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THE OUTSIDERS: VIDAS SEM RUMO – S. E. HINTON | RESENHA

09 junho, 2020 por

Hoje eu venho aqui para contar um pouco sobre o livro “The Outsiders – vidas sem rumo”. Um clássico da literatura jovem que inspirou um filme homônimo dirigido por Francis Coppola (“O Poderoso Chefão”). Esse ano, a Intrínseca lançou uma edição de luxo do livro e é sobre ela que vamos falar.

Na pequena cidade de Tulsa, Oklahoma, a rivalidade entre dois grupos cresce mais a cada dia. De um lado estão os Greasers, jovens que não tiveram muitas oportunidades na vida, e que tem como características as jaquetas de couro, canivetes nas mãos e os cabelos longos penteados com brilhantina. Já os Socs, moram no lado rico da cidade, frequentam os melhores lugares e sempre conseguem se safar das situações.

Ponyboy Curtis é greaser e é o caçula da sua gangue. Ele vive com seus irmãos Sodapop,  que faz sucesso com as mulheres e com quem ele tem uma relação melhor, e Darry, o irmão mais velho que tomou a responsabilidade de criar os mais novos depois da morte dos pais. É com ele também, que Pony tem uma relação mais conturbada, sempre dizendo que Darry reclama de tudo o que ele faz e briga por tudo.

Mas, os outros integrantes de sua gangue estão sempre com eles: Dally Winston, conhecido por já ter sido preso e ser o mais “barra pesada” do grupo; Johnny Cade, um pouco mais velho que Pony e conhecido por ser o mais sério da gangue; Steve, melhor amigo de Sodapop; e Two-Bit, o mais velho e mais debochado da gangue. Apesar de ser Greaser e não ter nenhuma perspectiva para a vida, Ponyboy é um garoto inteligente, que pertence a equipe de corrida, adora ler e ir ao cinema. Mas tudo muda, quando seu destino cruza de um jeito ruim com alguns Socs.

“A gente sempre segura a barra dos nossos amigos, aconteça o que acontecer. Se você faz parte de uma gangue, sempre defende os outros membros. Se não ficar do lado deles, como se fossem irmãos, aí deixa de ser uma gangue. É um bando qualquer. Um bando agressivo, paranoico e briguento como os Socs, ou tipo as gangues de rua de Nova York ou os lobos da floresta.”

Quando peguei o livro, pensei em duas coisas: a primeira era que seria uma história difícil para ler, que eu demoraria um pouco para pegar o ritmo da leitura. A segunda, foi que eu iria chorar em algum momento do livro. Vamos falar sobre a primeira então?

Acho que nunca estive tão enganada com um livro. A leitura não foi nem um pouco difícil, ao contrário, a cada página que eu lia eu já queria ir para a seguinte. Foi difícil mesmo, deixar de ler para ir fazer outras coisas. A medida que eu ia lendo o livro, eu ficava convencida do porquê de ser um clássico da literatura jovem, o porque de Francis Coppola ter recebido uma carta pedindo que ele adaptasse o livro para o cinema e o porquê de “The Outsiders – vidas sem rumo” ser leitura obrigatória em algumas escolas.

Todo o livro é narrado por Ponyboy e começa quando o garoto estava saindo sozinho do cinema. Em uma época em que a rivalidade dos Greasers e dos Socs estavam só aumentando, andar sozinho não era uma coisa boa. Nesse dia ele sente na própria pele as surras que os Socs dão nos Greasers, mas é salvo antes de as coisas saírem do controle.

É interessante ver sobre a personalidade de cada um dos personagens, através dos olhos de Pony. Não se engane, essa não é uma história que há heróis e vilões, apenas garotos em busca de um rumo para as suas vidas.

“- Aposto que você pensa que isso foi obra dos Socs. Dos riquinhos, dos Socs do lado oeste. Vou te dizer uma coisa, Ponyboy, e acho que você vai ficar surpreso. A gente tem problemas que você nem imagina. Quer saber de uma coisa? – Ela me encarou. – A vida é dura para todo mundo.”

Por isso, um dos temas abordados na publicação são os distintos estilos de vida e criação. As duas gangues são muito diferentes uma da outra, mas não deixam de ter problemas. Garotos com distintos problemas, que resultam em uma mesma coisa: esses meninos estão perdidos.

Por exemplo, temos um Soc que tenta de todas as formas chamar a atenção dos pais, mas esses por sua vez, nunca o responsabilizam por nada. Assim como, temos um Greaser que apesar de passar por dificuldades financeiras e não ter muitas perspectivas de futuro, tem o amor e a atenção de sua família.

A diferença social é algo muito presente na história. É interessante ler como Pony vê os Socs e lida com eles. É interessante saber que alguns desses Socs estudavam junto com Greasers. Ver como dois mundos tão diferentes se colidiam, e como isso ocorria.

