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SESSÃO DA MEIA-NOITE COM RAYNE E DELILAH – JEFF ZENTNER | RESENHA

24 abril, 2020 por

Sessão de Meia-Noite com Rayne e Delilah

“Sessão de Meia-Noite com Rayne e Delilah” é um YA (jovem adulto) lançado pela editora Seguinte mo final do ano passado. Terceiro livro do autor Jeff Zentner na editora, promete manter a mesma qualidade dos anteriores, que são muito elogiados, ao tratar de um forte laço de amizade, família, depressão e abandono. A novidade dessa vez é a aposta em um livro leve e divertido, muitas vezes bem engraçado.

Josie e Delia são muito amigas e apresentam juntas o programa Sessão da Meia-Noite na TV Six, uma emissora local. Neste programa, transmitido sábado à noite, as duas assumem os personagens Rayne Ravenscroft e Delilah Darkwoood, respectivamente, duas vampiras irmãs com mais de 200 anos. Elas se conheceram através de uma amiga em comum do colégio quando Delia procurava por alguém para a ideia de um programa que transmitisse filmes de terror de baixo custo. Como o sonho de Josie sempre foi estar à frente das câmeras, ela topou.

“Acredito que cada pessoa tem direito a cinco ou seis dias perfeitos na vida. Dias sem nenhuma nota fora do tom ou incômodos, dias que vão amadurecendo como um pêssego na memória com o passar dos anos”.

O trabalho juntas cultivou um amizade imensa, e depois de um ano e meio de programa muitos até acreditavam que elas fossem mesmo irmãs. Mesmo humor, mesma forma de falar, de vestir… Mas as amigas na verdade são bem diferentes, principalmente em suas motivações. Delia mora apenas com a mãe em um trailler, após serem abandonadas pelo pai dela quando ainda era uma criança. Ela ainda revive boas memórias do que viveu com ele, e estas estão sempre ligadas a uma coleção fitas VHS de filmes trash de terror que ele deixou para trás.

Delia sonha com o dia em que irá reencontrá-lo, ela precisa saber por que ele se foi. Por isso criou o “Sessão da Meia-Noite”. Sua intenção é transmitir os filmes antigos do pai e assim chegar até ele, fazer com que ele a encontre. No entanto, sendo mais objetiva em sua busca, ela junta todas as suas economias e contrata uma detetive particular para localizá-lo. E ela o faz! Delia agora tem à sua frente as informações de um alguém, um nome diferente do que ele tinha e um endereço na Flórida. Além do desafio de contar pra mãe sobre seu desejo de encontrar o pai, uma vez que ela luta contra a depressão há muito tempo e essas lembranças não a fazem bem.

Josie mora com os pais e a irmã, e sempre teve o apoio destes para alcançar seu sonho de trabalhar na TV. Com uma motivação diferente de Delia, ela deseja fazer faculdade na área e seguir carreira. Porém, agora no fim do ensino médio, ela precisa decidir se vai ficar na faculdade da cidade e continuar fazendo o programa com Delia, ou se irá seguir a pressão dos pais e se matricular em uma universidade em outro estado, onde a mãe conseguiu um estágio para ela em uma emissora de tv maior. Pra complicar ainda mais sua situação, pois Delia não está aceitando nada bem essa possível mudança, ela conhece em um das edições do “Sessão da Meia-noite” o lutador de MMA Lawson, e consequentemente ele se torna mais um motivo para ela ter que ficar.

Livro Sessão de Meia-Noite com Rayne e Delilah

No entanto se aproxima a data da ShiverCon, a maior feira de filmes de terror do país, que será realizada na Flórida. Nela então, Delia vê a possibilidade de conversar com um antigo produtor do gênero, que já foi bastante famoso, para assim alavancar o programa delas e Josie não precisar embora. Mas também vê a possibilidade de encontrar seu pai e ter a conversa que tanto esperou. Acontece que nem tudo vai ser tão calmo assim nessa viagem onde estarão as duas amigas, o lutador Lawson e um cachorrinho basset bem velhinho.

“Às vezes, coisas pequenas e não espetaculares podem conter um universo”.

