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LENDÁRIOS – TRACY DEONN | RESENHA

24 setembro, 2021 por

Lendários é a estreia da autora estadunidense Tracy Deonn que foi indicado ao Hugo Awards e já conquistou o Coretta Scott King/John Steptoe para Novos Talentos, uma premiação que visa autores afro-americanos, sendo o mais novo lançamento de fantasia urbana da Editora Intrínseca.

LendáriosTítulo: Lendários
Autora: (Tracy Deonn) Tradução: (Jim Anotsu)
Ano: 2021 – Páginas: 592
Editora: Intrínseca
Gatilhos: Luto, racismo, saúde mental
Classificação indicativa: +14 anos
Gênero: Fantasia
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Nossa protagonista é a Briana Matthews, uma adolescente de 16 anos que acabou de perder a mãe de uma forma muito repentina e, para deixá-la ainda pior, depois de uma discussão muito dura. Tudo porque Bree quer participar de um programa de entrada universitária na mesma Universidade onde a mãe estudou, mas ela não quer a filha lá. Entretanto, esse fim trágico da mãe acaba sendo decisivo para Bree partir para a Universidade da Carolina do Norte, um sonho dela e da melhor amiga, Alice.

Apesar das regras rígidas, Bree e Alice vão participar, já na primeira noite, de uma festa fora do campus, correndo o risco de serem pegas e expulsas do programa. O que Bree não esperava era topar com magia… quando os alunos são levados a sair do local, ela vê dois jovens combatendo um demônio. Até que um deles tenta apagar a memória sobre esses acontecimentos. Mas Bree é resistente à magia, e então fica obcecada por entender o que está acontecendo no campus, para saber se sua mãe – que estudou na UCN há mais de 20 anos, tinha conhecimento do que acontecia por ali, e se era esse o motivo de sua resistência em deixar a filha estudar lá também.

LENDÁRIOS – TRACY DEO

Buscando respostas para o que viu, Bree acaba encontrando uma sociedade secreta, o que não seria nada demais, já que essas sociedades/irmandades são comuns nas universidades estadunidenses A diferença é que essa sociedade está ligada aos descendentes do Rei Arthur e seus cavaleiros da Távola Redonda. Além de uma organização complexa, que envolve os descendentes diretos, escudeiros, tem também aqueles que se ligam por conta do status, e todos eles vêm de uma linhagem que remonta há muitas, muitas gerações. Como se fosse pouco, é função dessa sociedade evitar que os demônios se tornem problema para os primavidas, ou pessoas comuns – como eu e você.

Em sua busca para entender a magia, Bree se alia a um garoto que foi designado seu tutor, mas que pertence à essa sociedade, ainda que tenha renunciado a seu lugar na organização. Mas, para ajudar Bree, e na verdade acreditando que ela pertença à ordem, já que consegue ver os demônios e resiste ao encantamento, Nick vai descobrir que sua tutorada não desiste de buscar as respostas que tanto a incomodam e, ainda, vai descobrir uma força ancestral que pode ser o fator determinante para Camlann, uma guerra que se aproxima entre magos e demônios. Bree terá se decidir como usará sua força…

“- Hum… como você pode ser tão sábia?
– Eu leio muitos livros.”

Quote LENDÁRIOS

Eu adoro recontos cuja premissa sejam as lendas Arthurianas, e por isso Lendários estava no meu radar há algum tempo. Sendo assim, tão logo foi publicado fiz questão de ler. Entretanto, mesmo que entendesse a premissa, não estava nem de longe preparada para essa história.

Bom, comecemos por nossa protagonista – Bree é uma adolescente negra. Poucos livros que chegam às minhas mãos trazem protagonistas negros e, em alguns casos, até são negros, mas não há muito além de mencionar que esses personagens sofrem com o racismo. Ou até mesmo livros em que todos os personagens são negros, e suas lutas e magias – estando em um mundo majoritariamente negro, também apresente essa discussão. Pareço confusa? O quero reforçar é que as camadas acerca do tom de pele de Bree são infinitamente mais profundas.

 

“Clamo por aqueles corpos cujos nomes eu fui ensinada a esquecer. E clamo pelas linhagens não celebradas que encharcam o solo sob os meus pés, porque sei, simplesmente sei, que elas clamariam por mim se pudessem.”

AUTORA TRACY DEO

Ela sofre, sim com algumas falas bem óbvias para afrodescendentes, do doloroso “está aqui por conta de cota”, ou “meu filho teria mérito para estar aqui, mas a vaga dele foi para a cotista”, até a velha classificação da pessoa negra como funcionária. As cenas em que a Bree se confronta com suas raízes em contraposição às raízes dos dourados descendentes da Távola Redonda são de deixar a pele arrepiada. Admito que eu não tinha parado para refletir muitas das situações, acima de tudo quando se fala de ascendência, de conhecer efetivamente nossas raízes.

Além disso, temos uma personagem que é muito real. Bree é uma adolescente vivendo o luto de uma forma muito profunda, de tal forma que eu não me simpatizei com ela logo de cara. A forma como ela vivenciou o luto pareceu cansativo, e a autora faz um trabalho sensacional ao apresentar o transtorno do luto complexo persistente, uma adição relativamente recente ao Manual diagnóstico de doenças mentais – foi só ao ler as notas da autora que entendi que esse é um problema de saúde mental, e assim me conectei de vez à Bree.

“Reconheço aquele som. É o som de alguém se segurando na beira do abismo com as unhas. O som de quase não conter uma dor tão imensa que vislumbrá-la, erguer a própria carne e examinar o que há por baixo, é se arriscar a cair numa escuridão de onde não se escapa nunca.”

LENDÁRIOS – TRACY DEON

Em Lendários os personagens secundários são ótimos – mesmo que tenha começado odiando um ou outro, foi muito legal ver o acolhimento à Briana. O Nick é um deles, um personagem completamente solar, que encanta fácil, e que se conecta – talvez rápido demais, mas ainda assim paciente e leal. Sel é o oposto, um personagem mais da noite, taciturno, rabugento, desconfiado, mas que me trouxe boas surpresas. E tem uma fala… amei! Gosto da Alice, ela é daquelas amigas que não se prendem em dizer na cara o que pensam, amiga verdadeira, e que vai ser bem importante para a Bree – bem como o pai dela, que percebe que a filha não está bem, buscando ajuda com terapia.

Enfim, Lendários é um calhamaço, que li em três dias – falhei miseravelmente com a leitura conjunta: uma leitura fluida, sem enrolação, com tantas coisas acontecendo que era impossível parar… e com um plot final, que, putz, me fez voltar ao início do livro, já que a continuação só vai sair lá fora ano que vem, e eu espero que a Intrínseca não nos deixe esperando muito depois disso…

Se você gosta de fantasias urbanas, jovens, com uma pegada nas lendas Arthurianas, mas que trata de ancestralidade, de luto, magia, amizade, Lendários é para você!

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