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OS 7 DE CHICAGO | ALERTA OSCAR

21 abril, 2021 por

Os 7 de Chicago é um grande filme, marcante, enérgico e com um grande elenco à cabeça. Rivalizando, aliás, com A Vida Extraordinária de David Copperfield, para o melhor elenco do ano. Entre as 5 categorias do Oscar, incluindo de melhor filme, roteiro e ator coadjuvante para Sacha Baron Cohen.

E Sorkin é Sorkin. Com os seus diálogos galopantes, o olho para o detalhe, temos uma história provocadora que parece saída dos tribunais dos nossos dias, um retrato da administração de Nixon que podia ter sido muito bem de Trump, os 7 de Chicago é mais um triunfo disponível na Netflix.

Baseado numa história real, o filme se passa em 1968. O que deveria ser protesto pacífico contra a Guerra do Vietnã na Convenção Nacional do Partido Democrata se transformou em um dos mais violentos confrontos dos EUA com a polícia e a Guarda Nacional.

OS 7 DE CHICAGO

A procura de um bode expiatório, oito homens foram acusados pelo governo de conspiração, incitação à revolta e outras denúncias relacionadas aos protestos em Chicago.

Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen,) Tom Hayden (Eddie Redmayne,) Jerry Rubin (Jeremy Strong,) Bobby Seale (Yahya Abdul-Mateen II,) John Froines (Daniel Flaherty,) Rennie Davis (Alex Sharp,) David Dellinger (John Carroll Linch) e Lee Weiner (Noah Robbins), homens todos muito diferentes entre si e com diversas motivações.

Indiciados num julgamento que tomou proporções mundiais. O mote dos manifestantes em frente aos tribunais é “o mundo todo está assistindo”. É o típico filme de tribunal que reúne os atributos que mais nos prendem na cadeira. Ainda mais quando se trata de recontar uma história real e que levou tanto tempo para se desenrolar.

Política, injustiças, revolução cultural e social se cruzam em uma batalha ferrenha, aqui incorporada por um excelente elenco e ritmo. Mesmo com duas horas de duração, Os 7 de Chicago flui e acerta o seu tom de crítica.

Assim, o que poderia ser fonte de reflexão e mudança de pensamento no filme acaba sendo sufocado por uma pirotecnia (num sentido metafórico) que chama mais atenção para si do que o sentido relevante das falas e ações dos personagens. Mas o que fazer? Convenhamos: nos Estados Unidos tudo vira show business mesmo.

O filme inicia trazendo o contexto histórico da trama, com os assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy e a Guerra do Vietnã e logo nestes primeiros minutos já é possível notar um dos maiores destaques desta obra, a incrível mesclagem entre as imagens reais e as fictícias, que decorrem até o final .

Os oito (o título do filme fala sete porque Seale seria julgado separadamente) atores entregam seus personagens com paixão e convicção. Alguns já conhecidos do público, outros nem tanto, mas são ótimos.

As atuações de maior destaque vem de Mark Rylance, como o incansável advogado defensor dos 7, William Kunstler, de Yahya Abdul-Mateen II como Bobby Seale, o líder dos Panteras Negras preso injustamente, e o odiável juiz interpretado brilhantemente pelo veterano Frank Langella, capaz de toda e qualquer coisa a fim de manipular o sistema jurídico americano, para mostrar sua obediência ao atual presidente, levando o grupo ao tribunal por cerca de 151 dias.

Faltam-me palavras para elogiar o resto do elenco, que não perde qualquer oportunidade para abrilhantar o argumento provocativo de Sorkin, embebendo-o de uma atualidade quase assustadora.

Strong encontra uma grande sensibilidade em Jerry Rubin, num papel que podia muito bem ter servido apenas de comic relief, Mateen II e nos faz entender e apoiar a raiva que sente por ser arrastado para um processo que não é dele, Eddie Redmayne, muitas vezes criticado, encontra aqui o tom certo para um Hayden quase toldado pelo seu intelecto e sentido de superioridade, equilibrada por uma humanidade sincera.

Baron Cohen é fascinante no papel e Sorkin aproveita para colocar o ator num dos seus habitats naturais, o stand-up comedy, para avançar com a narrativa, mas a performance do ator só torna a espera por Borat 2 ainda mais dolorosa.

A linha do tempo dos acontecimentos leva cerca de sete anos. Se dissecarmos o filme por partes vemos ainda uma boa fotografia, ótimos figurinos, belas atuações, um roteiro bem estruturado e envolvente.

O filme não é apenas a narração de uma história antiga, mas sim uma reflexão sobre como mesmo depois de 52 anos, nossa sociedade mudou pouco ou quase nada, e em como vários fatos ainda se encaixam perfeitamente com o contexto atual não só dos Estados Unidos, mas do mundo.

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