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A VOZ SUPREMA DO BLUES | ALERTA OSCAR

23 abril, 2021 por

Nossa maratona dos indicados ao Oscar continua. Hoje eu venho trazer para vocês a crítica de “A voz suprema do blues”, que está disponível na Netflix para assistir. Na história conhecemos um pouco de Ma Rainey (Viola Davis), considerada a mãe do blues, e sua banda. A trama gira em torno de um dia de gravação em um estúdio na década de 1920, em Chicago.

Sim, a história é basicamente passada em um dia. Tiro a ressalva dos primeiros 10 minutos, talvez, que contextualiza um pouco sobre a migração dos negros do Sul para o Norte, com a promessa de vidas e empregos melhores. E da apresentação de Ma Rainey e sua banda, no dia anterior à gravação.

Queria deixar registrado desde o início, que esse foi um longa mais difícil de assistir. Existem muitos diálogos entre a banda em si, na verdade, apesar da história ser de Ma Rainey, para mim, ela apareceu pouco, dando um foco bem maior na banda e no trompetista Levee (Chadwick Boseman).

Apesar de ter sido difícil de assistir, não foi um filme ruim. Ele tem uma carga emocional muito grande, sobre esse processo de migração. Todos os personagens, tem uma história de vida muito pesada por trás. Alguns nos contam, no decorrer do filme, outros deixam subentendidos nas expressões de entendimento e de cansaço.

Levee é um personagem chave no longa. Com ideias diferentes de Ma Rainey para a música que tocam e um temperamento bem explosivo e expansivo, ele leva todos os personagens ao limite várias vezes. Levee é um dos personagens que conta a sua história, isso fez com que eu me sentisse mais apegada a ele e com uma certa empatia, não sei se essa foi a intenção ao escrever a peça, mas foi isso que senti.

a voz suprema do blues

Em falar em empatia, existem muitos momentos durante o longa em que sentia empatia pelos personagens. Da mesma forma, também existiram vários momentos em que o sentimento por eles, não era tão bom assim. Como disse no parágrafo anterior, Levee é um exemplo disso, em alguns momentos ficamos com raiva do personagem e em outros, queremos apenas abraçá-lo e dizer que tudo vai ficar bem. Ma Rainey também. Ela é uma mulher forte e decidida. Isso é explicado por muitos motivos: mulher, negra, gay, sobrevivendo em um mundo de homens brancos. Mas em alguns momentos a rispidez dela chega a dar raiva, mas depois olhando um contexto como um todo é possível entender o porquê dela ser assim.

Como disse no início, o filme retrata a migração dos negros e as promessas com o qual eles fizeram essa migração. Durante todo o longa é possível ver o racismo muito palpável. É triste pensar que em dias atuais, ainda existem pessoas com esse tipo de preconceito. A atuação foi tão forte, que é possível sentir através da tela todas as emoções. Em determinados momentos, a produção mostra pessoas, paradas e com um olhar fixo, o rosto daqueles que tanto sofreram e que ainda sofrem com esse preconceito.

Por isso, eu digo que após analisar o contexto como um todo, é possível entender o porquê da dureza de Ma Rainey, se ela não fosse assim, ela não sobreviveria em um mundo de homens brancos. Ela precisa sobreviver, precisa se ressaltar. Viola dá um show de atuação, essa mulher é sensacional. Ela entra no corpo do personagem e não vemos mais Viola Davis e sim Ma Rainey, a mãe do Blues.

a voz suprema do blues

Chadwick Boseman também foi da mesma forma, ele entrou dentro do personagem e não vemos mais o ator e sim Levee, com todos os seus problemas, traumas e cicatrizes. Com todas as suas tristezas, medos, receios. É impressionante como todos os atores passam os sentimentos pela tela. Chadwick, em especial, tem uma transformação bem grande do rei de Wakanda para Levee.

Quando gravou o filme, ele já estava lutando contra o câncer de cólon, inclusive, ninguém do elenco sabia que ele estava em tratamento. Ele entrou em uma pequena lista de atores que receberam indicações póstumas ao Oscar, além de ter sido o primeiro ator negro a ganhar o globo de ouro póstumo de melhor ator. Existem grandes apostas, para que o Oscar seja de Chadwick por causa de toda a sua entrega ao personagem e de já ter ganhado o Globo de Ouro na mesma categoria. Sinceramente, acredito que o Oscar dele será mais do que merecido. A atuação de Boseman foi impecável.

Temos duas produções no catálogo da Netflix, o filme e um bastidores do filme. Assisti primeiro ao longa e depois fui ver esses bastidores. É um pequeno documentário (31 min) com os produtores e atores falando sobre o longa, a experiência e a intenção que eles tinham com cada coisa. Foi impressionante ver toda a delicadeza que eles tiveram na produção. Dou o exemplo da responsável pelo figurino, que segundo Viola, passou de pessoa por pessoa explicando de onde vinha cada peça do figurino, em uma determinada cena. Para que todos entendessem o valor que estava sendo passado por ali.

a voz suprema do blues

Ouvir como cada ator entendeu seu personagem, fez uma diferença gigantesca para mim. Além de entender pelas falas dos produtores, das pessoas por trás do longa, qual era a intenção deles ao mostrar determinadas cenas. Por isso, eu aconselho que todos que assistiram ao filme, também assistam a esse bastidores. Existe a explicação, por exemplo, de uma cena em que Levee tenta passar por uma porta e quando finalmente acontece, qual foi aquele significado para o personagem, para a vida dele, para toda a história.

Algo que eu tenho que dar os parabéns é para as caracterização dos personagens. Como queriam retratar o verão em Chicago, achei incrível como eles conseguiram colocar a sensação de calor e suor durante todo o longa e em todos os personagens. Toda a fotografia do longa está impecável.

“A voz suprema do Blues” tem nomes de peso em seus créditos. O longa, que foi baseado em uma peça de August Wilson, contou com a direção de George C. Wolfe (“Noites de Tormenta”) e produzido por Denzel Washington (“Um limite entre nós”). Na atuação além de Boseman (“Pantera Negra”) e Viola Davis (“Como defender um assassino”), temos a presença de Colman Domingo (“Se a rua Beale falasse”) e Glynn Turman (“House of Lies: casa de mentiras”). O longa foi o último trabalho de Boseman, pelo qual ele está concorrendo ao Oscar póstumo de melhor ator, sendo um dos favoritos, já que ganhou a mesma categoria do Globo de Ouro.

a voz suprema do blues

Confira as categorias que “A voz suprema do blues” está concorrendo:

  • Melhor ator – Chadwick Boseman;
  • Melhor atriz – Viola Davis;
  • Melhor figurino;
  • Melhor design de produção;
  • Melhor cabelo e maquiagem.

E aí, acha que o longa vai ganhar alguma estatueta?

a voz suprema do blues

 

Título: A voz suprema do blues.
Data de lançamento: 18 de dezembro de 2020
Elenco: Chadwick Boseman, Viola Davis, Colman Domingo e Glynn Turman
Duração: 1h34
Gênero: Drama, Musical
Direção: George C. Wolfe
Distribuidor: Netflix

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