Não sou uma pessoa que lê livros que contenham cenas fortes de morte (muito menos assiste filmes), porque sou bem medrosa. Para falar a verdade, alguns filmes eu até arrisco, mas livros? Sempre tive uma imaginação muito boa que ao ler o que alguns autores descrevem, a cena fica marcada na minha mente, então terror e até mesmo alguns estilos de suspense não é comigo.

É por este motivo que quando vi o nome do livro “Rastro de Sangue: Jack, o Estripador” ele não caiu nas minhas graças de primeira. Na verdade, demorou, até ele chegar à minha mão e eu finalmente ler a sinopse para despertar certo interesse nele e começar a leitura. Mas depois que eu comecei? Aí vou contar para vocês daqui a pouco.

“Sutilmente, raspei sangue seco das bases das minhas unhas, lembrando-me da sensação de segurar um fígado nas minhas mãos e me perguntando que nova sensação traria autópsia de hoje.”

Em “Rastro de Sangue: Jack, o Estripador”, entramos na perspectiva de Audrey Rose, uma jovem de 17 anos que o pai tem pavor de que ela saia na rua e acabe pegando alguma doença. O medo dele é tão grande, que os empregados são trocados constantemente da casa para que não tragam nenhum tipo de doença.

Isso tudo aconteceu, porque quando Audrey era menor, acabou ficando muito doente, e sua mãe ao cuidar dela adoeceu também. A jovem melhorou, mas a mãe acabou vindo a falecer. Desde então a garota começou a desenvolver um desejo por conhecer o corpo, fisiologia e anatomia humana, então, sem a aprovação do pai, começou a ser tutorada por seu tio Jonathan Wadsworth, que dava aulas e trabalhava com ciência forense.

Como uma dama, em pleno século 19, teria mais prazer em fazer autópsias em corpos frescos do que em sentar em mesas de chá e conversar sobre as tendências da moda e as festas que aconteceriam, além das fofocas da sociedade. Isso era algo que o pai de Audrey não entendia.

Com o aparecimento de um misterioso assassino que brutalizou o corpo de algumas mulheres (Jack, o Estripador), a garota começa a investigar, junto com seu tio e outro ajudante dele chamado, Thomas Cresswell, para descobrir a identidade do assassino. Se vendo cada vez mais próxima de descobrir quem está cometendo os delitos, ela sofre com o preconceito por ser mulher, mas não deixa de lutar para que consiga ser mais do que apenas uma dama, e para também descobrir a identidade de Jack, o Estripador.

“Combine a astúcia de Sherlock Holmes com a determinação de Lia, a heroína das Crônicas de Amor & Ódio. Pronto, você já tem uma pista de quem é Audrey Rose” foi isso a primeira coisa que encontrei quando pesquisei sobre o livro, e tenho que concordar plenamente com a frase. Como disse, o receio de ler o livro passou logo no início e o motivo disso foi ler as primeiras páginas sobre a senhorita Audrey Rose.

RASTRO DE SANGUE: JACK O ESTRIPADOR

No século 19 as mulheres ainda eram vistas como responsáveis apenas pelo o lar – não que cuidar de uma casa e uma família não sejam um trabalho enorme e o qual eu respeito muito, mas sim, porque ao querer pensar em fazer outra coisa elas eram praticamente banidas da sociedade. Como podia uma mulher querer fazer o trabalho que seria apenas do homem? A personagem criada pela autora ultrapassa essa linha, chegando até mesmo a se vestir como um cavalheiro para poder fazer algumas coisas restritas a esse gênero. E ela faz tudo isso sem deixar de lado as coisas que a fazem ser feminina.

O enredo nos envolve, não só pelo suspense para descobrir quem é o assassino, mas sim pelas características de mulher forte e corajosa que Audrey possui. Além do romance que vai surgindo no decorrer das páginas e nos encantando pouco a pouco, o bacana é que o romance não pega o protagonismo da história, tomando conta dela, ele acaba se tornando um complemento da trama.

Todo o enredo é focado em Audrey Rose tentando descobrir quem é o assassino – o que tenho que dizer que me deixou ansiosa e passando uma página após a outra, porque depois de criar tantas teorias eu queria muito saber quem era também. Sinceramente, ainda não peguei um livro da linha DarkLove pelo qual eu não me apaixonasse pela história e pelos personagens. 

Jack, o Estripador é um assassino famoso do século 19, não pela quantidade de corpos que deixou em seu caminho, mas sim, por nunca ter sido pego pela polícia da época. Houveram muitas especulações de quem realmente seria o infame que mutilou o corpo de prostitutas em Londres, e sinceramente, a forma como Kerri terminou o livro foi excelente, na minha opinião.

A autora utilizou de alguns fatos reais da história do famoso assassino para criar uma aventura envolvente, cheia de mistério, amor e coragem para os leitores. No final do livro ela deixa uma pequena explicação das coisas que realmente foram verídicas e as liberdades criativas que ela tomou para que a história da jovem Audrey Rose se encaixasse.

“’Oh? Me mostre no dicionário médico onde está escrito que uma mulher não consegue lidar com essas coisas. Do que é feita a alma de um homem que não exista na alma de uma mulher?’, provoquei. ‘Eu não fazia a mínima ideia de que minhas entranhas eram compostas de algodões e gatinhos, enquanto as almas de vocês, homens, são cheias de aços e partes mecânicas.’”

RASTRO DE SANGUE: JACK O ESTRIPADOR

“Rastro de Sangue: Jack, o Estripador” é o primeiro livro da autora Kerri Maniscalco, e faz parte de uma série intitulada “Stalking Jack the Ripper” – nome do livro em inglês. Até então, já foram lançados três livros da série e tem um quarto volume programado para 2019. Espero ansiosamente que a editora publique logo os outros livros para que eu possa continuar lendo sobre a jornada de Audrey Rose.

Como é típico da editora DarkSide, a diagramação do livro está a coisa mais linda, a capa chama muita atenção não apenas por ser capa dura, mas pela bela composição da arte e tipografias utilizada. A famosa caveirinha da editora aparece no livro com uma cartola, bem típica para os homens no século em que a história está ambientada. No início dos capítulos, temos também uma página com imagens de algumas coisas que estão presentes na história e remetem àquela época, como instrumentos para a prática da autópsia.

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Título: Rastro de Sangue: Jack, o Estripador
Kerri Maniscalco
Ano: 2018
Páginas: 354
Editora: DarkSide
Gênero: Suspense, Mistério, Ficção, Jovem Adulto, Horror
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