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DUNA – FRANK HERBERT | RESENHA

18 outubro, 2021 por

Duna é um clássico da ficção científica, escrito em 1965 por Frank Herbert, primeiro vencedor do Prêmio Nebula, e conquistou também o Hugo Award, sendo o livro do gênero mais vendido no mundo e que segue influenciando muitas obras até hoje. 

DunaTítulo: Duna
Autor: Frank Herbert
Tradução: Maria do Carmo Zanini
Ano: 2017
Páginas: 680
Editora: Aleph
Classificação indicativa: 16+
Aviso de conteúdo:  Pedofilia, violência sexual
Nota: 4,5 ❤
Gênero: Ficção Científica

Duna se passa há milhares de anos à frente do nosso tempo (as datas usadas falam do ano dez mil, mas o livro não especifica o marco de referência), quando os seres humanos conquistaram o universo. É uma sociedade que se sustenta em quatro pilares: tem o poder centralizado nas mãos do Imperador, que comanda as Casas Nobres, cujas famílias revezam o domínio sobre planetas específicos; uma Guilda Espacial, que monopoliza as viagens espaciais e quem detém o comércio e consequentemente, a economia; e uma ordem de mulheres com poderes e objetivos obscuros, conhecidas como Bene Gesserit.

Duas dessas casas são mais importantes para a trama: Os Atreides, que habitam o planeta de Caladan, e os Harkounnen, responsáveis pelo planeta de Arrakis, um lugar desértico, e por isso também conhecido como Duna, único lugar onde se extrai Melange. Essa é uma substância com uma importância crucial para o Império e, portanto, quem detém a extração, detêm um grande poder. Tudo porque essa substância aumenta a percepção das pessoas, aumenta a longevidade e é o que possibilita as viagens espaciais.

DUNA – FRANK HERBERT

O Imperador, não se sabe com quais intenções, decide trocar o comando de Arrakis, e a família Atreides está a caminho de sua nova residência. O Duque Leto Atreides e seus aliados percebem que há alguma pegadinha nessa substituição, mas não pode negar a sugestão do Imperador sem causar uma crise política, e acata a mudança, levando toda a sua família – a esposa Jessica e o filho Paul, e todo o círculo Atreides.

Nenhum desastre mais terrível poderia acontecer ao seu povo do que cair nas mãos de um herói.

Mas Arrakis tem mais que a especiaria. Há uma população residente, conhecidos por Fremens, que aprenderam a respeitar as adversidades impostas por um planeta desértico: não admitem desperdício de água. Toda a sociedade Fremen foi construída em torno dessa necessidade. Inclusive, construíram uma roupa que recicla a água perdida pelo corpo, seja através do suor, da urina, da respiração – o trajestilador. Além disso, as dunas de Arrakis são o habitat de um verme de tamanho colossal (chamados de Shai-Hulud pelos fremen), capaz de engolir inteiras as máquinas de extração da especiaria. Os Fremens têm lendas e profecias sobre um salvador, o tão esperado Muad’Dib, que unirá os povos dentro e fora de Duna.

Mapas do livro

O protagonista dessa história é Paul Atreides, o único filho do Duque Leto, e de Jessica, uma Bene Gesserit. O pai o ensinou desde muito cedo a arte do combate, e a mãe, ignorando a ordem de seu clã – que há inúmeras gerações vem moldando um aperfeiçoamento genético, o treinou para ser um mentat. Essa sociedade aboliu qualquer forma de tecnologia que simulasse a mente humana, mas algumas pessoas treinam seu raciocínio de tal forma que conseguem processar uma grande quantidade de dados e conseguem apontar cenários de acordo com suas análises. Tudo isso leva a suspeita, entre as Bene Gesserit, que ele pode ser o profetizado Kwisatz Haderach, que os Fremens chamam de Muad’Dib.

Então, a jornada de Duna é a jornada de Paul no planeta Arrakis, palco de intrigas, traições, guerras, vingança, com um herói que é mais fabricado para se encaixar em profecias que o escolhido propriamente dito, uma inversão da típica jornada do herói, mas ainda assim com muitos dos elementos presentes.

Eu não devo temer. O medo é o assassino da mente. Medo é a pequena morte que traz obliteração total. Enfrentarei o meu medo. Vou permitir que passe por mim e por mim. E quando  ele tiver passado, voltarei o olho interno para ver seu caminho. Onde o medo foi, não haverá nada. Só eu ficarei.

Tão difícil não ser prolixa com Duna, porque é uma obra tão grandiosa, com tantas discussões, mas vou tentar encurtar.

Primeiro, é necessário entender a época que Duna foi escrito – 1965, quando se discutia até que ponto nossa sociedade caminharia, tão dependente de petróleo – uma economia mundial baseada num recurso que fica na mão de poucos, e cuja disponibilidade parecia próxima do fim. Frank Herbert já alertava para a necessidade de buscarmos fontes renováveis de energia… O petróleo virou o Melánge.

