Suzy e as águas vivas começou como um trabalho não-científico de pesquisa. Dele nasceu a história de Suzy. O livro é dividido em sete partes, como um relatório, dividido em objetivo, hipótese, referencial, tudo como um trabalho. Quero dizer que não concordo com a classificação como romance (romântico), eu definiria mais como drama. Até porque, se me pedissem para definir esse livro com uma palavra, eu definiria como triste.

“Mas a gente nem sempre percebe a diferença entre um novo começo e um fim do tipo para sempre. Agora era tarde demais para consertar qualquer coisa.”

Suzy acaba de perder a melhor amiga. Ou ex-melhor amiga. Frannie morreu afogada há três dias e só agora ela soube. A mãe dela diz que simplesmente aconteceu, mas, essas coisas não acontecem assim. As pessoas morrem velhas, não com doze anos. Partindo dessa ideia e vivendo o luto, Suzy tem uma suspeita: a morte de sua amiga foi causada por uma água viva. Uma irukandji, quase invisível, que tem uma picada mortal. Porque, afinal, uma exímia nadadora não se afogaria, nem mesmo no mar de Maryland. Certo?

Durante o livro, Suzy se enche de conhecimento sobre as águas-vivas, buscando especialistas, enquanto decide ter uma conduta de não-falar. Nesse momento ela consegue ouvir melhor o mundo, e fica presa nos seus pensamentos. Somos levados também a alguns flashbacks da amizade de Suzy e Frannie, desde o começo até a mudança no Ensino Fundamental II que desencadeou o final. Além dos flashbacks, acompanhamos as aulas de Suzy e seu relacionamento familiar que está totalmente distante do que já foi um dia. Depois que Frannie se afogou no mar, Suzy segue o mesmo caminho, indo direção a um mar de solidão.

SUZY E AS ÁGUAS VIVAS - ALI BENJAMIN - RESENHA

Sei que cada um tem uma maneira de viver o luto. E, como o próprio livro diz, não há uma maneira certa ou errada de fazer isso. Entretanto, ver a pequena Zu (redução de Suzy) se definhando no sofrimento de ter pedido alguém que foi sua amiga, mas que já nem era mais, é muito doloroso. Juro, passei o livro todo querendo dar um abraço nela para que servisse de consolo. O mais triste de tudo é que Zu se culpa pela maneira como se despediu da amiga. Esse livro não mostra só como temos que caminhar após uma perda, mas também como é inútil nos culparmos. Essencialmente, esse livro é sobre luto e perdão.

“É interessante como não palavras podem ser melhores do que palavras. O silêncio pode dizer mais que o barulho, da mesma maneira que a ausência de uma pessoa pode ocupar ainda mais espaço do que a sua presença ocupava.”

Quanto à história, senti falta de um pouco mais dos personagens secundários, mas acho que o livro cumpre bem o papel que ele vem para cumprir e essa falta que senti não onera de nenhuma forma a obra como um todo. A organização do livro como um relatório tem a cara da Zu, e a capa é tão linda, tão linda, que lembra literalmente um mar com águas vivas fluorescentes. A diagramação interior combina perfeitamente com a história, desde as fontes usadas até as frases da própria professora da Zu. É uma história bela e comovente, vale muito a pena ler!

Esta resenha foi escrita pela Lorhayne quando ainda estava no Blog. 

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Título: Suzy e as águas vivas
Autora: Ali Benjamin Tradutora: Cecília Camargo Bartalotti 
Ano: 2016
Páginas: 223
Editora: Verus
Gênero: Romance
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