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O ENIGMA DE ANDRÔMEDA – MICHAEL CRICHTON | RESENHA

14 agosto, 2019 por

O Enigma de Andrômeda - Michael Crichton

Sem querer começar dando spoilers, mas meio que já fazendo isso: esse é um dos melhores livros de ficção científica que eu já li na minha vida toda. Não é muito um spoiler, eu sei. Mas é a mais pura verdade. E eu vou dizer porque. Michael Crichton é um gênio. E não, eu juro que não estou exagerando.

Apesar de O Enigma de Andrômeda ser o seu primeiro livro lançado, Michael é um dos escritos de sci-fi mais populares de todos os tempos. E, claro, não é pra menos: ele é o autor do célebre Jurassic Park! Na conta dele também temos: O Mundo Perdido, ER — Plantão Médico, Runaway: Fora de Controle. Ele também dirigiu Westworld em 1973. Algumas de suas outras adaptações são: Assédio Sexual, Linha do Tempo, Congo, A Esfera, O 13º Guerreiro e, claro, O Enigma de Andrômeda.

Vale ressaltar, também, que Cricthon era um romancista, diretor, roteirista, produtor e diretor. E não para aí: ele era formado em Medicina pela Universidade de Harvard. Por isso, várias de suas obras possuem um grande embasamento científico e biológico. É o caso, afinal, de O Enigma de Andrômeda, escrito em 1969.

E ainda não havia acontecido uma crise biológica. A variedade Andrômeda proporcionava a primeira. Segundo Lewis Bornheim, uma crise é uma situação na qual um conjunto, antes tolerável de circunstâncias, de súbito, pela adição de outro fator, torna-se inteiramente intolerável. Se o fator adicional é político, econômico ou científico pouco importa.

O Enigma de Andrômeda - Michael Crichton

Além disso, a obra foi adaptada para um dos mais reais e assustadores filmes do gênero, em 1971. Posteriormente, em 2008, o livro foi novamente adaptado, dessa vez para uma minissérie de TV estrelada por nomes como Viola Davis. Apesar de menos conhecida ainda do que o filme, a série foi indicada a seis prêmios Emmy!

Chegando com uma nova edição, pela Editora Aleph, em 2018, o livro é irresistível. A capa verde e as páginas com bordas pretas chamam muito a atenção. Não apenas chama a atenção, mas a mantém com grande firmeza. Crichton possui uma grande habilidade narrativa, capaz de manter o leitor com os olhos grudados nas páginas por horas sem fim.

Não são poucas as obras que tratam de invasão, descoberta e contato alienígena, dentro ou fora do nosso planeta. Temos obras incríveis, com abordagens completamente variadas. Temos aliens para todo gosto: pacíficos, agressivos, destruidores e apenas observadores. Temos aliens legais, que interagem com os seres humanos e às vezes só querem voltar pra casa.

Às vezes via o homem, com seu cérebro gigante, como o equivalente aos dinossauros. Todo estudante do primário sabia que os dinossauros haviam crescido para além de si mesmos e se tornado grandes e pesados demais para serem viáveis. Ninguém jamais pensara em considerar se o cérebro humano, a estrutura mais complexa do universo conhecido, fazendo demandas fantásticas ao corpo humano em termos de alimentação e sangue não seria idêntico.

Porém, a história tratada neste livro é única e completamente diferente de tudo o que já foi visto até hoje. É uma das formas de alienígenas mais interessantes (e talvez até mesmo uma das mais possíveis, dentro da realidade) que já nos foram apresentadas. A Variedade Andrômeda é uma entidade que não possui interesse em negociar, conhecer ou desbravar um novo mundo.

Desde o começo, Crichton manipula o ambiente do livro para que seja o mais crível possível. A fim de proporcionar uma imersão sem igual, até os agradecimentos do livro nos levam a crer que a história é, de fato, real. Quando li, cheguei a abrir a boca de susto e pensei: caramba, isso aconteceu de verdade?! Claro que, com cinco minutos no Google eu descobri que não.

