CINEMA

CRÍTICA | SIMONAL

06 agosto, 2019 por

FILME SIMONAL

Essa semana nós temos uma estreia nacional nas telonas. “Simonal” é a biografia do cantor que foi da ascensão à queda na época da ditadura militar no Brasil. Dirigido por Leonardo Domingues e com nomes no elenco como, Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Leandro Hassum e Mariana Lima, “Simonal” estreia dia 8 de agosto.

O longa traz a história de Wilson Simonal, um homem com carisma, charme e uma voz marcante. Depois de ser descoberto e de fazer grande sucesso, sendo uma das maiores vozes brasileiras da sua época, o descontrole sobre suas finanças o leva a tomar decisões que o marcaram por toda sua vida.

Antes de mais nada, preciso dizer: quem nunca cantou “Mamãe Passou Açúcar em Mim”, “País Tropical” ou até mesmo “Sá Marina”? Alguém já seu perguntou sobre as músicas e sua origem? Eu, particularmente não. Tendo nascido em 1992, sou de uma geração que não teve que sofrer com a ditadura que ocorreu entre 1964 e 1985. E agradeço a muitos que lutaram, para que isso acontecesse.

Em “Simonal”, vemos um pouco sobre a vida desse cantor, que ainda hoje, quase vinte anos depois da sua morte, faz parte da vida de muita gente por meio de suas músicas. Mas o que o filme vem abordar não são as canções que ele interpretou e sim como ele foi da ascensão à queda em um período conturbado no nosso país.

Tendo uma origem humilde, Wilson Simonal foi descoberto por Carlos Imperial, um grande produtor musical da época, enquanto ainda integrava o grupo “Dry Boys” que era composto pelo irmão e amigos do cantor. Após a descoberta por Imperial, a carreira de Simonal começou a alavancar, indo para o “Beco das Garrafas” reduto da Bossa Nova na época.

O cantor, também conhecido como o “Rei da Pilantragem” e o “Rei do Swing” se casou com Tereza Pugliese e teve três filhos. O longa traz tudo isso para as telonas, mas também mostra um pouco mais fundo, como era a relação de Simonal com a família, os amigos, os fãs, o trabalho e principalmente o dinheiro.

Digo que não conhecia muito da história dele, porque nunca pesquisei de fato, apenas escutava as músicas que faziam e fazem sucesso até hoje (muitas vezes nas vozes de outros artistas). O que acho interessante nesse estilo de filme é a oportunidade de conhecer a história de outras pessoas para tentar entender um pouco sobre a vida delas.

Com o racismo ainda muito presente nos dias de hoje, e na época sendo constante, o longa mostra um “Simonal” que se impôs como um homem negro e bem sucedido, que vivia uma vida de regalias.

Desde os primeiros minutos, em que frases como “o que um crioulo poderia ou não fazer” vemos esse preconceito presente. E ele é levado no filme, até os últimos momentos.

Para mim, a trama ainda deixa implícito que além das imprudências do cantor e as escolhas ruins, o racismo também ajudou na queda de Simonal. Sendo mais fácil colocar toda a culpa no crioulo famoso, descuidado e arrogante.

Algo que chama atenção durante o longa é a relação de Tereza com Simonal. Saí do filme com o seguinte pensamento: “aquela mulher foi forte”. Muitos podem até discordar, mas ainda digo que ela aguentou muita coisa e teve atitudes certeiras (apesar de ter fraquejado em alguns momentos, afinal era humana), como uma fala sobre traição que espero que vocês prestem atenção.

“Simonal” é uma boa pedida quando você quer conhecer um pouco mais sobre a vida de um artista bem polêmico para o Brasil. E apesar de não ter sido o melhor filme que eu já vi do gênero, não deixou de ser gratificante. Foi interessante ver como a direção do filme soube utilizar das imagens reais de Simonal dentro do longa.

Uma dessas imagens foi a do show de Sérgio Mendes no Maracanãzinho em 1969, onde Simonal cantou e foi ovacionado por trinta mil pessoas.

Como já disse, no elenco de Simonal podemos encontrar os atores Isis Valverde (“Malasarte e o Duelo com a Morte”), Fabrício Boliveira (“Operações Especiais”), ambos que já haviam contracenado juntos em “Faroeste Caboclo”. Além de Mariana Lima (“Assédio”), Leandro Hassum (“Até que a Sorte nos Separe”) e Caco Ciocler (“Elis”), no elenco. A direção ficou por conta de Leonardo Domingues.

“Simonal” ganhou como “Melhor Fotografia”, “Melhor Direção de Arte” e “Melhor Trilha Sonora” no 46º Festival de Cinema de Gramado, em 2018. Além disso, o longa foi selecionado para a “42ª Mostra Internacional do Cinema em São Paulo” e para a mostra “Première Brasil: Hors Concours da 20ª edição do Festival do Rio”.

Uma curiosidade é que dois, dos três filhos de Simonal trabalharam na trilha sonora do filme, além de serem músicos: Wilson Simoninha e Max de Castro. Para entrar no clima do filme, o Spotify já liberou uma playlist com a trilha sonora. Clique aqui para escutar.

A equipe do blog Coisas de Mineira foi convidada para ir à pré estreia do filme e levou dez leitores do blog para ir junto. Quer ter a chance de ir a uma pré para convidados também? Siga o blog no instagram e no facebook e fique atento as nossas publicações!

____________________________________________________________________________________________

Título: Simonal
Data de Lançamento:  08 de agosto de 2019
Duração: 1h45
Direção: Leonardo Domingues
Elenco: Isis Valverde, Fabrício Boliveira, Mariana Lima, Leandro Hassum e Caco Ciocler
Gênero: Biografia, Drama, Musical
Distribuidora: Downtown Filmes

veja os posts relacionados

Deixe seu comentário

1 Comentário

  • Larissa Santos
    agosto 07, 2019

    Eu, assim como muitos, já cantei tanto essas músicas e nem ao menos sabia o nome do cantor. Gosto muito de filmes biográficos, principalmente os brasileiros. É uma forma de conhecer a história de um cantor e sobre a época em que viveu. Parece um filme forte, marcante. Eu não reconheci o ator de Faroeste Caboclo até ler que era ele. rs

    Abraço,
    Paragrafocult.blogspot.com