Duna traz muitas questões ambientais. Há a figura do planetólogo, conhecido também por ecólogo, cujo representante em Arrakis tinha ideias muito interessantes, aprendidas com seu pai, sobre a possibilidade de fixar água no planeta. Tanto é que há um apêndice só sobre a ecologia de Duna. E, claro, muitas reflexões sobre escassez de água!

Além disso, há uma crítica fortíssima ao ‘mito’, ‘messias’, aquela figura cultuada de tal forma que as pessoas ficam cegas – olha que sincronia… Ele se referia a falsos líderes, e no perigo de colocar tanto poder nas mãos de pessoas erradas, que ficam cegas pelo poder. Por isso mesmo há uma forte sugestão para se desenvolver um raciocínio crítico: mesmo que algumas verdades pareçam inevitáveis, o questionamento é saudável e libertador.

“– Quando a religião e a política viajam no mesmo carro, os condutores acreditam que nada é capaz de ficar em seu caminho. (…) Deixam de pensar nos obstáculos e esquecem que o precipício só se mostra ao homem em desabalada carreira quando já é tarde demais.”

E Paul prevê uma guerra santa, uma jihad, em seu nome. Por conta dessa previsão, ele caminha com muito cuidado, tentando a todo momento evitar o caminho da idolatria.

Duna é um clássico da ficção científica, escrito em 1965 por Frank Herbert, primeiro vencedor do Prêmio Nebula

É um calhamaço, o primeiro livro de uma série de seis livros, que pode assustar o leitor – principalmente se você não está acostumado a ler ficção científica. E, apesar de entender que as primeiras cem páginas possam causar estranheza, acredito que todos podem ler sem medo. O contexto é apresentado aos poucos, o que permite ir se familiarizando com os termos. Há um glossário ao final do livro, mas eu optei por ler sem ficar a todo momento procurando a explicação, até que tudo vai se tornando compreensível. É um livro denso e carregado de reflexões, e isso não vai agradar a todo mundo.

É chocante descobrir quantas pessoas não acreditam que podem aprender, e quantas outras acreditam que aprender é difícil.

Ainda assim, posso afirmar que a trama é tão bem amarrada, mesmo que em alguns momentos se torne cansativa pelos detalhes e descrições, mas que são imprescindíveis para o desenvolvimento da história. Ainda, mesmo que também traga mais algumas interrogações, os capítulos se iniciam por trechos retirados de uma espécie de escritura dos fremen, e que vai causar espanto quando você descobrir quem assina essas escrituras.

Lembra que comentei no início sobre a influência do livro? Você vai encontrar analogias em obras que já são clássicos, incluindo Star Wars, Jogos Vorazes, Game of Thrones. Há quem afirme perceber nuances de Duna até mesmo em Harry Potter. O poder de destruir algo representa o controle absoluto sobre essa coisa.

Com a promessa de entregar um filme capaz de impressionar por sua cinematografia, atuações e efeitos visuais impecáveis, o filme é a adaptação da primeira parte do livro, com a missão de conquistar expectadores que não sejam apenas os leitores de Duna, e cuja missão, portanto, será de viciar a maior quantidade de pessoas possível, para que os olhos azuis se espalhem e sejam a promessa de Duna – parte 2.

E para coroar esse livro, estamos as portas da mais nova adaptação, agora nas mãos de Denis Villeneuve (“Blade Runner 2049”) coescreve o roteiro junto a Eric Roth (“Tão Forte e Tão Perto“) e Jon Spaihts (“Doutor Estranho”), trazendo no elenco Timothée Chalamet (Paul Atreides), Rebecca Ferguson (Lady Jessica Atreides), Oscar Isaac (Duque Leto Atreides), Zendaya (Chani), Stellan Skarsgard (Barão Vladimir Harkonnen), Javier Bardem (Stilgar), Charlotte Rampling (Reverenda Madre Gaius Helen Mohiam), Josh Brolin (Gurney Halleck), Dave Bautista (Glossu Rabban, a Besta), Jason Momoa (Duncan Idaho), Chang Chen (Dr. Wellington Yueh), David Dastmalchian (Piter De Vries), Stephen McKinley Henderson (Thufir Hawat) e Sharon Duncan-Bewster (Dra. Liet Kynes) – aí inclusive uma alteração da história original, já que Kynes é um homem no original.

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6 Comentários

  • Ana Campos
    outubro 18, 2021

    Estou super ansiosa para a estreia do filme, tem algum tempo que li o livro, muito bom relembrar ele através dessa resenha, amei!

    • Maisa Carvalho
      novembro 22, 2021

      Que bom que gostou, eu achei a adaptação bem fiel.

  • Ana Carolina
    outubro 18, 2021

    Duna é um livro extenso e muito rico de informações, mas vale a pena. Sua resenha conseguiu explicar muito bem a extensão que é Duna e nos deixar contextualizados na história. Ficou ótimo

    • Maisa Carvalho
      novembro 22, 2021

      Que bom que gostou, eu tenho muito carinho por essa saga.

  • Deybiane
    outubro 18, 2021

    Estou muito curiosa pra vê esse filme e quem sabe futuramente ler o livro, ótima resenha

    • Maisa Carvalho
      novembro 22, 2021

      Obrigada, espero que goste do filme!

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