“Você não se afoga caindo em um rio, mas ficando submerso nele”…

Em Resgate (2020), filme fresquinho no cardápio do Netflix, essa frase é dita por Ovi ao personagem Tyler, enquanto estão escondidos na casa de Gaspar. Ovi afirma que ouviu essa frase na escola, mas, tem escritor brasileiro reclamando a autoria da frase, que foi usada no filme sem os devidos créditos. Trata-se de Paulo Coelho, e a frase extraída de Diário de Um Mago, livro traduzido para 41 idiomas. Ok, momento curiosidade is over.

Resgate está entre os filmes mais assistidos da plataforma de streaming desde seu lançamento. Os motivos para isso são muitos. Não, não é em virtude da quarentena e todo mundo precisa ficar em casa e acaba vendo de tudo. (Ok, isso também).

O filme traz um time de respeito, com Chris Hemsworth (Thor) como protagonista, Joe Russo (diretor de Vingadores: Ultimato) e a estreia do dublê de cenas de ação Sam Hargrave como diretor. Russo entregou a Hemsworth o roteiro de Resgate ainda nas gravações dos Vingadores, e o ator abraçou o papel.

O filme conta a história de Ovi, filho de Mahajan, um criminoso indiano que foi sequestrado por rivais no crime de Bangladesh. (Aqui cabe um pitaco histórico, lembrando da forte rivalidade entre Índia e Paquistão, e Bangladesh na verdade era o Paquistão Oriental, tornado país independente após a guerra Indo-Paquistanesa, ocorrida no ano de 1971).

O pai de Ovi, recluso numa prisão em Mumbai, recebe Saju, o guardião de seu filho na cadeia e ameaça a integridade de sua família se o menino não retornar são e salvo. Saju contrata Tyler Rake, mercenário isolado na Austrália, que aceita a missão.

Mas como um bom mercenário, Rake quer ser (muito bem) pago pelo serviço, mas Saju sabe que todo o dinheiro de seu chefe está congelado pelas autoridades. A primeira parte do dinheiro é dada aos mercenários, um grupo muito bem preparado que parte para a missão. Mas a intenção do guardião de Ovi era na verdade deixar Rake fazer o trabalho pesado (resgatar Ovi), para ele mesmo liderar uma busca e resgate do garoto, tirando-o dos mercenários e levá-lo pra casa, sem precisar pagar a maior parte.

Esta é a trama principal que conduz toda a história. Pois a partir daí todos se veem colocados frente a frente com seus medos, memórias terríveis e principalmente com centenas e intermináveis homens armados dispostos a reconduzir o jovem indiano para as mãos do traficante de Bangladesh, que no filme tem a seu dispor a polícia e as forças armadas.

Ao longo do filme, com a exposição dos dramas pessoais e objetivos de cada um, é possível perceber que o fio condutor da história é um só: filhos.

O filho de um chefe indiano é sequestrado. Ele ameaça a vida do filho de seu empregado, que contrata um mercenário que passou a ter essa vida quando perdeu o filho de seis anos para um linfoma.

resgate - chris hemsworth

Rake descobre em Ovi uma missão que se torna maior do que o trabalho pelo dinheiro. Ovi é a redenção de Rake como homem, ser humano. Quase uma chance de fazer a coisa certa. Essa decisão trouxe ao longo da trama intrigas, traição e morte.

Morte, por sinal, que não é um problema para as duas horas do longa. Foi muito, mas muito tiro dado pra todo lado, em todo mundo. Rake, extremamente habilidoso, não economiza na hora de matar, sempre à queima roupa. O excesso de violência foi uma das críticas recebidas pelo filme, que ainda conta com a perturbadora sequencia num terraço de prédio, onde o traficante Amir Asif, de Bangladesh, tenta descobrir qual das crianças roubou um dinheiro que lhe pertencia. A cena da criança sendo lançada do alto do prédio para a morte é o que faz com que filmes como Resgate não figurem entre os favoritos deste que aqui resenha. Ah, e atenção para esta cena no terraço. Ela é mais importante do que parece.

Vale lembrar que Resgate é uma adaptação de uma graphic novel, de autoria do roteirista, chamada Cuidad, escrita por Joe Russo e Ande Parks. O diretor Sam Hargrave faz uma ponta no filme, como o atirador mercenário Gaetan.
E agora… assistir ou não assistir Resgate?

Sim, vale a pena parar por duas horas a quarentena de cada dia para ver o lançamento do Netflix. O filme é extremamente bem produzido, possui uma trama fechada, interessante e as cenas são fantásticas, com sequencias de perseguição alucinantes, que nos faz parecer jogadores de vídeo game desviando de obstáculos. O investimento na película foi alto, assim como a busca pelas locações extremamente trabalhosa e detalhada. A ponte que começa e termina o filme, foi uma entre 92 pontes visitadas para a cena principal da história.

E como não podia deixar de ser, o filme não vai terminar sem deixar uma pulga atrás da orelha dos espectadores. Mas isso só assistindo pra descobrir. Mas recomendo atenção redobrada nas últimas cenas do filme, que contam com uma vingança e, quem vai saber, se com uma alucinação ou uma ponta para uma sequência. Como disse o diretor, fica por nossa conta.

Crítica escrita pelo nosso leitor @daykersonav  – marido da nossa Carol Nery. Muito obrigada Daykerson!!