Hora de comentar pelo tão aguardado Um Príncipe em Nova York 2, então vamos lá: No filme você pode esperar risadas com as situações e com as tradicionais caras e bocas de Eddie Murphy e as inúmeras fan service, com piadinhas em referência ao longa original.

Mas como também era de se esperar o primeiro trailer enganou bem, passava a impressão de que o roteiro, seguia a veia cômica do filme original, “não se ajoelharia diante do asqueroso politicamente correto“, e até faria graça dele o que infelizmente não aconteceu.

Para quem não reviu recentemente o original de 1988 dirigido pelo seminal John Landis, sinto destruir o pedestal de expectativas no qual você provavelmente colocou a parte 2 dessa obra, mas, analisada de forma objetiva e sem nostalgia, “Um Príncipe em Nova York” tinha narrativas boas e se desviava do arco principal com personagens secundários e hilários, como o pessoal da barbearia e a galera da igreja, em especial a já mitológica banda Chocolate Sensual, liderada pelo sex symbol Randy Watson.

UM PRÍNCIPE EM NOVA YORK 2

Mas Um Príncipe em Nova York 2, como boa parte das sequências tardias, não tem a força nem o impacto do filme original. É mais um longa divertido, uma comédia leve e adaptada aos tempos atuais.

Lançado diretamente no Prime Video, depois da Paramount Pictures ter vendido os direitos de distribuição do longa por conta da pandemia, Um Príncipe Em Nova York 2 tenta unir tudo de mais amalucado que o primeiro filme teve só que agora com um olhar para os novos tempos, e tenta fazer um humor “mais apropriado” para os anos 2021.

Na história temos o aniversário de 30 anos de casado, do recém coroado Rei Akeem Joffer (Eddie Murphy) descobrindo um herdeiro bastardo, vivendo na saudosa periferia do Queens. Nisso ele vai ao encontro do rapper amador (Jermaine Fowler) que é seu filho desconhecido.

Nesta sequência, temos um choque de cultura, só que ao contrário, partindo da periferia nova iorquina até a monarquia africana. Ocorre que o roteiro apressado e mal desenvolvido, sem a mesma dramaticidade adulta do original de 1988, traz soluções demasiadamente confortáveis. Porém, as ótimas atuações descompromissadas, incluindo a participação de Wesley Snipes e Morgan Freeman, compensam com novas gargalhadas.

Um Príncipe em Nova York 2 é nostalgia pura exagerada, ao relembrar quase todos os personagens, contando praticamente as mesmas piadas, modernizadas. Do mesmo diretor de Meu Nome é Dolemite, o longa é quase todo ambientado em Zamunda, terra rival do Rei Leão.

UM PRÍNCIPE EM NOVA YORK

E do ponto de vista da comédia, as cenas na barbearia do Queen’s geram os melhores diálogos. Em uma delas, por exemplo, é quando o barbeiro vivido por Murphy responde sobre como os EUA saiu de Barack Obama para “ser governado por nazistas que se vestem como geeks”.

O filme é bobo, previsível e derivativo ao extremo. Mas tudo isso poderia ser perdoado se, assim como no primeiro filme, nós estivéssemos diante de uma comédia que nos fizesse rir, que apresentasse situações engraçadas, personagens memoráveis e circunstâncias que não nos deixassem escolha que não a gargalhada.

Isso não ocorre em momento algum! O que temos aqui é uma comédia que não faz rir, que se preocupa mais em jogar easter eggs do filme original na tela e em ter diversos números musicais absolutamente  sem propósito. É sério, deve ter uns 10 números musicais, com dancinha, coreografia e tudo.

Enfim, sinto que o filme constrói essa história de uma forma no automático, sem muita empolgação, tirando um participação especial ou outra (prestem atenção no Morgan Freeman), e que no final, soa muito muito mais como um repeteco do que efetivamente contar uma nova e boa história. Em resumo, Um Príncipe Em Nova York 2 faz uma descompromissada revisão para o primeiro filme que se apoia no poder da nostalgia.