Outra coisa que a autora aborda é a família. Em plena década de 1960, a autora escreve que a verdadeira família não é o sangue que determina e sim o amor. Ponyboy, Sodapop, Darry, Dally, Johnny, Steve e Two-Bit são uma família e não é o laço de sangue que definiu isso. É lindo ver que no meio das dificuldades, o amor que cada um sente pelo o outro a ponto de enfrentar e brigar para se protegerem.

“Eu achava engraçado que o sol que ela via do quintal da casa dela e o sol que eu via dos degraus do fundo da minha casa era o mesmo. Talvez os dois mundos diferentes em que a gente vivia não fosse tão diferentes assim. O pôr do sol que a gente via era o mesmo.”

A segunda coisa que disse no início desse texto, foi que tive a impressão de que ia chorar. Dessa vez eu não me enganei. Eu chorei em algumas partes de “The Outsiders – vidas sem rumo”, isso porque a autora escreve de uma forma tão real, tão tocante, que todos os sentimentos dos personagens acabaram passando para mim. Além disso, existem momentos bem tristes na história e que acho que ninguém devia passar, seja “Soc” ou “Greaser”.

A edição, sendo de luxo, está a coisa mais linda do mundo, com capa dura e a beirada das páginas vermelhas. No início, temos um prefácio escrito por Ana Maria Bahiana, jornalista com especialização em jornalismo cultural e escritora brasileira. Além disso, temos uma nota da autora, em comemoração aos cinquenta anos da primeira publicação de “The Outsiders – vidas sem rumo”. Se pensa que termina aí, está enganado. No final do livro temos os depoimentos de alguns atores do filme, de Francis Coppola, além de fotos dos bastidores e uma entrevista com a autora.

 

Ainda falando sobre a edição, na parte de dentro da capa existem algumas frases escritas. Antes de ler um livro, eu sempre reparo em todos os elementos que existem na edição, e na hora que vi as frases, elas não fizeram muito sentido para mim. Após a leitura, voltei nelas e, nesse momento fizeram um sentido maravilhoso para toda a história que eu tinha acabado de ler.

O filme foi lançado em 1983, com uma segunda versão com conteúdo extra lançada em 2005. Na produção, participaram grandes nomes do cinema como Tom Cruise, Patrick Swayze e Diane Lane. Além de ter sido dirigido pelo grande Francis Coppola. Tenho que confessar de que não assisti ao filme, mas que, após a leitura do livro, quero muito vê-lo em sua versão estendida. Segundo Francis e alguns atores disseram no depoimento, essa versão estendida possui cenas que são chaves para a história.

“- “O primeiro verde da natureza e dourado, / O matiz mais difícil de ser fixado. / Sua primeira folha é uma flor / Que só tem uma hora de vigor. / A folha em outra folha deságua, / Assim o Éden se encheu de mágoa. / E a aurora se transforma em dia. / Nada que é dourado permaneceria.””

Foi especial ler essa publicação, porque foi muito interessante ver a opinião dos atores do filme e como aquele trabalho mudou a vida deles.

S. E. Hinton escreveu “The Outsiders – vidas sem rumo” quando tinha quinze anos, em forma de desabafo após um amigo ser agredido por “garotos de boa família” apenas por ser greaser. Na entrevista ela fala que a gangue de Ponyboy é baseada sim, em uma gangue que ela conhecia, mas todas as outras conseguiram se identificar com ela.

Susan Eloise Hinton nasceu em Tulsa, Oklahoma e sempre gostou muito de ler, apesar de não estar satisfeita com os livros que escreviam para os jovens adultos. Quando lançou “The Outsiders – vidas sem rumo” teve muita publicidade e muita pressão, afinal, ficou conhecida como a “voz da juventude” o que lhe rendeu um bloqueio de escritor.

Em sua entrevista, ela conta que começou a assinar com as suas iniciais, pois na época, sua editora ficou com receio de que os críticos pensassem que uma menina não poderia escrever um livro daqueles. Mas depois, gostou de separar a pessoa Susan da escritora S. E. Hinton.

“Permaneça dourado Ponyboy. Permaneça dourado…”

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Título: The Outsiders – vidas sem rumo
Autora: S. E. Hinton
Ano: 2020
Páginas: 240
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção, Jovem Adulto
Nota: 5/5
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Onde Comprar: Amazon

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12 Comentários

  • Carol Nery
    Carol Nery
    junho 15, 2020

    Que demais, Aninha!! Achei a capa fantástica quando vi, mas não sabia que era capa dura ou edição de luxo! A Intrínseca vem arrasando mesmo…
    Sobre a história, se eu não tivesse lido sua resenha, acredito que não teria me interessado por ela. Eu não sabia que o livro tinha tantos anos comemorados, e nem da adaptação do Coppola. E eu tô lendo O Poderoso Chefão hahhahaa Coincidência!
    Bom, eu adorei seu texto, as fotos, e o ritmo que você deu aqui na resenha. Já me ganhou. Beijocas!!!!

