Hoje eu venho aqui para contar um pouco sobre o livro “The Outsiders – vidas sem rumo”. Um clássico da literatura jovem que inspirou um filme homônimo dirigido por Francis Coppola (“O Poderoso Chefão”). Esse ano, a Intrínseca lançou uma edição de luxo do livro e é sobre ela que vamos falar.

Na pequena cidade de Tulsa, Oklahoma, a rivalidade entre dois grupos cresce mais a cada dia. De um lado estão os Greasers, jovens que não tiveram muitas oportunidades na vida, e que tem como características as jaquetas de couro, canivetes nas mãos e os cabelos longos penteados com brilhantina. Já os Socs, moram no lado rico da cidade, frequentam os melhores lugares e sempre conseguem se safar das situações.

Ponyboy Curtis é greaser e é o caçula da sua gangue. Ele vive com seus irmãos Sodapop,  que faz sucesso com as mulheres e com quem ele tem uma relação melhor, e Darry, o irmão mais velho que tomou a responsabilidade de criar os mais novos depois da morte dos pais. É com ele também, que Pony tem uma relação mais conturbada, sempre dizendo que Darry reclama de tudo o que ele faz e briga por tudo.

Mas, os outros integrantes de sua gangue estão sempre com eles: Dally Winston, conhecido por já ter sido preso e ser o mais “barra pesada” do grupo; Johnny Cade, um pouco mais velho que Pony e conhecido por ser o mais sério da gangue; Steve, melhor amigo de Sodapop; e Two-Bit, o mais velho e mais debochado da gangue. Apesar de ser Greaser e não ter nenhuma perspectiva para a vida, Ponyboy é um garoto inteligente, que pertence a equipe de corrida, adora ler e ir ao cinema. Mas tudo muda, quando seu destino cruza de um jeito ruim com alguns Socs.

“A gente sempre segura a barra dos nossos amigos, aconteça o que acontecer. Se você faz parte de uma gangue, sempre defende os outros membros. Se não ficar do lado deles, como se fossem irmãos, aí deixa de ser uma gangue. É um bando qualquer. Um bando agressivo, paranoico e briguento como os Socs, ou tipo as gangues de rua de Nova York ou os lobos da floresta.”

Quando peguei o livro, pensei em duas coisas: a primeira era que seria uma história difícil para ler, que eu demoraria um pouco para pegar o ritmo da leitura. A segunda, foi que eu iria chorar em algum momento do livro. Vamos falar sobre a primeira então?

Acho que nunca estive tão enganada com um livro. A leitura não foi nem um pouco difícil, ao contrário, a cada página que eu lia eu já queria ir para a seguinte. Foi difícil mesmo, deixar de ler para ir fazer outras coisas. A medida que eu ia lendo o livro, eu ficava convencida do porquê de ser um clássico da literatura jovem, o porque de Francis Coppola ter recebido uma carta pedindo que ele adaptasse o livro para o cinema e o porquê de “The Outsiders – vidas sem rumo” ser leitura obrigatória em algumas escolas.

Todo o livro é narrado por Ponyboy e começa quando o garoto estava saindo sozinho do cinema. Em uma época em que a rivalidade dos Greasers e dos Socs estavam só aumentando, andar sozinho não era uma coisa boa. Nesse dia ele sente na própria pele as surras que os Socs dão nos Greasers, mas é salvo antes de as coisas saírem do controle.

É interessante ver sobre a personalidade de cada um dos personagens, através dos olhos de Pony. Não se engane, essa não é uma história que há heróis e vilões, apenas garotos em busca de um rumo para as suas vidas.

“- Aposto que você pensa que isso foi obra dos Socs. Dos riquinhos, dos Socs do lado oeste. Vou te dizer uma coisa, Ponyboy, e acho que você vai ficar surpreso. A gente tem problemas que você nem imagina. Quer saber de uma coisa? – Ela me encarou. – A vida é dura para todo mundo.”

Por isso, um dos temas abordados na publicação são os distintos estilos de vida e criação. As duas gangues são muito diferentes uma da outra, mas não deixam de ter problemas. Garotos com distintos problemas, que resultam em uma mesma coisa: esses meninos estão perdidos.

Por exemplo, temos um Soc que tenta de todas as formas chamar a atenção dos pais, mas esses por sua vez, nunca o responsabilizam por nada. Assim como, temos um Greaser que apesar de passar por dificuldades financeiras e não ter muitas perspectivas de futuro, tem o amor e a atenção de sua família.

