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TED BUNDY: UM ESTRANHO AO MEU LADO – ANN RULE | RESENHA

09 dezembro, 2020 por

Ted Bundy: Um Estranho ao Meu Lado, foi publicado em 2019 aqui no Brasil, pelo selo Crime Scene da nossa queridíssima DarkSide Books. Falar a respeito da minha experiência com essa leitura, e de forma geral, sobre Ted Bundy é muito fácil. Com todo o meu respeito pelas vítimas e suas famílias, é claro, digo fácil no quesito “conhecimento” sobre o caso, e de forma alguma tirando ou diminuindo de qualquer forma que seja o valor das vidas que ceifadas foram nesse processo.

Desde muito nova eu me interesso pela mente humana e por sujeitos com traços dissonantes em suas personalidades. Mais tarde, me embreando pelo mundo da Psicologia descobri muitos mais vieses a respeito da psique humana, e mais apaixonada por Saúde Mental, seria impossível eu ficar. E dentre meus estudos, o nome mais pesquisado e destrinchado foi Ted Bundy.

Trazendo para a vida real, uma amiga, a Kennya, e eu desenvolvemos um projeto para ler os livros do selo Crime Scene em 2020 (com grupo ativo no WhatsApp). E estamos desde janeiro, paulatinamente, perpassando pelas histórias dos crimes mais marcantes que aterrorizaram o mundo, que trouxeram tristeza e devastaram um número incontável de pessoas. Assim, março foi o mês que escolhemos para ler Ted Bundy: Um Estranho ao Meu Lado, da autora e amiga de Bundy, Ann Rule.

TED BUNDY UM ESTRANHO AO MEU LADO - ANN RULE

Bundy para Ann Rule: “Acho que eles têm uma ideia maluca de que estou conectado a alguns casos em Washington.” (em tradução livre)

Eu fiquei simplesmente encantada com o estilo de abordagem do livro, pois ainda não conhecia nenhuma obra escrita a respeito de um serial killer, que fosse escrito por alguém de seu convívio íntimo. Pelo menos eu nunca tinha lido nada do tipo. E a gente se pega ali nas dualidades da vida. Vemo-nos muitas vezes no lugar de Rule, imaginando como foi se desnudar frente aos leitores, quando em seu coração, Ted tinha um lugar.

Dessa forma, teremos um ‘close’ da vida de um dos mais simpáticos e carismáticos serial killers da história. Com um sorriso cativante, e sempre muito bem arrumado, Bundy atraia facilmente suas vítimas. A impressão que fica ao ler essas 592 páginas, é que realmente a representação de Bundy como pessoa afastava dele qualquer suspeita. Quem poderia imaginar que aquele garoto prodígio estaria por trás de assassinatos tão horrorosos? Ninguém!

Ann Rule, lá em 1968, escrevia para revistas e tabloides a respeito de crimes reais. Após alguns anos, se ofereceu para trabalhar como voluntária em uma linha direta para suicidas. Seu colega de trabalho, um jovem rapaz de 24 anos, era ninguém menos do que Theodore Robert Bundy. Ela e Bundy formaram um time realmente interessado nos casos, e que juntos, salvavam vidas.

O que poderia ser encarado como uma grande ironia, no fim das contas, pois como alguém que tirou tantas vidas, também as salvava? Ted era uma incongruência viva. Essa é apenas uma de suas facetas que me fascinaram a sempre estudar seu comportamento. Bundy era um bom amigo. Foi um bom namorado durante algum tempo para Liz Kloepfer e bom pai para sua filha, Molly. Mas, ali durante esse relacionamento, ele também já era o monstro que sequestrava, torturava, matava e profanava os restos mortais de inúmeras mulheres.

TED BUNDY UM ESTRANHO AO MEU LADO - ANN RULE

Ler esse livro, em primeiro lugar, é estar constantemente confrontando a antítese entre ser extremamente humano e totalmente desumano. Em outras palavras, Ann não tinha como conhecer o verdadeiro Ted. Ele sempre esteve bastante presente como amigo na vida de Rule. Telefonava em horários diversos, marcava encontros para que conversassem, enviava cartões em datas comemorativas. Ted abria seu coração, e falava com Ann sobre sua ilegitimidade (não conheceu seu verdadeiro pai). Algo que parece, provavelmente, ter desencadeado a vida de crimes do sociopata.

O rapaz tinha um estilo próprio, e atacava mulheres que tivessem cabelos longos, escuros e repartidos ao meio. Isso, aparentemente tem a ver com um relacionamento que Bundy teve, porém não deu certo. A autora nos revela situações a respeito desse romance que eu desconhecia até ler sua obra. Aliás, eu tive contato com muito material novo ao ler Ted Bundy: Um Estranho ao Meu Lado.

No decorrer dos assassinatos, o nome de Bundy foi indicado por algumas pessoas por terem o “reconhecido” no retrato falado, ou como sua própria ex-namorada depois relatou, por itens suspeitos que ele levava pra casa como souvenir. Ted também fazia uso de muletas e gessos para empreender seus ataques. E foi pego portando esse tipo de coisa, o que o fez ficar na mira da justiça. Porém, não muito, né? Pois ele continuava a viajar com seu Fusca 1968, deixando rastro de desespero por onde passava.