Com certeza o ponto mais especial desse livro é a forma leve e descontraída de tratar problemas tão sérios. Delia é marcada pelo abandono e isso fez com que sua personalidade se moldasse em volta do medo de perder pessoas. Em seu íntimo, ela sente que quem a ama vai sempre embora. Ao seu lado ela tem a mãe, que também sofre abertamente sobre as ausências de sua vida. Ambas tentando se reerguer e vencer a depressão, onde Delia assume o papel mais forte e responsável, cuidando e protegendo a mãe, ainda que não consiga reconhecer ou entender a imensidão do amor desta por ela. A conversa especial e importante que acontece entre as duas é a parte mais emocionante da história!

Já a relação de amizade entre Delia e Josie é a base e a sustentação de todo o livro. A cumplicidade, carinho, preocupação, bom humor e confiança, a felicidade ao estarem juntas e o divertido programa como resultado. Josie sabe sobre os medos da amiga e considera alterar seus próprios desejos para que ela se sinta bem. Delia, por sua vez, tenta criar estratégias para que o programa das duas vire um sucesso e Josie tenha ali, perto dela, tudo que sempre sonhou.

Mas essa relação de amizade e sonhos caminha bem no limite de uma linha tênue… Em alguns momentos achei egoísmo da parte de Delia as estratégias para fazer a amiga ficar sem nem mesmo perguntar sua real vontade, embora entenda toda a sua fragilidade em relação à perdas. Do mesmo modo, embora muito confusa sobre suas próprias vontades, em algumas partes senti Josie mais motivada a ficar por causa de seu relacionamento com Lawson e não pela amizade em si.

“Descobrir o que você não quer pode ser tão importante quanto descobrir o que você quer”.

Sendo assim, eu tive um pouco de dificuldade em me identificar com as personagens principais. Mas é importante ressaltar que isso não me atrapalhou na leitura, só me fez não torcer por um “caminho específico”. Eu só queria saber, e muito, como elas iam resolver tudo aquilo. E principalmente, como seria a ShiverCon, o encontro com o figurão famoso no gênero e se Delia encontraria com o pai! Posso adiantar pra vocês que a feira de terror foi uma confusão e sim, Delia encontrou com seu pai. Mas vou parar por aqui para não gerar spoiler.

O super responsável pela parte engraçada do livro é, com certeza, o programa “Sessão da Meia-Noite”. Se você for mais velho ou gostar bastante desse gênero de terror mais alternativo, vai entender. Com certeza já deve ter ouvido falar de um programa que era apresentado pelo Zé do Caixão nos anos 90, chamado Cine Trash. O programa das meninas segue mais ou menos o mesmo estilo. Um filme é escolhido para a noite, é feita uma introdução antes do seu início, e acontecem intervalos com direito a quadros e representações caricatas dos apresentadores e convidados. E a equipe do “Sessão da Meia-Noite” não poderia ser mais diversa!

À frente estão as duas meninas, como as vampiras e apresentadoras. Arliss, o irritado câmera, que participa também como “cientista” e boneco do “Frankenstein” (mas Frankenstein não é o monstro! Hahaha) que lê as cartas do público. A propósito, elas tem público, viu. Pessoas que mandam cartas e percebem mudanças. No entanto, as garotas duvidam muito de que tipo de público é esse que está em casa em um sábado à noite assistindo um programa trash da emissora local. O programa também conta com os engraçados gêmeos, que estão ali apenas pela diversão e topam qualquer coisa, e com o basset hound bem velhinho de Josie, que demonstra não estar nada satisfeito com esse trabalho.

Sessão da Meia-Noite com Rayne e Deilah” é então um forte livro sobre a amizade e como essa pode ajudar a superar barreiras. Sobre ser amado, de diferentes formas, e assim nunca estar sozinho. E também um livro pra rir sem perceber, seja com uma explicação de que cães beagle viram bassets quando ficam adultos, até as situações de conquista das garotas. A ilustração de capa é bem legal e já consegue dar um clima da história e seus personagens (postura, cenário, roupas…), mantendo a mesma eu foi usada lá fora, além do livro conter páginas amareladas e um tamanho de letra bem agradável para a leitura. Um YA poderoso para todos que desejam se emocionar e divertir ao mesmo tempo.

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Jeff ZentnerTitulo: Sessão da Meia-Noite Com Rayne e Delilah
Autor: Jeff Zentner
Tradutor: Guilherme Miranda
Ano: 2019
Páginas: 408
Editora: Seguinte
Gêneros: Ficção,Jovem adulto, Romance
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10 Comentários

  • Valéria
    abril 27, 2020

    Eu lembrei justamente só programa de Zé do caixão hahaha assisti demais.

