LIVRO: RAZÃO E SENSIBILIDADE - JANE AUSTEN
Hoje eu quero falar sobre um clássico ,Razão e Sensibilidade, o primeiro livro publicado da autora inglesa Jane Austen. Esse foi também o meu primeiro contanto com ela, saindo total e completamente da minha zona de conforto, porém, aceitando participar de um projeto com pessoas que amavam a autora naquele nível de marcarem sua pele.

Pois bem! Essa é história é sobre a vida de duas irmãs – sua família, seus amores, suas personalidades distintas, e seus amigos. Claro, não é só sobre isso. Austen nos traz temas bastante atuais como: resiliência, força e coragem. Ela nos conta sobre paciência, sobre o amor contundente em uma família, aprendemos sobre o perdão, sobre o arrependimento e redenção. Espero que se apaixonem tanto quanto eu. Foi meu caminho sem volta.

“Quando a mente não quer ser convencida, sempre encontra algo para inspirar-lhe dúvidas.”

 

LIVRO: RAZÃO E SENSIBILIDADE - JANE AUSTEN

Agora, sinto-me tremendamente intimidada em descrever minhas considerações sobre Razão e Sensibilidade. Revisitar um Clássico Mundial é algo difícil, e estou muito aquém em acrescentar uma linha a respeito de uma obra desse porte. Mas, a gente mete a cara mesmo. Espero que me perdoem por qualquer deslize e que eu não cometa nenhuma blasfêmia…

Dos romances de Jane Austen que li até hoje esse foi um dos que se desenvolveu de forma mais lenta. Algumas pessoas podem considerar a história arrastada. Mas, a construção das personalidades de Elinor e Marianne, as irmãs Dashwood, são desenvolvidas a cada folha que viramos. Embora elas sejam unidas, e o amor fraternal seja muito forte, elas são quase que opostas no sentido prático da palavra. Elinor é a razão, Marianne é o sentimento. Elinor é razoável e sofrida, enquanto Marianne é inocente e impulsiva.

“Ah, Elinor, como são incompreensíveis os seus sentimentos! Prefere acreditar no mal a crer no bem.”

Miss Elinor é a irmã mais velha das três filhas da família Dashwood – sendo as outras Marianne e Margaret (essa, a caçula). Surge logo no início da trama um meio-irmão que acabou de recebe a propriedade Norwood – que é onde elas moravam com seus pais – como herança após o falecimento do patriarca. Nessas primeiras páginas, Austen faz os devidos esclarecimentos que nos situam o motivo pelo qual a herança não fica com as meninas e sua mãe. Porém, embora tenha prometido a seu pai ser generoso com sua madrasta e irmãs, e em meio a muitas interrupções de sua esposa (que se demonstra uma pessoa bastante desagradável e apegada ao dinheiro), John decide reduzir drasticamente a quantidade de dinheiro que repassará às irmãs para sua sobrevivência de agora em diante, bem como retirá-las de Norwood, que é seu novo lar junto a sua esposa Fanny e seu filho.

Temos poucos personagens simpáticos nessa história além da ponderada Elinor. Alguns são bem simplórios ao enredo do romance. Porém, uma das personagens que mais me irritou foi a esposa de John, a senhora Fanny. Ela demonstra desprezo pelas irmãs do marido e as rebaixa a pessoas intoleráveis a seu convívio, como se elas fossem moças dignas de pena.

“… e Marianne, que tinha a propensão a achar o caminho da biblioteca em todas as casas, por mais que ela fosse evitada pela família, logo estava em posse de um livro.”

Fanny tem um irmão chamado Edward Ferrars que chega com ela em Norwood, e ele desenvolve uma conexão bem próxima com Elinor, para total desagrado de sua irmã. De certa forma, Elinor está sendo cortejada sutilmente por Edward – é uma pena que pela importância de seu papel nessa narrativa, sua personagem seja tão pouco explorada no quesito de descrição do próprio. Ainda temos a parte complicada nesse ‘possível futuro relacionamento’ que é o desejo da mãe de Edward em que o rapaz se case com uma garota de posição mais alta e com dinheiro.

Miss Marianne é mais como sua mãe – elas são dadas às emoções extremas, vivem intensamente seus sentimentos a ponto de isso ser o que de mais importante têm em suas vidas. Margaret, a irmã mais jovem, é muito nova para quaisquer romances. E é na propriedade Devonshire, de Sir John Middleton (um primo distante) que grande parte dos acontecimentos se desenrola a partir do momento em que a família Dashwood se muda para um chalé situado ali chamado Barton Cottage.

