{ #RESENHA } O QUE ALICE ESQUECEU – LIANE MORIARTY

17 dezembro, 2018 por

Autora: Liane Moriarty | Páginas: 416 | Editora: Intrínseca | Gêneros: Ficção, Romance  Adicione a sua lista do Skoob | Onde comprar: Amazon  

O Que Alice Esqueceu foi minha primeira experiência com a tão bem falada autora Liane Moriarty. Ela é mundialmente conhecida através de seu best-seller Pequenas Grandes Mentiras (2015), que deu origem à série da HBO no original Big Little Lies. Confesso que sempre tive muita curiosidade em conhecê-la, pois inúmeras amigas já a recomendaram com ênfase. E com esse livro de 2018 eu pude tomar o gostinho do que é ler uma obra bem feita, delineada pela mente e mãos de Moriarty.

Alice Love tem 29 anos, está desesperadamente apaixonada pelo marido e grávida do primeiro filho. Pelo menos, ela pensa que as coisas são assim. Na verdade, Alice caiu na academia em meio uma aula e bateu a cabeça. Agora ela não se lembra dos fatos dos últimos 10 anos de sua vida. Aos 39 anos, ela se tornou de uma hora para outra em mãe de três filhos, que está em processo de divórcio de seu marido Nick Love, e uma mulher extremamente ocupada e responsável. Ela mal fala com sua irmã mais velha. Assim, no decorrer da história estaremos junto dela, buscando encaixar cada pedacinho de seus dias, para descobrir em quem se tornou. Ela realmente não se lembra de nada!

“ – Sei que estamos em 1998 porque meu bebê vai nascer no dia oito de agosto de 1999. Oito do oito de noventa e nove. Fácil lembrar.”

Depois de se confrontar com alguns temas de sua vida que sua irmã Elizabeth e sua mãe Barb Jones a situaram, Alice finge para o hospital que já está melhor e que está começando a se lembrar das coisas para poder ir para casa. Lá ela (agora) sabe que mais a noite irá encontrar Madison (sua filha mais velha), Tom (seu filho espertíssimo) e Olivia (a caçula que nem havia sido planejada). Não faz ideia de como lidar com as crianças, bem como não sabe a reação que terá ao encontrar com Nick, que é quem os levará para casa.

Uma das coisas que achei bem interessante é que durante a leitura a gente vai recebendo – juntamente com Alice – algumas informações de como as coisas eram e de como elas agora são. Vamos unidos à nossa protagonista em busca das suas experiências esquecidas. Ficamos comovidos a cada descoberta. Dá para começar a questionar se ela gostou de o que se tornou sua vida aos quase 40 anos, ou se agora com essa “nova chance” de reescrever sua história, irá fazer com que tudo seja diferente.

Ressalto um ponto que achei muito legal na escolha de narrativa da Moriarty: 1. Alice é nossa protagonista e caminhamos na leitura tão perdidos quanto ela; 2. Elizabeth faz uma espécie de dever de casa para seu terapeuta de forma escrita, e nos dá um pouco mais de informações por outro ponto de vista; 3. A “avó” honorária da protagonista tem um blog! E ela também conta muita coisa sobre a família e sobre seus dias na casa para idosos onde vive.

“Alice tinha mesmo se esquecido de tudo.”

O núcleo familiar é bem unido nas questões a respeito de apoiarem Alice com sua amnésia. E os flashs que às vezes chegam à mente da protagonista vão auxiliando-a a reconstruir seus últimos 10 anos perdidos. Percebemos ao longo da história que existem assuntos que são tipo um “tabu”, e Alice se vê totalmente à mercê do que vai descobrindo através dos eventos diários. Sem saber se um dia vai recuperar sua memória novamente, ou se pode confiar nos insights que às vezes chegam a sua mente – eles nem sempre são verdadeiros.

