Sangue Frio é o quinto livro da ficção policial que tem como protagonista Erika Foster. No total, a série já vendeu mais de 2,5 milhões de livros ao redor do mundo. Robert Bryndza, criador deste universo que se passa em Londres, é um autor britânico de 40 anos. Ele ficou mundialmente conhecido ao publicar o que seria então o seu best-seller, A Garota no Gelo. A editora Gutenberg tem sido pontual em nos trazer a série da Detetive Inspetora Erika Foster sempre com muita rapidez.

Aqui está uma resenha de uma pessoa que o que mais faz na vida, é ler livros de thriller policial. Eu AMO esse gênero. E embora muitos pensarem que meu tipo de leitura preferida é o terror, muito se enganam. Suspense policial é o rei em todas as minhas TBRs de cada ano. Eu devo ler de 4 a 5 thrillers por mês. E esse ano eu resolvi conhecer a escrita de Bryndza, e principalmente descobrir quem é a famosa Erika Foster.

“Erika Foster está pronta para desvendar mais um crime que irá congelar o seu sangue.”

Como já disse, esse é o 5º livro da série. Embora as histórias sejam iniciadas e fechadas a cada livro, ressalto aquela importância de ler a cronologia escrita pelo autor, para assim acontecer aquele ritmo na leitura, para que role empatia para com as personagens recorrentes – ou não, e também para que possamos enxergar a evolução do universo que as personagens estão inseridos como um todo.

Por já termos lido as outras publicações anteriores, temos algumas informações que nos ajudam a perceber a situação emocional da Detetive Inspetora Chefe Erika Foster em Sangue Frio. Sabemos que ela é uma viúva, que tem o peso na consciência (e no coração) de ter perdido seu marido, também policial, em uma ação coordenada por ela há alguns anos. Sabemos de alguns dos seus desafetos, e também conhecemos seus amigos mais chegados, sua irmã e sobrinhos e um quase romance que ela tentou viver – não com muito sucesso.

“— A gente acha que conhece as pessoas — comentou Moss. — As pessoas são colocadas na Terra principalmente pra nos desapontar.”

Então, estamos prontos para nos jogar de cabeça em Sangue Frio, e saber o que Bryndza nos preparou nesse volume. Contudo, você precisa saber, se não é acostumado a ler livros do autor, que ele não nos poupa em nada. Seus ‘mocinhos’ nem sempre são tão mocinhos e seus ‘bandidos’ são sempre pessoas muito baixas, cruéis e quase inimagináveis. Robert Bryndza pinta um retrato da sociedade da forma como ela é, mas que a gente finge que não é para ter o mínimo de paz de espírito para continuar sobrevivendo. Ou seja, seu trabalho é muito bem feito!

Confesso que não sou das pessoas mais pacientes com a evolução – ou não evolução, sei lá – da Detetive Inspetora Chefe Erika Foster. Seu temperamento é uma incógnita para mim. Ainda não consegui decifrar sua síndrome de defensora dos fracos e oprimidos. Ela chama toda a responsabilidade para si e acredita que um caso só será devidamente resolvido e os bandidos punidos, caso ela esteja à frente da investigação.

Ok, eu sei que temos profissionais desleixados e até incompetentes em toda profissão. Mas, Erika se dá credibilidade demais, e arruma encrenca demais. Ela não sabe fechar a boca. Chega a ser desaforada às vezes. E suas atitudes fazem com que ela seja sempre reprimida, ou ser menosprezada e até mesmo corrigida por seus superiores. Isso foi me dando nos nervos ao longo dos 4 primeiros livros.

“O Inferno está vazio e todos os demônios estão aqui.” ~ Willian Shakespeare, A Tempestade.

Esse quinto livro me trouxe uma visão diferente de Erika, e acredito que minha falta de paciência com seus rompantes chegou ao fim. Espero que a série tenha vida longa, pois eu me apeguei muito à Foster, Moss e Peterson. Gostaria de saber que eles continuam desvendando casos monstruosos que assolam Londres, bem como punindo os verdadeiros culpados desses crimes. Com isso, quero só deixar bem claro que se Robert Bryndza continuar nos trazendo mais de Erika Foster e companhia, eu estarei ‘colada’, acompanhando a cada lançamento. Tudo isso porque o autor é bom no que faz!

