Ninguém sabe ao certo explicar como o amor acontece, nem quanto tempo leva para uma paixão nascer. Na verdade, penso que não existem regras… Entre algumas pessoas esse encantamento pode surgir rapidamente, ao passo que entre outras pode ser bem mais demorado. Acho que o relógio do amor gira a sua própria maneira! Mas, será possível apaixonar-se perdidamente em apenas um dia? Em O Sol Também É Uma Estrela acompanhamos um dia muito importante para o casal protagonista. Um livro sobre paixão e muito mais…

Natasha (Tasha) é jamaicana. Seus pais entraram nos Estados Unidos ilegalmente quando ela tinha oito anos. Viveram no país desde então, até que seu pai foi preso por dirigir embriagado e como consequência disso, a família está prestes a ser deportada. O pai dela sonha em ser ator, já a mãe faz a linha “sonho não enche barriga” e prefere ser mais realistas. Tasha não quer ir embora, está totalmente adaptada a vida no país e irá tentar a ajuda de um advogado.

Todas as pessoas que encontramos e todas as escolhas que fazemos são parte da nossa história. Um milhão de futuros estão diante de nós. Qual deles se tornará realidade?

Daniel nasceu nos estados Unidos, mas é filho de pais coreanos e acaba convivendo bastante com as tradições deles.  A família é dona de uma loja de produtos cosméticos para negros, mas os pais desejam um futuro melhor para Daniel e o irmão (que não se dão nada bem). Esperam que eles se tornem doutores. O Jovem não tem o mesmo sonho que os pais, mas não consegue dizer isso a eles. Se sente perdido e para piorar acaba sendo empurrado para uma entrevista que decidirá seu futuro profissional.

É um dia decisivo para ambos. Ela está aflita, vivendo o pesadelo de talvez ser obrigada a voltar para Jamaica. Ele está confuso, agindo de acordo com o que os pais esperam, mas sem saber ao certo o que realmente quer. Em consequência de uma série de acontecimentos inusitados ele avista Natasha e reconhece nela algo que interpreta como um sinal. Ele a segue pelas ruas e eles acabam se envolvendo. Não vou dar detalhes de como o encontro acontece para não estragar as surpresas da leitura, mas adianto que uma brincadeira desafiadora será proposta.

Em comparação com o tempo de vida do universo, nossas vidas começam e terminam em um único dia

O fato é que ela é uma garota cética, racional. Enquanto ele é sensível e sentimental. Não demora para que as notáveis diferenças que existem entre eles apareçam. Ela cientista, ele poeta. Ela não acredita em destino ou em Deus, apenas na Ciência. Ele gosta de pensar que Deus é como uma força que liga as pessoas e dá sentido as coisas. Apesar das muitas diferenças a autora conseguiu dar ao casal uma química incrível e fazer com que fossem perfeitos um para o outro. Qual será o futuro dessa relação?

Já havia lido Tudo e Todas as Coisas (confira resenha do livro aqui e gostado muito da escrita da autora. Seu texto continua envolvente, novamente ela nos trouxe uma protagonista negra (dessa vez dona de um cabelão Black Power e cheia de personalidade), mas essa história é bem diferente. Ela me surpreendeu indo além do romance entre o jovem casal e abordando questões culturais, problemas familiares, emocionais, preconceito… Por falar em preconceito, achei fantástica a forma como ela o fez parecer pequeno diante do envolvimento dos dois. Ficou nítido que o sentimento que estava surgindo era forte, bonito e maior que qualquer coisa.

O texto é narrado em primeira pessoa hora por Natasha, hora por Daniel. Há também algumas páginas dedicadas aos demais personagens da história. Assim vamos lendo sobre passado e presente, conhecendo os pensamentos e sentimentos de um e de outro e também compreendendo como os acontecimentos levaram os dois a se encontrarem.  A diagramação é agradável, colabora para que a leitura flua bem. No início de cada capitulo há sempre um símbolo representando cada personagem, achei isso bem legal, além de combinar com a capa que é linda!

Sei que já falei sobre os personagens, mas quero reforçar um ponto que considero bem marcante: A mistura cultural. A autora inova retratando uma garota negra, jamaicana, que não se lembra muito do país em que nasceu e se vê perdida diante da possibilidade de deixar a nação que adotou como sua. Inova também quando nos apresenta um garoto que apesar de americano, convive com tradições bem diferentes devido sua descendência asiática.

Isso sem falar nos personagens secundários que também nos surpreendem com suas questões… a trama tem toda uma relação com identidade e representatividade que faz do livro uma obra ainda mais fantástica. Não li nada parecido, talvez até exista… mas o fato é que gostei muito de ver a autora fugir aos padrões e trazer questões étnicas pra história. Me fez pensar em minorias, em preconceito e em quanta coisa legal ainda pode ser retratada por autores que assim como ela não se prendam aos padrões.

Poesia, teatro, ciência, sonhos, família, paixão, futuro… Uma mistura que deu certo e resultou em um livro bem gostoso de ler. No fundo achei que o relacionamento apresentado ficou intenso demais em apenas um dia… Mas fui me encantando com os personagens e suas histórias, fui acreditando na atração existente entre eles e acabei me perguntando: Por que não? Acho que as vezes temos que nos permitir acreditar no amor e no quão arrebatador esse sentimento pode ser. A história me conquistou.

Esta resenha foi escrita pela Nathalia quando ainda estava no Blog.

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Título: O Sol Também é Uma Estrela
Autora: Nicola Yoon
Ano: 2017
Páginas: 288 Editora: Arqueiro
Gênero: Ficção, Jovem adulto, Romance  
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