Parece que lendo um livro de Moriarty, a gente vai sempre lidar com famílias de classe média a alta, com casas em locais bem localizados, e acaba sendo uma realidade um tanto quanto apartada da maioria de nós que estamos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos. Eu não me senti incomodada, pelo fato de que tenho bem delimitado em minha cabeça que isso é uma história de ficção, e que estou buscando entretenimento. Mas, se o leitor buscar algum tipo de representação, pelo menos nesse enredo, vai ser difícil se ver nos personagens.

“Então, era mais seguro não dizer nada e fingir, e ela sabia que eu estava fingindo, portanto fingiu também. E assim nós acabamos esquecendo como ser verdadeiras uma com  outra.”

Não é nada que desabone a obra. É só uma perspectiva que tive ao finalizar minha leitura. A Intrínseca nos trouxe uma edição belíssima, onde a capa é a mesma de uma das edições estrangeiras, num tom agradável de azul, e com o título bem evidente. A diagramação foi simples, não buscaram fazer nada muito rebuscado, porém, se atentaram em formatar fontes diferentes para a narração de Alice, para os posts da “avó” no blog, e para as lições de casa da irmã. Isso fez toda diferença. Nos passa o entendimento de divisão das partes dentro da narrativa. Enfim, foram 416 páginas – em papel pólen – de uma leitura agradável, onde o final da história me agradou e eu atribui 3,5 estrelas em 5. Também fiquei com muita vontade de ler os outros livros da autora.

Liane Moriarty é uma escritora australiana. Completou 52 anos no último 15 de novembro e reside em Sydney com seu marido e seus dois filhos. Tem obras adaptadas e muito aclamadas pelo público. É irmã da também autora Jaclyn Moriarty.

“Alice detestava a pessoa que tinha se tornado. A única parte boa eram as roupas.”

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4 Comentários

  • Carol Nery
    dezembro 23, 2018

    Eu senti essas agonias, viu? Eu estava lendo o livro e do nada eu pensava: cara, e se eu não lembrasse dos meus filhos. Ou… porque não estou morando em tal cidade e voltei pra BH? hahahhaaa Pensa em quanta coisa muda na nossa vida, nos nossos hábitos, nos nossos relacionamentos e nos nossos corpos em 10 anos.
    A sacada da Moriarty foi genial. Mas, eu já estava esperando que fosse uma boa leitura mesmo. Beijo, xará.

  • Carol Campos
    dezembro 22, 2018

    Imagina tu acordar e ver que 10 anos se passaram e não se lembrar de absolutamente nada, uma situação assustadora. Ter alguns flashes de acontecimentos passados e não saber se fazem algum sentido ou até mesmo se são reais, pertubador. Adorei! Já deixou claro que é aquele tipo de leitura envolvente que nos leva a repensar nossas atitudes, prioridades e rumo na vida. Como se reconhecer depois de 10 anos passados numa situação dessas, tô sem saber até agora como estaria no lugar dela, surtada certeza, haha Só tinha conhecimento do livro que deu origem a série agora, mais um para a lista de desejados.

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1076290292351930368?ref_src=twcamp%5Ecopy%7Ctwsrc%5Eandroid%7Ctwgr%5Ecopy%7Ctwcon%5E7090%7Ctwterm%5E3

  • O Vazio na Flor
    dezembro 17, 2018

    Este livro está na lista de mais desejados desde o seu lançamento.
    A autora não somente conseguiu construir um cenário único,mas trouxe esse lapso de tempo enorme na cabecinha dela e com isso, na imaginação do leitor também.
    Puxa, é muito tempo para ter sido apagado e a gente(eu) me peguei pensando em como agiria em uma situação assim!
    Espero descobrir! rs
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1074691071819612160

    • Carol Nery
      dezembro 18, 2018

      Angela, eu m coloquei no lugar da Alice várias vezes. Fiquei pensando como seria ter apagado aos 29! hahahaha Coincidentemente, meu 1º filho nasceu quando eu tinha 29 anos, então eu acho que também estaria tipo ela… querendo saber como estava a gestação. Meu marido e eu também o comparávamos com legumes e as mais diversas coisas conforme ia crescendo – coisa que não fizemos com o caçula. hahahaha
      Mas, é ao mesmo perturbador e interessante. É uma boa leitura!! Um beijo.