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A TROCA – BETH O´LEARY | RESENHA

20 setembro, 2021 por

A Troca é o novo título da celebrada autora de Teto para Dois, Beth O’Leary, e que chegou na caixa de número 24 do Clube Intrínsecos, mas já está disponível em sua edição comercial pela editora Intrínseca.

Título: A Troca
Autora: ( Beth O’Leary ) Tradução: (Ana Rodrigues )
Ano: 2020 – Páginas: 352
Editora: Intrínseca
Gatilhos: Luto, violência doméstica, traição
Classificação indicativa: +16 anos
Gênero: Chick-lit / Romance
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Vamos acompanhar Eileen e Leena Cotton, duas mulheres com vidas muito diferentes, e que são avó e neta. Leena tem 29 anos, mora em Londres, num ritmo agitado, uma verdadeira Workaholic. Ela gosta do que faz, mas se lança com tanto afinco no trabalho para evitar pensar em seu luto após perder a irmã. Tem bons amigos e um namorado que leva uma vida tão frenética quanto ela. Entretanto, ela está prestes a ter um colapso.

Já Eileen, a avó, tem 79 anos, mora numa pacata cidadezinha no interior da Inglaterra, numa imagem enganosamente bucólica: apesar de ser uma vida diferente da agitação de Londres, Eileen tem uma agenda cheia pois, entre outras coisas, faz parte do Grupo de Patrulha do Bairro de Hamleigh, e na organização dos eventos do lugar. Além do luto pela perda da neta, ainda teve uma surpresa: o marido a trocou pela professora de dança. Está reflexiva sobre quais caminhos teria percorrido caso houvesse se mudado para Londres na juventude.

”Não sinto falta dele, mas às vezes sinto falta do conceito de um marido, alguém em que eu pudesse me apoiar para descer do ônibus, que poderia segurar meu guarda-chuva enquanto eu pagava pelo chá.”

Quando Leena quase estraga uma apresentação no trabalho para novos investidores, é obrigada a tirar dois meses sabáticos, uma licença remunerada para colocar a vida de volta nos trilhos. É assim que as duas acabam se propondo novos horizontes, e elas mudam uma para a casa da outra: Eileen vai atrás de seus sonhos da juventude em Londres, Leena vai para a cidade do interior, tentar se reencontrar consigo mesma e com sua mãe, já que estão vivendo uma relação estremecida há quase um ano.

Empolgadas, acabam trocando mais que o endereço pelos próximos dois meses: a agitada Leena renuncia ao notebook, smartphone, os amigos de Londres, e vai ter de assumir a agenda da avó. Eileen vai em busca de uma aventura amorosa, e logo abre uma conta num aplicativo de relacionamentos. Elas vão percorrer uma jornada autoconhecimento e reflexão.

”É assim que acontece com velhas amigas. Nos entendemos até quando não há palavras suficientes para tudo o que deve ser dito.”

Eu ainda não li Teto para Dois, mas sempre acompanhei as boas avaliações. Mesmo assim, acabei deixando essa leitura. Que arrependimento… Acima de tudo, é aquela leitura clichê que aquece o coração, e ainda divertido. Uma comédia romântica perfeita para uma adaptação.

As duas protagonistas enfrentam seus infortúnios de formas diferentes. Leena não consegue processar o luto, não se permitiu passar por suas fases, e joga todas suas angústias pela perda no colo de sua mãe. Eileen está atenta a filha, e fica angustiada porque a neta se distanciou tanto. Ao mesmo tempo, mesmo tendo ciência que o marido era um babaca, sente o que é se tornar uma mulher abandonada, e se permite viver na pele todas as emoções que suprimiu para ficar ao lado do marido. Consegue ser ativa, divertida, empática.

Inclusive, foram as narrações da Eileen que mais me cativaram. Ela é uma mulher experiente e que aos 79 anos, não quer renunciar a seus sonhos, nem de sua sexualidade. E é fã de Agatha Christie… como não se encantar por ela? Contudo, a autora traz uma discussão interessante, que é a inocência das pessoas da melhor idade ao se relacionarem com tecnologia. Eileen acredita em todos, mesmo aqueles a quem acabou de conhecer.

Já a neta… demorei muito a me conectar com ela. Achei meio egoísta, uma mulher meio mimada, que insiste em culpar a mãe pelas escolhas – se é que havia, da irmã. Entendo que ela teve de lidar até com uma possível Síndrome do Pânico, mas eu queria mesmo era a avó dela.

“Quando as pessoas falam sobre perda, sempre dizem que você nunca mais será o mesmo, que aquilo vai mudar você, que vai deixar um buraco na sua vida. E sem dúvida isso é verdade. Mas, quando perdemos alguém que amamos, não perdemos tudo o que essa pessoa nos deu. Ela deixa alguma coisa com a gente.”

A Troca me entregou uma Patrulha do Bairro que é deliciosa… um grupo de senhores e senhoras que eu queria ter como vizinhos, com personalidades múltiplas e que tem lá seus problemas também. São de uma geração que fazia vista grossa para os problemas – não são de meter a colher, e é nesse momento que a Leena finalmente brilha! Os personagens secundários que cercam Leena também são maravilhosos: Fitz, Martha e Bee se encarregam de mostrar a Eileen que a vida em Londres não é tão assustadora assim.

E temos romance também… Não é o principal, afinal, é realmente um livro sobre autoconhecimento, mas as duas protagonistas terão lá seus momentos de amorzinho. Um livro perfeito para quem quer se emocionar e sorrir!

Lembra que falei de adaptação? Pois bem, A troca teve os direitos adquiridos pela Amblin Partners, produtora liderada por Steven Spielberg. Rachel Brosnahan, vencedora do Emmy e do Globo de Ouro por sua atuação na comédia The Marvelous Mrs. Maisel, vai estrelar o projeto e, ao lado de O’Leary, atuar como produtora executiva. O roteiro será adaptado por Bekka Bowling (Lovesick) e a produção ficará por conta de Kristie Macosko Krieger (The Post – A Guerra Secreta e West Side Story).

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