A primeira vez que vi o livro “Nossas Horas Felizes” foi na página do grupo Editorial Record e me apaixonei pela capa, fiquei curiosíssima sobre a história, ainda mais quando li que era de uma escritora coreana que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares e, como estou na fase dos k-dramas (novelas coreanas) e tudo que tem a ver com meus amigos asiáticos, eu quis ler. Entretanto, acho que me esqueci como os asiáticos tem uma forma única de narrar uma história, te convidando a pensamentos profundos de pontos muito diferentes do que aqueles que fomos ensinados no ocidente. Mesmo já tendo visto vários  k-dramas e achando que já tivesse aprendido muito com eles, tomei mais um banho de humanidade e empatia enquanto li “Nossas Horas Felizes.”

Nesse enredo há dois personagens em momentos bem complicados da sua vida, se assim posso dizer. O primeiro é Azul (Yunsu), um jovem condenado ao corredor da morte por um crime hediondo, que passa seus dias esperando o dia em que sua sentença será executada, sem a esperança de uma reviravolta em seu caso. Ele é um preso briguento e com muita raiva, que achava que todas as pessoas ricas deveriam morrer, e passa muitos dias na solitária

“Odeio minha mãe, sei que, se  eu for visitá-la, vou querer me matar de novo. É por isso que , em vez disso, estou aqui. Não que eu goste de você, mas também não te odeio. Nós não nos conhecemos o suficiente para nos odiarmos. Então já que não podemos nos odiar, estar aqui é confortável pra mim. Ou talvez seja apenas a melhor opção agora. Por favor, não entenda mal. Não é só por isso.”

Em contrapartida há Yujeong, uma jovem linda e de uma família rica que pela terceira vez tentou suicídio. Sem ser compreendida pela família, desesperada por ser notada além da menina problema e revoltada com o mundo, é também uma personagem forte que tem lutado, da maneira que sabe, com os demônios do seu passado e a dificuldade em entender bem no que ela se encaixa. Para sair do hospital e não precisar de acompanhamento psiquiátrico, ela aceita acompanhar sua tia freira por trinta dias em visitas voluntárias a uma prisão para encontrar com presos no corredor da morte. É por causa desse acordo que as vidas de Yujeong e Azul vão se encontrar.

Não tinha muita ideia do que realmente o livro falava, então achei que seria uma história bem superficial e vaga sobre homem condenado a morte e uma mulher que tentou suicídio, mas nem imaginei que o enredo seria contado a partir do ponto de vista dos dois personagens e que a tia Monica era uma cola tão importante para a história. Muito menos que as partes de Azul teriam uma viagem a partir de sua infância até chegar onde está agora, através das cartas que ele escreveu na prisão, e essas partes foram as que mais cortaram meu coração e me deixaram em lágrimas, pois as tristezas e injustiças vividas por ele e seu irmão parecem não ter fim.

Só que também foi o que me mostrou o quanto ele era forte e incrível. Mas Leh, ele não está condenado a pena de morte? Sim, é verdade. Mas durante a leitura, você vai vendo que há mais nele no que sua condenação.

LIVROS EDITORA RECORD

Os outros capítulo são contados em primeira pessoa pela Yujeong no presente e através deles você vai sentir a raiva e revolta contra um condenado à pena de morte. Com o olhar frio de uma pessoa de fora da situação, e incapaz de sentir empatia pelo outro, fui convida a desvendar através de diálogos dela com sua tia e depois com o Azul, que há mais no ser humano do que podemos descobrir à primeira vista.

No início achei que Yujeong era uma pessoa egoísta, rica e mimada e fazia questão de olhar o outro de cima, sempre tentando se sentir superior, mas me esqueci de um pequeno detalhe: Ninguém tenta suicídio por nada e há sempre algo por trás. Também me esqueci que é uma autora asiática, e geralmente eles apresentam o amor por mostrar mais do que a fachada exterior do ser humano. Com o decorrer das páginas fui descobrindo mais da personagem que no início me pareceu fútil, e evoluindo junto com ela através das visitas e conversas.

É um livro tocante, angustiante e que me fez refletir capítulo por capítulo. Sempre ouvimos que o meio influencia a atitude e personalidade das pessoas, e seria muito fácil dizer do conforto da minha casa, da segurança que sempre tive através dos meus pais, que isso é simplesmente mimimi para tentar justificar aquele bando de monstros que matam e abusam sexualmente das pessoas, porém  eu acredito que o meio tem sim influência em nossas atitudes e escolhas.

Algumas vezes a violência e a raiva são as únicas coisas que a pessoa conhece, e no caso do Azul, ele teve que conviver com isso desde bem pequeno, aprendendo a lutar para sobreviver. A vida não foi um mar de rosas e as dificuldade e eram muitas, então vamos dar um desconto a ele e descobrir durante a leitura o que realmente aconteceu.

LIVRO NOSSAS HORAS FELIZES - GONG JI-YOUNG EDITORA RECORD

Te convido a ler, mas mais ainda te convido a conhecer a calma de um povo, seu jeito simples de viver que, mesmo com toda a dificuldade, sempre tenta achar um jeito de lembrar que o outro é humano e por isso falho. A forma como Gong Ji-Young escreve é envolvente, poética é única, o que não é de admirar, não é?! A mulher é uma das romancistas mais aclamadas de seu país e isso não é a toa,  já que seu jeito tocante e simples de contar uma história mostram o porquê do seu reconhecimento.

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Título: Nossas Horas Felizes 
Autora: Gong Ji-Young
Ano: 2017
Páginas: 280
Editora: Record
Gênero: Ficção, Jovem adulto, Romance 
Onde comprar: AMAZON