Através de sua amizade com Rule, lá por meados dos anos 70, Ted descobre que está entre mais ou menos 1200 pessoas suspeitas pelos crimes. Ann confessa que demorou a crer que seu amigo era realmente culpado daquelas acusações tenebrosas. Ela deu a ele o benefício da dúvida, até que provassem que ele realmente era culpado. E um dos pontos interessantes desta obra, é a forma que Ann Rule descreve o caso de Ted, falando de seus crimes, como foram cometidos, onde e de qual forma.

Ao mesmo tempo você pode fazer uma pesquisa no Google e conhecer os lugares que ela descreve e perceber como a autora foi bastante descritiva. Ela conseguiu separar a história em si, de sua amizade e suas crenças sobre a inocência de Bundy. É muito satisfatório ler algo tão íntimo e revelador, mas claro, já temos a certeza de que Ted Bundy era o criminoso. Enquanto ela nadava nesse mar de incertezas.

Em conclusão, saiba que quando preso, Rule e Bundy sempre mantiveram comunicação através de cartas. Ela também o enviava alguns cheques na prisão durante um bom tempo. Não deu para entender se Rule tinha pena do então amigo que estava na prisão, se ela não queria deixar secar a fonte do acesso a um dos mais notórios serial killers da história, ou se simplesmente não acreditava na culpa daquele cara que sentou a seu lado e a ajudou a aconselhar tantas pessoas, com instinto suicida, pelos fios dos telefones.

Ted Bundy confessou ter assassinado mais de 30 mulheres. Mas, as autoridades acreditam que esse número foi exponencialmente maior. Existindo inúmeros corpos nunca descobertos.

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Título: Ted Bundy: Um Estranho ao Meu Lado

Autor: Ann Rule

Ano: 2019

Páginas: 592

Editora: DarkSide Books

Gênero: True Crime, ‎Não-ficção, Baseado em fatos reais

Nota: 4,5/5

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Onde Comprar: Amazon

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Deixe seu comentário

20 Comentários

  • Lilian Farias
    dezembro 21, 2020

    Não conhecia o livro, muito raro acompanhar algum lançamento ou o catálogo da editora, assim como você, tenho grande amor pela Psicologia e saúde mental, apesar disso, ainda não foi possível terminar meu curso… Sobre o livro, já assisti alguns documentários sobre a temática, confesso que prefiro mais os teóricos, mas não é algo que eu descarte de minha vida, acho relevante e interessante.Também gosto de séries com a temática, porém, nunca li nada do tipo e acho legal a Dark se empenhar nesse tipo de publicação.

    • Carol Nery
      janeiro 03, 2021

      Que legal, Lilian. Torço para que consiga concluir seu curso em breve. Realmente é uma profissão linda para os apaixonados por ela.
      Quanto a ler esse tipo de obra de Scene Crime não é fácil, né? Nem todo mundo dá conta. Mas, acredito que esse selo da DarkSide deu uma visibilidade maior, criando curiosidade nos leitores a respeito desse gênero.
      Abraços

  • Erika Monteiro
    dezembro 21, 2020

    Oi Carol, tudo bem? Assim como você acredito que o universo da mente humana é um emaranhado de possibilidades. Por mais que conheçamos alguém nunca saberemos o que de fato as motivou em determinado momento. Mesmo gostando muito de suspense/thriller nunca me aprofundei muito na psique dos personagens, talvez porque muitas das histórias que leio seja apenas ficção. Mas quando assisto um episódio de série ou filme e é baseado em fatos reais me pego questionando o que desencadeou tudo aquilo. Muitas vezes pode ser quem menos esperamos como no caso da “autora”. Era um amigo próximo e ela jamais suspeitaria dele. Um abraço, Érika =^.^=

    • Carol Nery
      janeiro 03, 2021

      Sim, Erika. Assusta um pouco esse negócio de estarmos aqui, lançados ao mundo, e não saber verdadeiramente de fato com quem estamos lidando, né? Ann deve ter tido essa história marcada profundamente na história de sua vida…
      Abração

  • Ana Claudia Soriano de Angelo
    dezembro 20, 2020

    Uau! Quero muito ler esse livro, menina! Eu assisti ao filme, com Zac Effron e essa coisa de estudar a mente humana, o que se passa na cabeça de psicopatas, me é fascinante! O livro está na minha lista de desejos na Amazon! Que caso incrível! Sua resenha também, diga-se de passagem! Bjs

    • Carol Nery
      janeiro 03, 2021

      Oi Ana! Que legal seu interesse nessa área. Eu sou muito curiosa quanto as questões da psique dos Serial Killers e psicopatas de modo geral. Espero que consiga adquirir a obra em breve. E que seja uma leitura enriquecedora. Eu gostei bem do filme. Escrevi sobre ele também. Se quiser dar uma olhadinha depois… Já assisti duas vezes. hehehehehe
      Abração e obrigada

  • Debora Sapphire
    dezembro 20, 2020

    Achei bem interessante tudo o que você apresentou aqui sobre a sua experiência de leitura. Pra mim, não seria uma leitura fácil. Pois, não estou acostumada a ler algo assim. Parece ser ótimo pra quem quer ter uma luz e compreender melhor sobre o caso.