  • Erika Monteiro
    junho 15, 2020

    Oi Ana, tudo bem? Que proposta mais interessante. Gosto quando o autor traz temas profundos que nos permite discorrer sobre. Como as pessoas são criadas, ou a sociedade em que vivem é importante, no entanto, acredito que outros fatores têm mais influência sobre a personalidade de cada ser humano. É mais ou menos como analisar irmãos. São criados na mesma casa, com as mesmas regras, porém quando crescem se tornam pessoas completamente diferentes. Complexo não? Um abraço, Érika =^.^=

  • Lucas
    junho 15, 2020

    É impossível visitar seu blog e não ficar fascinado pelas fotos! Amei cada uma delas. Eu vi algumas pessoas postarem nos storys que receberam esse livro e desde aí eu já fiquei curioso para saber do que se tratava. Já vou adicionar ele na minha lista. A intrínseca arrasou na edição desse livro, né? Amei demais!

  • Lilian de Souza Farias
    junho 15, 2020

    Não sabia que o livro inspirou O Poderoso Chefão, não conhecia a obra e não vi o filme (pretendo corrigir isso em minha vida) , o lance da família e na década de 60 é algo bem legal, além das questões sociais, é uma leitura social distinta da de hoje por ser uma época diferente, se bem que vivencio que família é amor, mas algo diferente para época (acho que consegui me expressar) rsrsrs

  • Debora Sapphire
    junho 15, 2020

    Ahhh, já faz tanto tempo desde que eu li esse clássico da literatura jovem com esses personagens icônicos como o Ponyboy e o Sodapop. E eu nem fazia ideia ainda de que esse livro inspirou um filme! Preciso saber mais do filme. Achei espetacular poder relembrar dessa trama com uma crítica de segregação social tão grande nos EUA. E tudo isso, ao falar sobre essa edição de luxo maravilhosa!

  • Pedro Silva
    junho 15, 2020

    Ótima resenha. É um livro que está em minha lista desde o ensino médio. Na escola onde eu estudava tinha uma edição antigas mas foi roubada pro algum aluno, desde então estou desejoso. Com essa nova edição é minha oportunidade… Por sua resenha tá pra entender um pouco porque essa história marcou tanto uma geração, parece emocionante e muito fluida. E que interessante a autora na época da escrita ser tão jovem, só mostra como todos podem, de alguma forma, levantar a voz contra as injustiças que acontecem no mundo. Eu amei muito!

  • Joyce
    junho 14, 2020

    Nunca tinha visto esse livro. Parece ser uma leitura bem jovial. Gostei de saber que fala sobre o tema família também, a maioria das histórias com esse tema sempre tem algo a nos ensinar.

  • Yasmine Evaristo
    junho 14, 2020

    Li toda a resenha e só consegui pensar no filme, com um Tom Cruise tão novinho, tão feinho. Há séculos que assisti ao filme e nunca tive contato com o livro. Vou procurar lê-lo assim que possível… e rever o filme, também.

  • Valéria
    junho 14, 2020

    Esse livro é maravilhoso. Fique feliz de ver que a Intrínseca publicou, depois de anos esgotado nas livrarias. Minha edição é antiga, mas eu adoro
    Além desse, gosto muito de Rumble fish, que reli esse ano. Pretendo reler The outsiders tbm. A escrita de Hinton é formidável.

    Fico feliz que o livro tenha te emocionado.
    Küss

    • Val
      junho 14, 2020

      Esqueci de falar sobre o filme, um dos meus preferidos do Ford Copolla.

  • Camille
    junho 14, 2020

    Oi, linda!
    Eu não imaginava que esse filme do Coppola tivesse um livro, essa foi a primeira surpresa que eu tive. Eu acho que está nos créditos que é baseado em fatos reais, mas não sabia que tinha um livro desses. Eu fiquei mega interessada. As tuas fotos tão maravilhosas também e gosto muito quando aborda esse tema dos problemas da adolescência “perdida”.

    Muito boa a resenha, parabéns.

  • Hanna Carolina
    junho 13, 2020

    Uau! Primeiro, suas fotos estão incríveis, parabéns! Segundo, não conhecia esse livro, mas fiquei chocada quando soube que era baseado numa história real… Essas edições de luxo são realmente incríveis, sempre fico babando em cada detalhe que a editora pensa. Com relação ao livro em si, é triste pensar que ele foi escrito há tanto tempo, mas que ainda hoje reflete nossa realidade, como algo tão contemporâneo… Fico pensando em quantos outros personagens passam por causa de coisas injustas que acontecem, e ficam escondidas por trás de “boas famílias”… E é só ver o jornal para dar de cara com cenas semelhantes, se não piores…

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