    Bem,.sobre o livro, confesso que não é minha praia. Eu não curto o gênero YA. E confesso não gostar muito dessa coisa de tratar determinados temas de maneira leve, pelo menos com as experiências que tive, eram leves ao ponto de superficialidade. Acredito não ser o caso desse livro, pelo que vc fala sobre. Mas deve ser uma leitura interessante, ainda mais pra quem aprecia obras do tipo.

    Küss

  • Cibele
    abril 27, 2020

    Olá!
    Sou bem por fora desse gênero, e acredito que se algum dia li algum livro foi até mesmo sem saber. Rs sempre tive dificuldade para indentificar um YA. Leio muito suspense e leituras mais pesadas, e tenho certeza que livros assim mais leves seriam bastante interessantes depois dessas leituras..
    Gostei muito do fato de saber que envolve amizades e tem momentos engraçados.
    Ando lendo bastante nessa quarentena e talvez eu dê uma chance para esse gênero e livro.
    Beijos,
    Subsolo da mente

  • Erika Monteiro
    abril 27, 2020

    Oi Ká, tudo bem? Ah, que delícia ler sua resenha. Livros que falam sobre amizade, superar barreiras, e se tornar uma pessoa melhor com certeza tem um lugar especial em nossa estante. Conforme fui lendo sua resenha me lembrei daqueles livros que líamos quando éramos adolescentes. Aqueles da coleção Vagalume, eles traziam muitas histórias de amizade e cumplicidade. Essas amigas viveram grandes aventuras. Não conhecia o livro. Um abraço, Érika =^.^=

    • Lucas
      abril 27, 2020

      Estou chocado com a beleza dessa capa! Já fiquei curioso para conhecer mais dessa história que aparenta ser muito boa! Obrigado pela dica <3

  • Carol Nery
    Carol Nery
    abril 26, 2020

    Ah, nem amiga! Essas fotos ficaram destruidoras demais. Eu AMEI tanto… Mas, cê já sabe disso.
    Bão, eu gostei da história. Me parece divertida em certos pontos. E o que deve chamar mais atenção mesmo, é esse lance da amizade.
    Eu estou em uma fase doida onde estou experimentando outras leituras, e não só sangue, demônios, e devastação. hahahaha Será que eu encaro um dia? A quarentena faz coisas! Veremos.
    Beijocas

  • Debora Sapphire
    abril 26, 2020

    Ótimo conhecer um pouco mais a respeito desse livro YA (jovem adulto) lançado pela editora Seguinte. Eu leio poucos livros do gênero, mas pretendo começar a ler mais ao longo desse ano ainda. Acho bem interessante essa proposta de manter a qualidade dos livros anteriores, porém apostando agora em um livro
    mais leve e divertido, muitas vezes bem engraçado também, né? Esse enredo do livro é bem bacana igualmente.

  • Gabriela Miranda
    abril 26, 2020

    Olá!
    Me pareceu um YA bem tranquilo, por mais que as personagens tenham as duas dificuldades. As duas se divertem juntas e ainda temos o elemento trash de terror, o que pode ser nostálgico para muitas pessoas.
    Gostei muito do enredo central.
    Parabéns pela resenha!!!
    Até a próxima!

  • Lilian de Souza Farias
    abril 26, 2020

    Acho bem adequado para mim no momento, apesar de não curti YA, no isolamento estou mais resiliente para muitas coisas, focando mais nos infantis por ser um gênero que muito aprecio e evitando meu estilo niilista, sabe. Amizade é uma boa temática principalmente quando bem desenvolvida e trazida com leveza.

  • Gustavo
    abril 26, 2020

    Gostei demais da capa dessa obra, fiquei bem curioso para saber da história na íntegra, pois parece ser uma história surpreendente. Anotei a dica.

  • Que livro! Realmente é uma história que cativa do começo ao fim, e gostaria de saber se Delia encontra o pai de fato. Ele trata de vários assuntos importante inclusive, como amizade, depressão, sonhos… É um bom livro até para os “adultos mais adultos”. =) E sim, eu me lembro do Zé do Caixão e seus filmes icônicos! kkk
    Bjks!
    Mundinho da Hanna
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