Existem alguns livros que começamos a ler e, as primeiras páginas são difíceis, se passam vinte e pensamos que já são umas duzentas, mas quando as vencemos eles se mostram uma surpresa. “Minha Vida (não tão) perfeita” é um desses. A história gira em torno de Cat Brenner, moradora de Londres que tem uma vida badalada. Vai a restaurantes chiques, trabalha com branding em uma empresa de publicidade, tem vários amigos, mora em um apartamento lindo, enfim, uma vida perfeita, ao menos em seu perfil no Instagram. 

“Chegar ao trabalho em Londres é praticamente uma guerra. É uma operação militar constante de tomada de território; de avançar aos poucos e nunca relaxar nem por um momento. Porque, se der mole, alguém vai pegar o seu lugar. Ou vai passar por cima de você.”

Na verdade Cat se chama Katie, trabalha como assistente de pesquisa na Cooper Clemmow, empresa de publicidade, tem que enfrentar um trajeto de mais de uma hora de casa para o trabalho e seu salário mal dá para viver em Londres. Vive tirando fotos dos lugares e de coisas legais para postar na rede social, mas não viveu nada do que coloca lá. Para o mundo, ela tem a vida perfeita em Londres, mas na realidade as coisas não são tão boas assim. 

Demeter é sua chefe e virou uma inspiração: sempre está indo em festas e premiações, já experimentou ou tem todas as novidades, adora tudo o que é orgânico, mora em uma casa linda que já foi pauta de matérias em revistas de decoração, e que tem uma escada que é um sonho de princesa.

Possui um marido bem sucedido e bonito, além de filhos perfeitos, enfim, aos olhos de Cat, Demeter tem a vida londrina perfeita.

“Minha intenção não passava nem perto dessa. Mas, enquanto estou ali sentada observando Demeter e Carlo num momento só deles, não consigo deixar de sentir um calorzinho por dentro. Como acontece quando vemos uma criança dormindo, um carneirinho correndo ou até mesmo uma maratonista bebendo água. Você pensa ‘eles precisavam disso’ e sente uma espécie de satisfação por eles, independentemente de quem sejam.”

Mas tudo isso muda quando Demeter demite Cat, e a garota acaba voltando para a casa do pai e da madrasta, que abriram recentemente um camping de luxo. O que ela não esperava é que sua antiga chefe resolve conhecer o novo camping de luxo que tanto falam e Cat fica cara a cara com a mulher que destruiu vários dos seus sonhos.

Uma comédia, sem dúvidas nenhuma. Depois de vencer as primeiras páginas, eu tive muitos motivos para rir. A personagem principal é bem doida, e sinceramente eu me vi muito nela, e acredito que várias pessoas irão se identificar também. Algo que o livro traz é a questão das aparências, que é um assunto muito pautado nas minhas rodas de conversa. Vemos em perfis de rede social, vidas que são absolutamente perfeitas: as pessoas viajam, vão às festas, casam, constituam família, ganham presentes, apenas coisas boas. Mas o que realmente acontece, fica escondido.

“Não consigo parar de rir da situação ridícula na qual nos encontramos. Ao nosso redor, as pessoas estão entrando na onda do Papai Noel e cantando Mariah. Vejo dois Papais Noéis andando numa bicicleta de dois selins, e um cara acabou de subir numa bicicleta daquelas com roda dianteira bem maior do que a traseira.”

A capa apesar de ser simples, combinou bastante com a história, acho que o elemento que chamou mais a minha atenção foram as palavras “não tão” jogadas e se destacando. A escrita de Sophie e leve, apesar de ter sido difícil as primeiras páginas, as outras foram passando sem que eu nem percebesse. Ex-jornalista de economia, a britânica também lançou a série de livros “Shopaolic”, que tem títulos como, “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, pela Editora Record.

 
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Título: Minha Vida (Não Tão) Perfeita
Autora: Sophie Kinsella
Ano: 2017
Páginas: 406
Editora: Record
Gênero: Romance, Comédia
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