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VERMELHO, BRANCO E SANGUE AZUL – CASEY MCQUISTON | RESENHA

07 novembro, 2019 por

VERMELHO, BRANCO E SANGUE AZUL – CASEY MCQUISTON

Vermelho, Branco E Sangue Azul é o livro de estreia de Casey McQuiston, publicado no Brasil pela editora Seguinte, e se tornou um dos livros mais comentados na internet nesse ano. O livro, narrado em terceira pessoa, nos traz uma situação inusitada: como seria se o filho da presidenta dos Estados Unidos se apaixonasse pelo príncipe da Inglaterra?

Estamos em 2020. Alex Claremont-Diaz é filho da presidenta dos Estados Unidos Ellen Claremont, eleita após o fim do mandato de Barack Obama. Então, esse é um ano de reeleição, e ela vai se apresentar novamente como opção ao cargo. Eles são texanos, e o pai de Alex, congressista também, é filho de mexicanos. Junto com Alex, também moram na Casa Branca June, sua irmã, e Nora, neta do vice-presidente. Juntos, formam o conhecido Trio da Casa Branca, amigos descolados e seguidos pela imprensa – influencers de marca maior. Mas, para além da fama de playboy, Alex quer mesmo é seguir a carreira política. No momento, sua atenção está voltada para o fim do seu curso de graduação e a reeleição de sua mãe.

“(…) A imagem de Alex é puro carisma, inteligência e humor cínico…”

 

VERMELHO, BRANCO E SANGUE AZUL – CASEY MCQUISTON

Um dos eventos que eles têm de participar é o casamento do príncipe Philip; e é assim que Alex tem que encarar o seu primeiro desafio diplomático: estar na mesma festa que Henry, irmão mais novo de Philip, um príncipe cobiçado e seguido por todos, com quem Alex é constantemente comparado ― e que ele não suporta. Durante o casamento, quando os dois se esbarram, iniciam uma discussão, que termina com os dois caindo em cima do bolo de casamento! Claro que o acidente vai parar em todos os tablóides. Para conter os danos, um plano é elaborado pelos assessores das duas casas: um final de semana, em que os dois aparecerão em eventos juntos e irradiando amizade. E é nesse momento que Alex percebe que o príncipe engomadinho também precisa manter uma fachada em função de seu nascimento, e que é mais que a pessoa sem personalidade, entediante e fria que sempre imaginou.

Quando Alex volta para os EUA, os dois começam a trocar mensagens sarcásticas, e acabam passando muito tempo juntos; essa nova amizade explode nas mídias sociais. Em uma dessas ocasiões, bêbados, Henry beija Alex, que sempre teve certeza de ser heterossexual. Só que agora, não consegue esquecer aquele beijo… e assim começa uma relação perigosa, com ligações telefônicas longas, e trocas de e-mails apaixonados…

“(…) Que, por alguns momentos, consigo segurar a respiração e estar lá de volta com você, em um sonho, em mil quartos, em lugar nenhum?”

Eu devo dizer que Vermelho, Branco E Sangue Azul é um livro sobre o romance, mas me trouxe mais que corações flutuando. Eu ri muito! O livro tem sacadas incríveis, tanto no grupo que se forma em torno dos dois, quanto nas mensagens e e-mails trocados por eles. Afinal de contas, estamos falando de um grupo de jovens em busca das suas verdades, num momento que que somos definidos pelo que aparece na mídia. Se para nós, pobres mortais, uma foto vazada pode causar muito desconforto, esses jovens são obrigados a ter uma vida perfeita. E o que é uma vida perfeita, ou o que é aceitável para filhos de celebridades?

E é nesse contexto que Alex e Henry terão de decidir se tudo o que podem perder se justifica pelo relacionamento que está apenas começando. Se para Alex, texano, em plena reeleição da mãe, já pode ser desastroso, para Henry, príncipe na linha de sucessão, pode ser avassalador.

“- (…) Meu direito de nascença é um país, não a felicidade.”

Como já mencionei, Vermelho, Branco E Sangue Azul também é construído por outros personagens deliciosos: Temos Bea, a irmã de Henry, que também tem seus fantasmas; Pez, o melhor amigo nerd e milionário; Zahra, a assessora e amiga da presidenta, que tem um noivo misterioso, além de June e Nora. E todos eles acabam participando diretamente das decisões e confusões dos dois amantes… Mesmo Zahra, durona porque tem de pensar o tempo todo na reeleição, acaba tendo um papel importante para a relação de Alex e Henry.

Outra carga importante na estória foi o contexto político, uma vez que estamos em período eleitoral nos Estados Unidos. A autora fez uma sobreposição de ficção com fatos bem interessante, utilizando como pano de fundo a eleição dos EUA em 2016, – pós Obama, transpondo para o momento da nova eleição em 2020, trazendo toda manobra política que sempre permeiam esse momento. Tanto que temos manipulação de informações para tirar proveito da situação – sim, isso não deveria ser novidade, mas é tão desconfortável na ficção como é na realidade…

“(…) Essa é a escolha. Eu o amo, com tudo isso, por causa de tudo isso. De propósito. Eu o amo de propósito.”⁠

VERMELHO, BRANCO E SANGUE AZUL – CASEY MCQUISTON

Enfim, quero voltar ao Henry, um personagem tão amoroso, complexo, que achei pouco explorado, mas que torço pra vir em um outro livro. Com ele passeamos por Londres e pelo castelo, e nos deparamos com toda a pompa da rainha da Inglaterra, uma figura sempre imponente e que amedronta – ela não é rainha por acaso. Além disso, temos uma série de referências à história, à cultura pop, músicas, livros!

Vermelho, Branco E Sangue Azul foi uma estória gostosa de ler, que tem um momentinho no Rio de Janeiro durante as olimpíadas (momentinho mesmo, mas que pra mim já foi suficiente), e que aquece o coração. Acompanhar o amadurecimento desse casal foi bem sessão da tarde, cheia daqueles clichés que a gente tanto ama, e quer mais… Melhor de tudo, os direitos de adaptação foram comprados pela Amazon Studios! Quais as apostas para quem será o Alex e o Henry? História, hein? Aposto que poderíamos fazer…

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Título: Vermelho, Branco E Sangue Azul
Autora: Casey McQuiston
Ano: 2019
Páginas: 392
Editora: Seguinte
Gênero: LGBT, GLS, Literatura Estrangeira, Romance
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