Todavia, está ali, escrito. E apenas essa intenção já foi suficiente para que eu compreendesse a profundidade do trabalho de Crichton. A partir daí, a cada vez que abria o livro, eu me transportava para o período e o local da história. Sentia todo o medo e a ansiedade de quem estava ali, vivendo aquela crise.

Porque inegavelmente, essa é a primeira crise biológica da história. Ela é desencadeada quando um satélite feito justamente para captar microorganismos numa órbita próxima à Terra cai em uma cidadezinha minúscula do Arizona. Piedmont possui 48 habitantes e 46 são mortos logo após a queda do satélite Scoop VII.

A partir daí, mais pessoas se envolvem. O que era para ser apenas uma experiência se torna um pesadelo. Claro, os habitantes da cidade ajudaram a detonar a crise: quando a cápsula cai, eles a capturam e a abrem, liberando o microorganismo que posteriormente seria nomeado de variedade Andrômeda.

Eventualmente, o programa Wildfire é acionado. E ele se trata justamente disso: lidar com uma contaminação biológica do planeta. Existem grandes estruturas, gigantescos investimentos da NASA e do governo americano já previamente pensados para lidar com essa crise.

Embora o foco seja a Variedade Andrômeda, é muito interessante ver como os personagens são bem trabalhados ao longo do livro. Dentre todo o suspense, podemos conhecer melhor os quatro homens que são responsáveis pela sobrevivência ou aniquilação da vida como conhecemos. Progressivamente, podemos compreender melhor seus medos, capacidades, qualidades e defeitos.

Decerto, as reflexões propostas pelo livro não são poucas. Sequer pequenas. Frente a um universo tão amplo e desconhecido, qual a relevância real da humanidade? Até que ponto realmente queremos descobrir outras formas de vida? Será que o progresso não apenas da ciência, mas da inteligência humana, estão mesmo nos conduzindo rumo a um futuro melhor?

O Enigma de Andrômeda - Michael Crichton

Todas estas perguntas surgirão na mente do leitor. E, mais ainda, causam um certo temor e um certo desconforto para a vida real também. Afinal, mesmo sendo ficção, a verossimilhança da obra de Crichton com a realidade é enorme. E acredito que essa é uma das qualidades mais intensas do escritor. Ele sabe bem do que fala e nos passa todo esse conhecimento, causando a sensação incrível de realidade.

É claro que, se você não gosta de ficção científica, o livro pode parecer um pouco cansativo. Mas sua leitura é muito fluida e muito fácil, mesmo com todos os termos médicos e as descrições científicas. As páginas são levemente amareladas, no já conhecido papel pólen. O livro não é grande demais nem pequeno. Fácil de segurar e fácil de carregar na mochila ou na bolsa.

Seja você um fã de sci-fi ou não: O Enigma de Andrômeda é um livro que, definitivamente, vale a pena. Não apenas pelo suspense, pela emoção ou pela forma diferente de abordar um tema que já é bastante amplo. Mas também pela forma maestral com que o autor conduz os acontecimentos e como envolve o leitor. A atmosfera de tensão e a vontade de descobrir o que acontece a seguir comandam cada virada de página e, sem dúvidas, é impossível não ler até a última letra com a respiração acelerada.

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Título: O Enigma de Andrômeda
Autor: Michael Crichton
Ano: 1968
Páginas: 304
Editora: Aleph
Gênero: Drama, Fantasia, Ficção científica ,Ficção
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1 Comentário

  • Mayckel Oakes Vasconcellos
    novembro 06, 2019

    Estou na metade da leitura e já me sinto fascinado por todo o ambiente criado pelo autor. No início dá até um certo suspense com toques de terror, se assemelhando com aquela comida gostosa que recebe um tempero especial. Nunca havia lido nada do autor e até o momento estou curtindo o desenvolvimento literário, seja no roteiro ou na forma como ele nos conduz com a sua escrita. Excelente resenha e sucesso ao site.