A diferença social é algo muito presente na história. É interessante ler como Pony vê os Socs e lida com eles. É interessante saber que alguns desses Socs estudavam junto com Greasers. Ver como dois mundos tão diferentes se colidiam, e como isso ocorria.

Outra coisa que a autora aborda é a família. Em plena década de 1960, a autora escreve que a verdadeira família não é o sangue que determina e sim o amor. Ponyboy, Sodapop, Darry, Dally, Johnny, Steve e Two-Bit são uma família e não é o laço de sangue que definiu isso. É lindo ver que no meio das dificuldades, o amor que cada um sente pelo o outro a ponto de enfrentar e brigar para se protegerem.

“Eu achava engraçado que o sol que ela via do quintal da casa dela e o sol que eu via dos degraus do fundo da minha casa era o mesmo. Talvez os dois mundos diferentes em que a gente vivia não fosse tão diferentes assim. O pôr do sol que a gente via era o mesmo.”

A segunda coisa que disse no início desse texto, foi que tive a impressão de que ia chorar. Dessa vez eu não me enganei. Eu chorei em algumas partes de “The Outsiders – vidas sem rumo”, isso porque a autora escreve de uma forma tão real, tão tocante, que todos os sentimentos dos personagens acabaram passando para mim. Além disso, existem momentos bem tristes na história e que acho que ninguém devia passar, seja “Soc” ou “Greaser”.

A edição, sendo de luxo, está a coisa mais linda do mundo, com capa dura e a beirada das páginas vermelhas. No início, temos um prefácio escrito por Ana Maria Bahiana, jornalista com especialização em jornalismo cultural e escritora brasileira. Além disso, temos uma nota da autora, em comemoração aos cinquenta anos da primeira publicação de “The Outsiders – vidas sem rumo”. Se pensa que termina aí, está enganado. No final do livro temos os depoimentos de alguns atores do filme, de Francis Coppola, além de fotos dos bastidores e uma entrevista com a autora.

 

Ainda falando sobre a edição, na parte de dentro da capa existem algumas frases escritas. Antes de ler um livro, eu sempre reparo em todos os elementos que existem na edição, e na hora que vi as frases, elas não fizeram muito sentido para mim. Após a leitura, voltei nelas e, nesse momento fizeram um sentido maravilhoso para toda a história que eu tinha acabado de ler.

O filme foi lançado em 1983, com uma segunda versão com conteúdo extra lançada em 2005. Na produção, participaram grandes nomes do cinema como Tom Cruise, Patrick Swayze e Diane Lane. Além de ter sido dirigido pelo grande Francis Coppola. Tenho que confessar de que não assisti ao filme, mas que, após a leitura do livro, quero muito vê-lo em sua versão estendida. Segundo Francis e alguns atores disseram no depoimento, essa versão estendida possui cenas que são chaves para a história.

“- “O primeiro verde da natureza e dourado, / O matiz mais difícil de ser fixado. / Sua primeira folha é uma flor / Que só tem uma hora de vigor. / A folha em outra folha deságua, / Assim o Éden se encheu de mágoa. / E a aurora se transforma em dia. / Nada que é dourado permaneceria.””

Foi especial ler essa publicação, porque foi muito interessante ver a opinião dos atores do filme e como aquele trabalho mudou a vida deles.

S. E. Hinton escreveu “The Outsiders – vidas sem rumo” quando tinha quinze anos, em forma de desabafo após um amigo ser agredido por “garotos de boa família” apenas por ser greaser. Na entrevista ela fala que a gangue de Ponyboy é baseada sim, em uma gangue que ela conhecia, mas todas as outras conseguiram se identificar com ela.

Susan Eloise Hinton nasceu em Tulsa, Oklahoma e sempre gostou muito de ler, apesar de não estar satisfeita com os livros que escreviam para os jovens adultos. Quando lançou “The Outsiders – vidas sem rumo” teve muita publicidade e muita pressão, afinal, ficou conhecida como a “voz da juventude” o que lhe rendeu um bloqueio de escritor.

Em sua entrevista, ela conta que começou a assinar com as suas iniciais, pois na época, sua editora ficou com receio de que os críticos pensassem que uma menina não poderia escrever um livro daqueles. Mas depois, gostou de separar a pessoa Susan da escritora S. E. Hinton.

“Permaneça dourado Ponyboy. Permaneça dourado…”

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Título: The Outsiders – vidas sem rumo
Autora: S. E. Hinton
Ano: 2020
Páginas: 240
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção, Jovem Adulto
Nota: 5/5
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