O que temos em Sangue Frio, é a história de uma moça que se apaixona por um cara. Esse cara não é uma pessoa legal. Ele tem certos envolvimentos que ela não sabe quais são. Porém, ela percebe que não é nada considerado legal. Mas, ela continua cada vez mais envolvida com ele. Suas vidas são entrelaçadas de tal forma que os dois se tornam praticamente um. Eles não fazem mais quase nada sozinhos. Nina e Max, Max e Nina.

“— Você está um caco, chefe. Vamos lá comer alguma coisa, depois você continua trabalhando.”

Em outra extremidade de Londres, Erika Foster acaba por abrir uma mala que foi encontrada às margens do rio Tamisa. Quando aberta, a mala continha o corpo de uma jovem, desmembrado e desfigurado. Acredito que nem Erika estava preparada para tal conteúdo. Ela, bem como os presentes, fica extremamente chocada. E nela já é despertado o “faro” detetivesco que move sua vida. O que aconteceu? Quem é essa garota? E por que alguém faria algo tão hediondo com essa pessoa?

Enquanto todos concatenavam as ideias a respeito da primeira mala, em seguida, outra mala é descoberta. Nessa havia contido outro corpo. Agora, de um homem. Igualmente desmembrado e desfigurado. Será que Erika acabou de descobrir um modus operandi do assassino? Qual a ligação das duas malas, e dos dois corpos? Quem seria essas pessoas e o que elas fizeram para ter tal fim? Muitas perguntas permeiam esse caso, e pouquíssimas são as conclusões.

Ao começarem a trabalhar mais fundo nesse caso, foi descoberto mais um corpo de outra moça que foi igualmente executado. Erika acredita estar a frente de um caso que envolve assassinatos realizados por um serial killer. E ele está há vários passos à frente da equipe de Erika. Não há como saber quando esse alguém, claramente alguém com o Sangue Frio, irá infligir seu próximo ataque.

“Só estou falando que você não devia sair por aí fazendo suposições sobre as pessoas, porque elas quase sempre estão erradas.”

Nós leitores já sabemos quem são os assassinos bem antes que Erika possa se dar conta. Os capítulos são narrados entre o presente, e uns flashbacks do passado – no caso, sobre o casal serial killer. A medida que vamos lendo, é inevitável tentar encaixar eles dois na história que acontece nos dias atuais, e na investigação de Erika. Momento confessionário: foi indo, já estava me enchendo o saco os flashbacks. Acho que não precisava enrolar tanto.

Na época que Erika e sua equipe conseguem entender o que está acontecendo em Londres, e quem são os assassinos, a dupla tem a brilhante ideia de perpetrar um sequestro duplo. As vítimas? Filhas de um policial do alto escalão. O motivo? Dinheiro!!! Tudo o que o “cérebro” da dupla criminosa queria era ser rico, e se mandar do país. Meio pueril seu sonho. E confesso, ele resolveu praticar crimes na cidade errada, com a Detetive Inspetora Chefe errada para pegar seu caso. Pois Erika sempre vai até o fim. Mesmo que pessoas levem tiros. Mesmo que pessoas morram. Esse é seu eterno karma.

A resolução da história toda foi bem interessante. Acredito que Bryndza conseguiu me envolver de forma total, pois eu não conseguia ver qual solução teria esse caso. Mesmo com a super Erika Foster em ação. Eu fiquei bastante tensa. Talvez, porque meu instinto materno acelerou com a história do sequestro. Isso de uma forma ou de outra sempre mexe muito comigo. E minha nota final no Skoob foram 4 estrelas. Embora eu goste muito da série do autor, se não me engano, nenhum livro foi avaliado com 5 estrelas. Mas, todos são muito contagiantes e nos faz querer continuar juntos com a Detetive Inspetora Chefe nesses casos bizarros que assolam Londres.

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Título: Sangue Frio
Autor: Robert Bryndza
Ano: 2019
Páginas: 320
Editora: Gutenberg
Gênero: Thriller Policial, Literatura Estrangeira
Nota: 4/5
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