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Porém penso em não discorrer muito mais sobre nosso enredo, uma vez que uma obra tão marcante como esse deveria ser apreciada por vocês de forma pura, sem qualquer influência ou contaminação de minha parte – já que gosto tanto desse livro. Mas, de qualquer forma, podemos aprender a lição de que dificilmente existe uma maneira de equilibrar emoção com racionalidade. Em meio a um mundo de intrigas, desilusões, avareza, amores correspondidos ou não, mentiras e enganos que são o papel de fundo nessa história da nobreza inglesa, para mim essa foi uma boa mensagem pós a finalização da leitura.

Desde as primeiras páginas Austen, uma mulher extremamente a frente de seu tempo, evidencia como as vidas de suas personagens são limitadas pelas noções então aceitas sobre a posição das mulheres na sociedade. Desde a questão de em quais mãos a herança será deixada, à decisão de firmar compromissos matrimoniais. E esse rompante na literatura com personagens surpreendentemente inteligentes e donas de si (daquilo que acreditam, amam e querem), que Jane Austen imprimiu uma marca registrada e profunda na história da literatura mundial. Saldo muito positivo para nós mulheres e leitoras! Essa obra foi escrito em 1811, o que nos leva a pensar deliberadamente durante a leitura em como deveria ser viver naquela época do século XIX e buscar se expressar de forma escrita e pública.

“Ah, como é fácil falar em controle para aqueles que não têm seus próprios motivos para sofrer!”

RAZÃO E SENSIBILIDADE - JANE AUSTEN EDIÇÃO Martin Claret

Também é possível sentir no estilo de narração da autora um tom sarcástico em alguns momentos da leitura, como opiniões ladeadas de ironias. Acredito que muito das personalidades de suas ‘musas’ mais marcantes, venham um pouco da forma de ser e agir da própria Austen. Assim, aprendemos a amar toda a forma racional e contida de agir de Elinor, como as divagações apaixonadas e impulsivas de Marianne.

Esse romance é recheado de personagens extremamente otimistas e muito dramáticas. Pode ser in-fluência da época, um tipo de crítica da autora, ou apenas a melhor maneira de retratar o que Jane Austen queria nos contar. A escrita não é daquele tipo rebuscado que vive dando nós no cérebro dos leitores, ou que nos faça acompanhar a leitura com um dicionário a tiracolo. Nisso eu vejo algumas vantagens para o alcance desse tipo icônico de material chegar ao gosto de jovens interessados na leitura, mas que poderia ter essa insegurança quanto à dificuldade de compreensão de termos ou forma de escrita.

Jane Austen não foi uma “romântica”, mas em lermos os diversos textos os quais ela nos deixou, podemos perceber que ela defendia que o amor era importante. E que ele deveria se basear no respeito mútuo, admiração e compatibilidade. Finalizo dizendo que só sei que a fórmula de Austen funcionou, uma vez que Razão e Sensibilidade, como seus outros livros, vêm sendo aclamados pelo grande público há mais de dois séculos, além de serem adaptados para filmes, séries, e peças teatrais, por exemplo.

“Não tenho medo de mostrar meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente. Coisa que talvez surpreenda muito a você, pois os seus sentimentos são tão guardados que parecem não existir realmente.”

EDIÇÃO Martin Claret : RAZÃO E SENSIBILIDADE - JANE AUSTEN

Não tenho se quer adjetivos à altura para exaltar a beleza das novas edições que saíram em 2018 pela editora Martin Claret. Elas saíram em capa dura, formato 14×21 e estilo inspirado nos bullet journals. Com suas lombadas coloridas e páginas amareladas, essa repaginada me ganhou desde a pré-venda. Decidi que eram essas edições as quais eu queria montar minha coleção.Jane Austen foi uma romancista britânica nascida em Steventon (Hampshire, Inglaterra) em 1775. Aos 17 anos, escreveu seu primeiro romance curto, Lady Susan. Morreu aos 41 anos em Winchester, um ano antes de serem publicadas as obras Persuasão e A Abadia de Northanger.

“Às vezes somos guiados pelo que dizemos de nós mesmos e com muita frequência pelo que outras pessoas dizem de nós, sem que paremos para refletir e julgar.”

 

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Titulo: Razão e Sensibilidade 
Autora: Jane Austen 
Ano: 2018 
Páginas: 400 
Editora: Martin Claret 
Gênero: Romance, Drama, Literatura Estrangeira 
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