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SILÊNCIO DA CIDADE BRANCA | CRÍTICA

20 agosto, 2020 por

O suspense espanhol está em evidência nos últimos anos no cinema. O Silêncio da Cidade Branca (El Silencio de La Ciudad Blanca), distribuído pela Netflix, estreou na plataforma em março desse ano. O filme foi esperado com grande expectativa pelo público, uma vez que é uma adaptação do best-seller de Eva García Sáenz.

O detetive Unai Ayala (Javier Rey) está investigando um crime bem semelhante aos ocorridos 20 anos atrás, onde um serial killer conhecido como o Assassino do Sono, assombrou a população de Álva, província que compõe a região do País Basco, na Espanha. Seus crimes macabros tinham um padrão: Eram sempre duplas do sexo oposto, com diferença de cinco anos para cada novo assassinato (os primeiros corpos encontrados eram crianças de cinco anos), e os corpos eram encontrados em espaços públicos, sempre na mesma posição, nus e com flores cobrindo as partes íntimas.

O homem condenado na época foi Tasio Ortiz Zárate (Àlex Brendemühl), que está prestes a sair da prisão, mas que mesmo preso se tornou bem conhecido. Ele é alguém que ficou importante mesmo encarcerado, onde escreveu até alguns livros. E a crença da polícia se dá em achar que o presidiário possa ter ganhado seguidores ou imitadores, porquanto o padrão está sendo repetido. Unai, por sua vez, precisa acelerar a resolução do caso e evitar que mais duplas de vítimas sejam encontradas por Vitória. E ao mesmo tempo, luta com suas dificuldades pessoais, sua tristeza, sua dor, e seu possível interesse em uma mulher comprometida.

O Silêncio da Cidade Branca

É bastante interessante como o filme traz à tela uma gama grande de fatos históricos e particulares de uma Espanha que não é a conhecida pelos turistas. Você poderá ver que existe uma mescla de eventos culturais (envolvendo a religião católica) que é sempre tão importante para as pessoas daquele país. O Assassino do Sono justifica a escolha de suas vítimas com base na combinação desses elementos, e deixa suas vítimas em poses onde os corpos aparentam uma espécie de pintura renascentista.

O livro possui mais de 400 páginas, e infelizmente nesse caso, o filme não fez jus a um thriller tão interessante.  Não que não traga um argumento válido, bem como sua ambientação, caracterização e produção, mas podemos sentir que os roteiristas (Roger Danès e Alfred Pérez Fargas), deixaram um bom tanto a desejar. Tudo até estava correndo muito bem inicialmente, e explicação da ligação da Igreja, a alma do ser humano e a sociedade das abelhas para justificar as ações do vilão, ela chega. No entanto, os segredos são revelados cedo demais. O mistério é desvendado bem antes do que no livro… E saber a identidade do real assassino e seus motivos tão logo, talvez, tenha desandado a história como um todo. Os flashbacks e o passado do assassino são as únicas coisas que sobraram para manter o clima de mistério.

A direção ficou por conta de Daniel Calparsoro, que tem experiência na produção de filmes desse tipo e nos trouxe ótimos e belos enquadramentos. Todavia, a repetição de cenas e locais acabou por ficar um pouco “sem graça”, mais do mesmo. Mesmo com a premissa interessante, a história não consegue se sustentar, buscando uma sobrevida em um mar de obviedades.


Por fim, a importância nunca explicada de um apelido, o trauma de um acidente, uma atração injustificada entre colegas… Nos foram entregue muitas subtramas mal desenvolvidas e personagens com histórias rasas. Coisas essas que fizeram o filme ficar confuso e cansativo. Tentaram não deixar nada de fora da obra original, só que não tiveram tempo para explicar tudo isso durante menos de 2 horas de filme. Dessa vez vale à máxima: “Melhor o livro do que o filme!”

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O Silêncio da Cidade Branca

O Silêncio da Cidade Branca
Título original: El Silencio de La Ciudad Blanca
Duração: 110 minutos
Ano: 2019
Direção: Daniel Calparsoro
Gênero: Crime, Drama, Mistério, Thriller
País de origem: Espanha
Disponível: Netflix

 

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1 Comentário

  • Ana Lúcia
    agosto 20, 2020

    Serei obrigada a ler o livro primeiro e ver o filme Como complemento. Não estou acostumada com o cinema espanhol, mas existe uma primeira vez pra tudo. Ainda mais bem recomendado.