{ #RESENHA } STALKER – TARRYN FISHER

01 janeiro, 2019 por
{ #RESENHA } STALKER - TARRYN FISHER
Livro: Stalker | Autor: Tarryn Fisher | Ano: 2018 | Páginas: 256 | Editora: Faro Editorial | Gêneros:  Ficção, Suspense e Mistério | Adicione a sua lista do Skoob | Onde comprar: Amazon

“Ver você conseguir as coisas sem merecer, e ainda por cima se esbaldar com elas, é um horror. Isso me revolta. Quem deveria tê-las sou eu, pois mereço muito mais que você. Na verdade, eu poderia ser uma versão sua melhorada (…).”

Em Stalker: quando a inveja se torna uma obsessão, Tarryn Fisher nos apresenta Fig Coxbury. Ela não quer tão somente ser como Jolene; mas ela quer ter exatamente aquilo que Jo possui. Fig, por um acaso, é perseguidora, obcecada, manipuladora… É doida de pedra que chama, né? Imaginem bem!
Ali em Seattle existe uma linda família composta pelos Avery: a “mãe desnaturada” Jolene, o marido e psicólogo Darius, e a pequena e encantadora Mercy Moon. E Fig, assim, do nada, resolve se tornar próxima (mas eu estou dizendo “bem próxima mesmo’) dessa família.

Ela sofreu um aborto espontâneo (também consultou uma médium), e depois disso passa a observar crianças nas praças da cidade. Se encantou por uma menina – suas almas se conectaram e Mercy era um presente dos céus para sua vida. Ela logo decidiu que Jo não era uma boa mãe (sem ao menos conhecê-la). Aquelas tatuagens, aquelas roupas… Para Fig essa menina e esse marido (se houver um marido) deveriam ser dela. Ela quem merece. Não a Jolene!

Como falar sobre um livro onde não queremos passar muita informação para que os outros leitores tenham sua própria experiência? Aqui eu me vejo diante desse “problema”. Quanto menos eu escrever aqui, melhor para você… Mas, prometo que não irei atrapalhar sua oportunidade de ser surpreendido.

Ah, e a divisão da narrativa foi algo muito interessante para que possamos criar nossas teorias a partir do ponto de vista de cada um dos protagonistas adultos. Primeiro temos a história contada por Fig. Logo após a voz ativa na narração é de Darius. Que em seguida sede a voz para Jolene.

Fig está farta de ser como é, e de viver sua vida do jeito que ela está. Depois dos 30 anos os seios começam a dar uma caidinha, as linhas de expressões aparecem e os inconvenientes cabelos brancos tentam surgir de todas as formas. Sem falar no maldito metabolismo! Esses pneuzinhos ao lado da cintura deixam Fig num estado de humor não muito agradável. Ela também se sente sozinha. Com um ex-marido e uma filha bebê que faleceu, em suas contas, ela definitivamente tem muito conteúdo para trabalhar com sua terapeuta.


Sua máxima é que ninguém gostaria de você se soubessem realmente quem você é. Mas, a vida de Jolene era diferente! Era exatamente daquilo que Fig precisava. E dessa forma, ir morar na casa ao lado da dos Avery foi o início da grande solução que ela acha ter encontrado para sua nada mole vida.

Não se deixe enganar. Fig tem uma personalidade bastante peculiar. Ela se molda às situações, porém busca antever as atitudes dos outros, e quanto mais rápido possível ela conseguir dominar o ambiente e moldá-lo a seu bel prazer, melhor! Ela não queria ter uma vida parecida com a de Jolene. Ela queria precisamente viver a vida que Jo vivia.

“Eu faço suposições demais, sabe? Minha mente é feito um computador com milhares de janelas abertas ao mesmo tempo. Tenho uma inteligência superior, é por isso. Gente muito inteligente pensa o tempo todo, a cabeça está sempre tomada por pensamentos brilhantes.”

Em tudo e em todas as situações Fig dizia a si mesma que poderia ser e fazer melhor que Jolene, mas também podemos perceber a ambivalência dessa relação nos momentos onde ela podia perceber o verdadeiro interesse de Jo em sua vida e em seus problemas. Sua vizinha criou realmente um laço de amizade verdadeiro com ela. Ou seja, ela não era aquela figura de “mãe desnaturada” que Fig atribuiu a ela à priori.

O mais interessante é que em vários momentos da narrativa, o marido, Darius, dava uns toques à sua esposa a respeito da fixação de Fig com seu jeito de ser, de se vestir, de decorar sua casa, sobre seus posts no Instagram, e até mesmo bobas competições pessoais a respeito de quem fez mais passos no App de Caminhada. Jolene foi muito inocente ou meio lerdinha a meu ver. Fig estava entrando de sola em sua vida, em sua casa, em seu casamento e na criação de sua filha. E Jo ficou ali, só passando a mão na cabeça da “doida”.

Gostei da construção das personagens. Como psicóloga que sou, tenho fascínio por Saúde Mental e principalmente assuntos que envolvem psicopatia e sociopatia. Essa parte da escrita de Tarryn me foi sensacional. O livro é muito contagioso! Sentei para ler, e não consegui largar até saber como terminaria. Confesso que a última frase da última página dessa história me deu uma sensação de Déjà vu à la Raphael Montes. Eu gosto bastante de finais assim. Quando os autores misturam ficção com realidade, e a gente não enxerga essa linha que os delimita, eu só posso tirar meu chapéu.

DICA DE LEITURA: STALKER - TARRYN FISHER

“A felicidade está ligada à sobrevivência. Não se sentir feliz é como fracassar, sobretudo quando vemos nas redes sociais os amigos divulgando as coisas boas que acontecem com eles. É tudo falso. Todos passamos mais tempo no limbo do que sendo felizes.”

