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UMA DOR TÃO DOCE – DAVID NICHOLLS | RESENHA

10 junho, 2020 por

UMA DOR TÃO DOCE - DAVID NICHOLLS

Uma dor tão doce é o mais novo lançamento de David Nicholls, o quinto romance do autor de ‘Um dia’, e chegou em fevereiro pelo Clube Intrínsecos, trazendo as dores do primeiro amor.

Vamos acompanhar as lembranças de Charlie, narrados por ele anos mais tarde, já com a visão mais madura sobre os eventos que tiveram importância para sua formação enquanto pessoa.

“Nunca na vida eu havia estado mais preparado para me apaixonar, nem antes, nem depois daquela época. Eu queria mudar, queria que algo acontecesse, alguma aventura, e me apaixonar parecia mais possível do que, por exemplo, solucionar um assassinato. Se estivesse mais ocupado naquelas férias de verão, ou mais feliz em casa, talvez não tivesse pensado tanto nela. Mas não estava nem ocupado, nem feliz, então me apaixonei.”

 

Charlie tem 17 anos, está no fim do ensino médio, uma época de tensão se fosse somente pelo início de uma vida adulta, tendo de ter boas notas para entrar em alguma faculdade; fora essa pressão, sua vida pessoal está um caos: seu pai vai à falência, entra em depressão, e sua mão não consegue lidar mais com o casamento, saindo de casa e levando a irmã mais nova para a casa do novo namorado. O pai, que já não estava bem, se lança numa espiral de destruição com álcool e remédios, e a convivência dos dois fica muito difícil. Como tudo é uma bola de neve, suas notas na escola estão péssimas, e a perspectiva de entrar na universidade é incerta.

Após o fim do ano letivo, Charlie acaba encontrando um emprego em um posto de gasolina. Quando não está no trabalho, ele sai pedalando sem rumo para evitar a companhia do pai – afinal, até dos amigos acaba se afastando. Em um desses passeios, acaba esbarrando com uma companhia de teatro que está ensaiando uma montagem de Romeu e Julieta. A atriz que interpreta Julieta é Fran Fisher, e é ela quem tira Charlie do marasmo que vivia até então.

Uma vez que os organizadores da peça têm como um dos objetivos apresentar Shakespeare aos jovens, Charlie acaba sendo convidado para fazer parte da montagem, e ele refutaria facilmente a sugestão, se não fosse por Fran – a garota diz que pensará em sair com Charlie se ele participar dos ensaios. E durante esse verão, e os ensaios para a peça, Charlie vai se encontrando e descobrindo seu lugar no mundo.

UMA DOR TÃO DOCE - DAVID NICHOLLS

Uma Dor Tão Doce é um livro repleto de detalhes. Todos os acontecimentos são tão bem detalhados que, para mim, em alguns momentos, a leitura ficou arrastada e monótona. Até me conectei com os personagens, me trouxeram a nostalgia da transição do ensino médio para a faculdade. Mas podia ser mais célere.

Foi interessante acompanhar o amadurecimento do Charlie. Sua forma de lidar com o bullying, com a completa imaturidade dos amigos, a forma como sua família se desfaz… é uma descrição certeira que muitos vão reviver. E essa transição do adolescente para o adulto é dolorosa, daí a importância de pontos de base. Aqui a estória cresce – pena que isso aconteça no terço final do livro.

Acredito que um dos pontos positivos é justamente o olhar do homem para o rapaz de 20 anos atrás – meio como se parássemos para avaliar o que vivemos. Nem tudo foram flores, para alguns com mais espinhos que outros.

“O que eu procurava? Apesar de não saber, estava procurando uma grande mudança; uma missão, talvez, uma aventura que me desafiasse e me ensinasse lições.”

UMA DOR TÃO DOCE - DAVID NICHOLLS

Foi uma estória repleta de nostalgia, com muitas referências à Romeu e Julieta – deliciosas, mas um olhar saudosista, sem julgamento, apenas de reflexão.

“Shakespeare devia saber disso. Pegue uma cópia da história de amor mais famosa do mundo e segure entre o indicador e o polegar as páginas em que os amantes estão realmente felizes; (…) São só algumas páginas, quase um panfleto, o breve interlúdio entre ansiedade e desespero.”

Uma dor tão doce é uma história de amor, mas de amizades também. Sobre amizades que ficam velhas, sobre amizades que chegam sem percebermos. Sobre despedidas e sobre a coragem de tomar decisões. É uma homenagem a Shakespeare!

“Esta é uma história de amor, apesar de perceber, agora que ela acabou, que são, na verdade, quatro ou cinco, talvez mais: amor familiar e paternal; o amor cálido e revigorante dos amigos; a breve e brilhante explosão do primeiro amor, para a qual só se pode olhar diretamente depois que se apaga.”

Recomendo essa leitura para aqueles que gostam de romance, que devem ler sem pressa, saboreando as passagens da vida do adolescente até a fase adulta, sem julgamentos, só com nostalgia.

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Título:  Uma dor tão doce
Autor:  David Nicholls
Ano: 2020
Páginas: 384
Editora:  Intrínseca
Gênero:  Romance
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