção em livros do gênero é a abordagem da homossexualidade que sempre consegue atingir uma grande camada de jovens, tendo um efeito maior sobre a recepção do assunto tanto pessoalmente como no ambiente em que vive. Ver um amor tão puro crescer certamente acalenta a alma, e traz uma perspectiva nova sobre os problemas que um casal lgbtqia+ passa tanto ao se assumir quanto ao começar um relacionamento. Recomendo também livros nacionais como os da autora Vi Duquina que se dedica a escrita voltada para a representatividade do público lgbtqia+ assim como para todos os leitores interessados.

  • Raquel
    dezembro 17, 2021

    Normalmente nerd + atleta (popular) rende boas narrativas aaaaah que resenha maravilhosa já quero lê!

  • Larissa Ribeiro
    dezembro 17, 2021

    Esse é um livro que tenho muita curiosidade para ler, agora com essa resenha já vou logo comprar. Arrasou!

  • Ana Lins
    dezembro 14, 2021

    Amei seus comentarios ja estou super a fim de ler . Amei sua escrita ja salvei o site como favoritos.

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