Vingança é a aguardada continuação de Vilão, publicado pela Editora Record em 2019, da autora Victoria Schwab, autora da trilogia Tons de Magia, e das duologias A guardiã de memórias e Monstros da Violência. Por se tratar de uma resenha de um segundo livro de uma trilogia, pode conter spoilers do primeiro livro.

Em Vilão, encontramos Victor e Eli, amigos e colegas na faculdade de medicina que, ao trabalharem em seus projetos de conclusão de curso, se depararam com as consequências de uma experiência de quase morte – as EQM, e que poderiam deixar como consequência a aquisição de habilidades extraordinárias, transformando quem passa pela experiência no que eles chamaram de EO – Extraordinários. Mas a amizade não resistiu à experiência, e eles se tornaram inimigos, com opiniões divergentes às habilidades dos EO’s.

“Às vezes, parece que eu estou numa briga e tudo o que eu tenho são as minhas mãos, enquanto o outro cara tem uma faca… A verdade, Syd, é que sempre vai existir alguém mais forte que você. É assim que o mundo funciona… você luta e vence, até o dia em que deixa de vencer.”

Entretanto, cinco anos se passaram, e Vingança se inicia com a expansão desse universo, ao trazer novos EO’s ao cenário, entre eles Marcella. Ambiciosa, esposa de um mafioso, acaba por descobrir que é traída, e não vai deixar isso sem uma discussão. Mas tudo acaba bem mal, e ela volta da EQM com um poder bem letal. Ao contrário de Victor e Eli, ela não sente necessidade de se esconder, e não teme nem a ONE, uma organização que é criada pelo detetive Stell para capturar e eliminar os EO’s que não aderem às normas deles.

Marcella encontra Jonathan, que tem o poder de criar um escudo para ele e quem mais ele queira proteger, além de June – a personagem mais misteriosa, que não se revela nem no final. Ela é uma metamorfa, que vai desenvolver uma relação muito obsessiva em relação à Sidney, a garotinha que salvou Victor no livro anterior.

Enquanto isso, acompanhamos as ações do ONE, que têm uma arma secreta: Eli. Ele foi capturado e, apesar de Victor acreditar que o ex amigo estaria morto, acabou sendo salvo para ser cobaia de testes de um médico bem insano…  Já o núcleo de Victor, Sidney e Mitch, encontramos os personagens fugindo do foco, numa busca contra o tempo sobre uma forma de contornar as consequências que a segunda volta de Victor deixou.

“Victor estava acostumado a ser a pessoa mais poderosa no recinto, e era tanto familiar quanto desconcertante ver aquela confiança em outra pessoa.”

VINGANÇA – V.E.Schwab

E assim, com todos esses novos componentes na história, e os flashbacks que já fazem parte da narrativa desde o livro anterior, vamos nos aprofundando na vida de Eli, quase entendendo como ele se tornou tão obsessivo e com aquele fervor atávico, que a gente quase se apieda dele. Quase!

“Eli jamais soube que havia tantos tipos de felicidade, muito menos tantas formas de expressá-las.”

Eu estava bem ansiosa para ler esse segundo volume, e confesso que um pouco temerosa, porque gostei muito de Vilão e de toda a discussão entre heróis e vilões, o quanto de cinza temos entre um e outro. Mas confesso que gostei muito de Vingança. Primeiro, porque conhecer o passado de Eli joga uma luz que faz entender todas as ações dele, e que quase justifica todo seu fanatismo – inclusive religioso. Aqui, ele está à mercê de Stell e seu grupo, mas ainda assim sua mente prodigiosa se faz presente. Victor, Sidney e Mitch continuam juntos, e Dominic nos prega uma peça. Gosto dele!

Agora o núcleo novo de Vingança vem como um incêndio – sem trocadilhos, na forma da Marcella, uma mulher que quer conquistar tudo, principalmente por ser tão subestimada – é uma mulher linda, e beleza e inteligência não caminham juntos, não é assim que uma sociedade machista pensa?

“Ela se livrou do marido, (…) depois se livrou da concorrência. Essa não era a atitude de alguém que não tinha nada a perder. Não, era a atitude de alguém que tinha tudo a ganhar. Era ambição. E ambição e poder formam uma combinação muito perigosa.”

V.E.Schwab

Ter a narrativa se passando entre passado, passado mais distante e presente torna a leitura bem ágil, ao menos para mim. Não me senti desconfortável nesse ir e vir. E, mesmo que num primeiro momento não seja fácil perceber as motivações por trás de cada ação, essa mudança no tempo da narrativa ajuda na compreensão da formação de cada um dos personagens. E, justamente por esse ir e vir, a história vai crescendo, em alguns momentos parecendo mais devagar, mas quando vai chegando no terço final, os tempos se sobrepõem, e a leitura acaba se tornando fluida e alucinante, porque não dá mais para largar o livro.

Ao finalizar Vingança, me vi cercada de muitas pontas soltas, o que deixa muita margem para um terceiro livro, que ainda não foi publicado. Ainda temos um conto ao final, sobre um personagem novo na trama, que ajuda a preencher algumas das lacunas da história.

Recomendo essa história para quem curte uma ficção científica leve, com toques de magia, e muitas discussões sobre bem e mal!

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Série: Villains
01- Vilão
02 – Vingança
03 –  Ainda sem título 
Autor: V. E. Schwab
Tradutor: Flávia de Lavor
Ano: 2020 
Páginas: 532
Editora: Record
Gênero: Fantasia, Young Adult
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