Porém, ainda assim não foi uma leitura para 5 estrelas a meu ver. Atribui 3 estrelas pelo fato de sentir que a história poderia ser bem mais desenvolvida. As personagens criadas (ou não) por Fisher ganhariam vida própria e poderiam ser mais bem desenvolvidas, nos entregando assim um livro mais delineado, mais completo, e por fim, mais satisfatório. O que não deixa de ter sido uma boa leitura. É algo que de fato eu recomendo a vocês que leiam, e tirem suas conclusões.

Os pontos ganhos comigo foram pelos plots. Todo plot precisa ter início, meio e fim. E Fisher conseguiu resolver os plots propostos. Também ressalto novamente o fato de tudo aqui ter sido narrado em três partes, onde cada protagonista nos deu sua interpretação do papel das outras duas protagonistas. Fantástico! Parece realmente uma novela da vida real. Uma vida real bem calamitosa e desastrosa. Mas, verossímil… infelizmente.

{ #RESENHA } STALKER - TARRYN FISHER

“Eu posso fazer com que você se torne parte de algo bonito e grandioso e ainda assim retratar fielmente a feiura que você representa.”

Falando um pouco da edição, eu achei maravilhosa. O título “Stalker” está grafado em letras brancas e em alto relevo. O tom escuro foi bem-vindo, pois ressaltou o lado pesado das relações travadas nessa história. A Faro Editorial foi muito feliz na escolha da diagramação desse livro. Tudo muito simples, porém muito pontual. A arte interna das capas ficou esplêndida. A edição é em brochura, possui 256 páginas – essas em papel amarelado, com uma excepcional gramatura.

Tarryn Fisher nasceu em Joanesburgo, na África do Sul. Quando tinha 13 anos, ela e seus pais emigraram para os Estados Unidos. Viveu na Flórida, se formou em Psicologia, teve 2 filhos e escreveu seu primeiro romance. Depois disso, juntou a família toda e eles se estabeleceram em Seattle, Washington. É melhor ela tomar cuidado com a Fig, vocês não acham? Um dos lemas de Tarryn é: “Eu sou uma escritora e palavras são minhas armas”. Nós acreditamos!

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9 Comentários

  • […] { #RESENHA } STALKER – TARRYN FISHER […]

  • Fabiana Scola
    fevereiro 05, 2019

    Gosto desses trillers que deixam o leitor com raiva, aflitos, torcendo. Já conhecia esse livro por indicação de uma conhecida e como ela tem uns gostos assustadores, me chamou atenção essa indicação dela ahahahaha. A inveja desperta um sentimento muito ruim em quem está sentido e sendo atingido, imagino o quao deva ter tenso para autora contar essa historia real. Enfim, embora opiniões controversa e pontos positivos e negativos, está na minha lista de desejados.

    • Carol Nery
      Carol Nery
      junho 14, 2019

      Até hoje eu não sei o quanto é real essa história e o quanto é ficção.
      E acho que isso tempera bastante as coisas!!!

  • Carol Campos
    janeiro 15, 2019

    Dessa linha tênue pra minha vida tô fora, hahaha Mas, tô dentro dessa leitura que traz o lado psicopata e sociopata ao mesmo tempo, hehe Gostei da resenha, já tinha ouvido falar dessa autora mas, não havia parado para dar devida atenção. Mesmo com o 3, vou adicionar a minha lista de leituras bem futuras pois é bastante válido o déjá vu à la Raphael Montes.

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1085288031484026884?ref_src=twcamp%5Ecopy%7Ctwsrc%5Eandroid%7Ctwgr%5Ecopy%7Ctwcon%5E7090%7Ctwterm%5E3

    • Carol Nery
      janeiro 26, 2019

      Bem legalzin esse déjá vu no finzinho da leitura, xará.
      Mas, dá medinho mesmo desse negócio de stalker. Já passou muito de serem só histórias. Tem muita gente doida por aí a fora. hahahaa
      Leitura que vale a pena. Li vooooando pra saber logo o que ia acontecer com as personagens!!
      Beijo

  • RUDYNALVA
    janeiro 12, 2019

    CArol!
    Gosto de livros que trazem distúrbios psicológicos, mesmo que não seja algo tão impactante, deve ser uma história interessante, ainda mais por ter sido real.
    Acredito que o final aberto, seja talvez por isso mesmo, por ser a vida da autora e portanto, não dava para colocar um final fechado, penso assim.
    Fiquei interessada no livro.
    cheirinhos
    Rudy
    https://twitter.com/rudynalvasoares/status/1083915664778293248

    • Carol Nery
      janeiro 26, 2019

      Eu gosto muito dessas leituras que nos deixam pensando o que é realmente verdade e o que é ficção. Livro que flui bem e que deixa a gente com a pulga atrás da orelha!

  • O Vazio na Flor
    janeiro 02, 2019

    Estes livros que trazem essa parte doentia da mente humana são fascinantes!
    Este livro lançado recentemente não agradou demais aos leitores e não entendo os motivos disso.
    Os personagens parecem muito bem construídos e com certeza o livro está na lista de mais desejados!!!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1080405832188219392

    • Carol Nery
      janeiro 10, 2019

      Como psicóloga, eu piro total em livros psicológicos. Principalmente quando o tema psicopatia e sociopatia são abordados. Sou uma apaixonada inveterada pela Saúde Mental. Tomara que a leitura te agrade. Beijão e obrigada pelo apoio de sempre.