Um pequeno Favor é a história de duas mães suburbanas, de Connecticut, e aparentemente perfeitas. Logo no início temos os acontecimentos sendo narrados na perspectiva de Stephanie. Ela é uma mãe, viúva, e blogueira. Em seu blog ela é muito cuidadosa em falar sobre criação de filhos, ou experiências próprias, sem mencionar nomes, ou expor fotos. Para ela esse anonimato é algo muito importante, e questão de segurança. Eu ando gostando bastante de livros que trazem postagem em blog de alguma personagem. Acho bem “nosso mundo”. Faz-nos sentir um tanto inseridos e representados naquela obra.

Stephanie conhece Emily em um dia chuvoso enquanto esperavam seus filhos de 5 anos, Miles e Nick, respectivamente, próximas à escola. Logo a amizade entre as duas acontece, e elas acabam por criar rotinas de encontros em suas casas para os meninos brincarem, e elas conversarem e beberem um pouquinho de vinho.

Minha mãe costuma dizer que todo mundo guarda segredos. Não é nada legal dizer isso a uma filha que você deseja que se transforme em um adulto saudável, capaz de ter relacionamentos saudáveis com outras pessoas saudáveis.”

+ CRÍTICA DE ESTRÉIA | UM PEQUENO FAVOR: Com a fórmula pronta de uma boa história de investigação criminal com doses de comédia o filme Um Pequeno Favor é a adaptação homônima do romance de Darcey Bell.

Emily é casada com Sean, mas Stephanie não sabe muito sobre o marido da amiga. Só que Emily às vezes se sente diminuída perante ele. E que seus gostos diferem um pouco. Emily é uma leitora nata, enquanto Sean é o cara que gosta de TV (seriados, principalmente). Já Stephenie tenta fazer algumas coisas parecidas com as que a amiga faz, para terem mais em comum…

Vale ressaltar que a narrativa passa a ser intercalada na perspectiva dos três principais: Stephanie, Emily e Sean. Fique sempre atento ao título do próximo capítulo iniciado.

Stephanie é aquele tipo de mãe perfeita. Cuida de Miles de forma muito diligente e amorosa. O garoto perdeu o pai há alguns anos e a mãe supre toda possível brecha na vida dele. E esse fator – mãe extremamente zelosa -, além de uma espécie de inocência, casada com um desespero em conquistar uma amiga pra si, faz com que Stephanie ganhe espaço na vida de Emily e Nick.

“Como algumas de vocês provavelmente ouviram dizer, um mês antes de Emily desaparecer, uma apólice de seguro de vida no valor de dois milhões de dólares foi retirada no nome dela e paga a Sean.”

Emily é uma mulher bem elegante. Eu não assisti à adaptação (somente ao trailer) e no meu imaginário a atriz Blake Lively é uma ótima personificação dessa personagem. Ela possui de forma inata a elegância, o carisma, o sarcasmo e humor que Emily me mostrou nessas páginas.

O romance de Darcey Bell é daquele tipo, cheio de surpresas sórdidas, onde visivelmente ninguém é exatamente como eu acreditei que seriam no início da leitura. O trio principal dessa obra se entrelaça de forma quase que natural. Conseguimos acompanhar o desenvolvimento dos relacionamentos e nos questionamos o tempo todo a respeito dos segredos que Sean e Emily parecem dividir. Afinal de contas, o título desse livro trata exatamente do pedido que Emily faz a Stephanie por telefone, que seria cuidar de Nick por um tempo, até ela resolver uma situação e voltar para pegá-lo à noite.

Porém, Emily não aparece para buscar o filho. Ela não atende ao telefone, e após algum tempo de desespero, Stephanie quebra suas próprias regras (a de não citar nomes em suas postagens no blog), e tenta por meios próprios descobrir o paradeiro de sua melhor amiga. Emily realmente desapareceu.

“Porém, obviamente, existem… Dúvidas. Dúvidas em relação a Sean, dúvidas que nunca confesso a nenhum outro ser humano. Dúvidas em relação a quem ele é, o que sabe sobre o desaparecimento de Emily – e se está escondendo algo.”

Uma coisa que ainda me incomoda na nossa sociedade, em filmes, em reportagens jornalísticas, ou em comentários aleatórios que expressem à opinião de quem está escrevendo qualquer texto, é a forma como o termo autista é usado de forma pejorativa. Não sei se foi essa exatamente a escolha de palavras da autora, ou por parte da tradução, mas o trecho “eram autistas idiotas, que só sabiam fazer uma única coisa: dinheiro” me incomodou muito.

Essa é uma atenção que eu clamo a quem estiver lendo esse post, e que repassem aos demais à sua volta. Frases assim, usadas da forma que se busca ofender o interlocutor, ofende a nós, ofende aos pais de autistas e ofende aos autistas. Sonho com o dia que essa forma velada de inserção à pessoa com deficiência abranja também as pontas dos dedos daqueles que partilham informações. É normal ser diferente, o que não é normal é não ser aceito ou respeitado por suas particularidades.

Enfim, não quero falar mais dos acontecimentos porque aqui os segredos não ficam guardados somente para o final não. É uma construção capítulo a capítulo. E com um thriller doméstico repleto de elementos contemporâneos, uma escrita astuta, e um desenrolar ácido, Bell conseguiu prender minha atenção até o final. Esse é o tipo de leitura que eu não fico tentando prever o que vai acontecer – simplesmente me deixo levar.

A cada página recebemos um plot diferente e nada é o que era antes. Achei uma história bastante interessante e sagaz, com personagens que nos enganam direitinho e em várias situações. Somos sempre pegos de calças curtas! Mas, ao contrário da propaganda vendida, ele não é um livro impactante e inovador como foi Garota Exemplar, e não o vejo como o sucessor desse tipo de obra.

“Meu Deus, como Stephanie gostava de falar de segredos. Eu escutava o que ela dizia, ou meio que escutava e pensava: temos que ter segredos.”

A diagramação está muito boa. Tamanho de fonte e tipo de papel totalmente confortáveis a vista. Ponto extra pela formatação diferente quando estamos lendo alguma postagem do blog da Stephanie. E o cuidado em diferenciar no título quem estará narrando aquele próximo momento dos acontecimentos. São 336 páginas que você não percebe ter lido. A escrita flui bem, e de certa forma a curiosidade em resolver toda essa história instiga o leitor. Minha nota no Skoob foi de 3 estrelas.

Darcey Bell tem 38 anos. Ela foi criada em uma fazenda no Iowa, Estados Unidos. É professora do pré-escolar em Chicago, além de ser escritora. Hoje apresentamos aqui a resenha de sua primeira obra publicada. Mas, achei a autora promissora! Que nos brinde com mais thrillers.

“Liguei para Stephanie e pedi a ela que me fizesse um favor. Um pequeno favor.”

 

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um pequeno favor

Titulo: Um Pequeno Favor
Autor: Darcey Bell
Ano: 2018
Páginas: 336
Editora: Bertrand Brasil
Gênero: Suspense e Mistério, Literatura Estrangeira
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