Conheci o autor Marcos Mota em um encontro literário realizado na biblioteca em que eu trabalho. Foi quando tive o prazer de ganhar seu livro “O Filho do Coveiro” autografado. Fiquei feliz por ser um romance, gênero que tanto gosto, achei a capa bonita e o título intrigante. Impossível não pensar imediatamente em cemitério… E é exatamente para um cemitério que a trama nos leva. Mais precisamente para o cemitério São Cristovão, situado na cidade mineira de Campo Verde, local que se tornou o segundo lar do protagonista Edgar Pomer, o filho do coveiro.

Desde criança Edgar se acostumou ao ambiente e a tudo que nele ocorre. Com o passar do tempo aprendeu o oficio de coveiro, para auxiliar o pai nas tarefas diárias. Mas, seus sonhos e planos para o futuro começam a mudar quando em um dos costumeiros enterros, ele conhece e se apaixona pela pequena Elisabete Sousa. Uma bela menina que chorava a morte do pai.

Da infeliz perda de Elisa surgiu o encontro, a amizade e posteriormente o amor do casal que manteve por anos encontros secretos no mausoléu da família da moça. Acompanhamos um amor romântico e é bonito ver como Edgar descreve Elisa com palavras doces, carregadas de admiração e paixão. Há na trama um clima de mistério devido boa parte dos acontecimentos se darem em um cemitério. O pano de fundo já é sombrio por si só, mas como se não bastasse o local é constantemente violado por saqueadores e feiticeiros praticantes de magia negra.

O romance é temperado com pitadas de ambição, inveja, mortes, misticismo, questões sociais… Uma série de obstáculos com os quais Edgar precisa lidar. Lendo é possível perceber que o amor por Elisa o impulsiona e o faz querer chegar cada vez mais longe e ousar em busca do melhor. Por amor ele batalha por conquistas e enfrenta situações de perigo.

A história é narrada em primeira pessoa por Edgar. Ele se mostra determinado e espeto. Gostei muito de seu raciocínio rápido! O personagem é sensível, tem fé em Deus e é capaz de enxergar a fragilidade da alma humana. Criativo se mete até a escrever histórias… Marcos descreve em seu livro sentimentos, pensamentos, cenários, cheiros… Isso me aproximou do ambiente e dos personagens. O pai de Edgar me pareceu um homem distante, pouco carinhoso com o filho que perdeu a mãe aos 5 anos.

Em compensação Edgar conta com a presença de dona Noemi, uma beata carinhosa que é como uma mãe para ele.  Como tudo se passa no início do século XX há um ar tradicional presente no comportamento dos personagens e também nos diálogos com um vocabulário mais formal. Apesar de não possuir um texto “moderno” como o dos romances atuais, a leitura é leve, rápida e como possui poucas páginas concluí em um único dia.  Não posso deixar de mencionar as pequenas ilustrações no início de cada capítulo, um detalhe delicado que combinou bastante com toda a proposta.

Gostei muito do romance. Na maioria das vezes leio histórias que se passam no séc. XXI, mas não posso negar que há um charme e uma elegância nos romances do passado. É agradável ver a forma respeitosa como os apaixonados se tratavam. Em contrapartida foi triste deixar a imaginação passear por uma Minas Gerais onde havia fazendeiros impiedosos com seus escravos. É estranho pensar em dinheiro e posição social falando alto nas relações de maneira tão explicita quanto era na época. O livro me fez “dar um pulinho” nesse passado recente.

Confesso que invejei a coragem e o desembaraço de Edgar para lidar com a morte. Medrosa como sou, gostaria muito de ser tão destemida quanto ele, que em nada se impressionava diante dos assombros do cemitério. A história é simples, curta, despretensiosa, mas irá mostrar a olhos atentos e a corações sensíveis um bom exemplo de determinação e fé. E você, já leu o livro? Gostou da resenha?

 

Essa matéria foi escrita por  Nathalia enquanto ainda era colunista do Coisas de Mineira. 

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Título: O Filho do Coveiro
Autor: Marcos Mota 
Páginas: 96 
Ano: 2015 
Editora: Mou
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