    • Carol Nery
      janeiro 03, 2021

      Verdade, Debora. É uma leitura que não é pra ser feita por todos. Tem que estar mais acostumados com esse estilo, ou ter interesse na área. Eu gosto muito de estudar essas mentes, mas é horrível demais pensar e imaginar todo o estragam que fizeram por onde passaram.
      Abraços

  • Valéria
    dezembro 20, 2020

    Ainda não li esse livro falando só ele, apesar de conhecer um bocado de sua trajetória, volta e meia me pego assistindo e lendo.material sobre assassinos em serie. Mórbido, mas sem endeusar essas figuras…
    Esse tá na minha lista de possíveis compras…
    Tschüss

    • Carol Nery
      janeiro 03, 2021

      Val, eu entendo o que você diz. Realmente não há forma de endeusar esses seres que tanto mal e dor provocaram por onde passaram. Destruíram vidas e famílias. Não entendo bem as pessoas que defendem com unhas e dentes, ou engrandecem tais figuras.

  • Gustavo (Leitura Enigmática)
    dezembro 20, 2020

    Eu tenho essa obra e ela está programada para ser lida ano que vem, não espero a hora de começar. Sua resenha está incrível, detalhou bem sobre seu conteúdo, o que estimula mais o leitor a realizar a leitura.

    • Carol Nery
      janeiro 03, 2021

      Nossa, Gustavo. Obrigada! Tomara que você goste quando tiver a oportunidade de ler ele nesse novo ano. Foi uma leitura que mexeu muito comigo! Eu já tinha todo esse interesse em Ted e sua psique. Mas, abrir essa porta mais íntima foi estranho e triste.
      Abraços

  • Camille Pezzino
    dezembro 19, 2020

    Esse livro deve ser uma leitura incrível, considerando a complexidade da figura do Ted. Mas essa dualidade de bem e mal, não existe. Nós somos os dois lados e podemos ser os dois ao mesmo tempo, de uma forma para amansar nossos próprios pecados. Ele deve ter tido problemas terríveis na infância. Não sabia da linha telefônica, mas o caso dele é real assustador.

    • Carol Nery
      janeiro 03, 2021

      É uma forma de se encarar, sua perspectiva da dualidade do bem x mal.
      E o livro é bastante interessante de se ler e analisar. Ted foi muito inteligente e convincente.

  • Hanna Carolina
    dezembro 19, 2020

    Eu amo as edições da Dark Side, são maravilhosas e eles sempre capricham bastante. Com relação ao livro, eu não li e, sinceramente, não sei se leria. Apesar de curtir ler histórias de thrillers e tal, a verdade é que não sei se teria estômago para ler fatos reais, digamos assim.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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    • Carol Nery
      janeiro 03, 2021

      Te compreendo completamente. Muita gente não dá conta mesmo…
      Eu gosto muito da mente psicopata. Acho um campo de estudo fascinante. A psicóloga que habita em mim é muito curiosa com esse área de estudo.
      Mas, é realmente muito duro e muito triste acompanhar essas histórias reais, cruéis e que ceifaram tantas vidas inocentes.

  • Letícia Guedes
    dezembro 19, 2020

    O caso do Bundy sempre me deixou perplexa, e tô mais ainda agora que conheci mais alguns detalhes que eu não conhecia através do seu post. Não fazia ideia dessa história de linha telefônica para suicidas, por exemplo Não posso nem imaginar como deve ser pra Ann carregar essa angústia de ter sido próxima de um cara tão bizarramente cruel. Deve ser impossível conciliar as duas versões tão diferentes dele dentro da cabeça. Admiro ainda mais por isso não ter prejudicado a escrita do livro, por ela ter sido o mais imparcial possível, digamos assim. Adorei sua resenha. Abs!

    • Carol Nery
      janeiro 03, 2021

      Letícia, eu não posso sequer imaginar como foi pra Ann viver essa dualidade dentro dela mesma. Tenso demais, né? E passar tantos anos sem saber se de fato o seu “amigo” era realmente aquele monstro que estava aterrorizando os Estados Unidos. Vale a pena ler o livro!!!

  • Angela Cunha
    dezembro 18, 2020

    Ah como eu desejo este livro da Dark!!Aliás, todos da Editora rs
    Eu vi o documentário estes dias e adorei, mas também gostei demais do filme,mesmo não sendo tanto aquilo que eu esperava!
    Eu ainda fico boba com a mente humana, a maldade humana e esse seguimento da Dark sempre traz isso dos assassinos que são pessoas comuns e isso atiça ainda mais a curiosidade!!
    Espero ler!!!
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na Flor

    • Carol Nery
      janeiro 03, 2021

      Ah, tomara que você consiga ter logo esse. É um livro que vale muito a pena ter em casa, para aqueles fãs do gênero.
      Eu gostei do filme, acredita? Vi duas vezes já!!!

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