{ #RESENHA } A MENINA QUE NÃO ACREDITA EM MILAGRES – WENDY WUNDER

17 abril, 2017 por

Título: A menina que não acredita em milagres | Wendy Wunder | Ano: 2017 | Páginas: 288 | Editora: Novo conceito | Gênero: romance, sick-lit | Adicione ao Skoob

“Mas essa a questão sobre morrer. Fazia você se livrar das
preocupações que não tinham a menor importância na sua vida.”
A história de Campbell é a seguinte: uma garota que logo
jovem descobriu estar doente, que viu os médicos desacreditarem a cada tratamento
mal sucedido e que agora sabe que, nunca passará dos 17 anos. O Câncer tomou
conta do corpo dela, logo após tomar conta da vida dela, que foi baseadas em
consultas, internações e inúmeras tentativas de fazerem as coisas melhorarem.
Quando seu médico diz que não há outra opção, Cam só quer continuar a fazer
aquilo que ela sempre fez: seguir em frente, mesmo que a duração do “em frente”
seja curta.

Alícia, sua mãe, por outro lado, sempre lutou pela sua filha e
ainda não está pronta para desistir. Entre consultas transatlânticas sobre o
futuro e todo o tipo de rituais e mandingas, Alícia aceita a dica de um amigo
muito confiável – que vive num pântano, é dono de cinco iguanas, vive se
alimentando de comida de bebê e tem uma coleção enorme de… ervas – e embarca
em busca de uma pequena cidade no Maine chamada Promise, um lugar supostamente “secreto”,
para o qual é preciso seguir uma trilha extremamente específica para encontrar.

“Era a prova final para Cam (como se ela precisasse disso)
de que o amor verdadeiro não existia. As ligações entre as pessoas eram
temporárias. Egoístas. Oportunistas. Destinadas a perpetuar a espécie. ‘Amor’,
o amor romântico, era apenas uma fantasia que se permitiam porque, caso
contrário, a vida seria chata demais para suportar.”

Cam descobre uma lista antiga, chamada Lista do Flamingo, que a impulsiona a procurar intensidade. Viajar para um lugar “mágico” não é uma aventura para uma garota cética que está prestes a morrer, mas ela topa mesmo assim e embarca com Perry, sua irmã, e sua mãe. O caminho para Promise reserva para Cam muitas reflexões e encontros que mudarão completamente aquele verão, e o resto de vida que ela tem. Mas a chegada na cidade fará ainda mais: além de ver coisas completamente improváveis e conhecer pessoas que ela nunca sonharia conhecer, Cam vai experimentar sensações que ela nunca procurou, mas que eram necessárias para que a vida dela mudasse.
Logo quando chegam na cidade são recebidas por um belo garoto chamado Asher, que além de bonito demais para parecer um psicopata, ainda lhes oferece abrigo gratuito já que o Hotel misterioso da cidade está em reforma. Coisas boas e ruins acontecerão na cidade, e uma notícia triste fará Cam enxergar muito do que ela teimava em não ver. Porque ela persiste com seu ceticismo, mas, não é preciso acreditar em milagres para viver um.
 “ – Algumas pessoas
dizem que se deve prestar atenção em coincidências – (…) – Pode mostrar a
você seu caminho. Além disso, essas coincidências são suficientes para manter
as pessoas acreditando. Para lhes dar um pouco de esperança.
– Acreditando em quê? Flamingos? Esperando pelo quê?
– A esperança, minha amiga, é a própria recompensa.”
Esse livro é um sick-lit narrado de uma forma bastante
sóbria, o que faz ter um teor menos dramático que esse tipo de livro geralmente
tem. A escrita da autora é bastante gostosa, dá para ler num piscar de olhos,
cheia de um humor bastante ácido que se une à personalidade de Cam e forma uma
obra realmente única. A família de Cam está longe de ser a família tradicional,
seu pai morreu há alguns anos e sua mãe tem dificuldades em manter um
relacionamento duradouro – o que a deu sua irmãzinha Perry, inclusive.

Toda
essa atmosfera bem humorada e tão diferente faz a gente se divertir no livro e
ainda sim, mexe com a gente nos fazendo pensar sobre o que é o futuro, o que é
o pra sempre. Acredito que o que eu mais gosto no livro é como Cam passa por
uma transformação natural. Ela vai deixando o egoísmo de lado e ficando mais
leve ao longo dos capítulos, e, diferente de um paciente terminal que faz
coisas boas meio que buscando a “redenção”, ela as faz porque percebe que é o
que ela deveria fazer.


“Talvez o grande desdobrador do universo no céu estivesse
dobrando sua vida num grande cisne de origami, em vez de amassá-la como uma
bola e jogá-la inacabada numa cesta de lixo, como se ela fosse um grande erro
cósmico.”
Além disso, há a descoberta do amor. Mas não daquele amor
que a gente derrete vendo o casal se apaixonar de uma forma romântica e fofa,
no livro ocorre de uma forma muito, muito mais sutil. Cam também muda sua
concepção sobre o amor ao longo do livro, e o fato de ela descobrir que o agora
é feito de pequenos “para sempres” foi me deixando com o coração aquecido no
final do livro. E acredito que essa era a ideia da autora, nos mostrar esses
reconhecimentos para que chegássemos ao final do livro com o pensamento
diferente de quando lemos a primeira página.

Eu só percebi o quanto esse livro
mexeu comigo quando terminei porque ele não fala só de descobertas, fala de
aprendizado, de esperança, de aceitação e auto-conhecimento. Fala sobre
família, amor e amizade, e como nem tudo é o fim do mundo. E o que eu acho mais
importante é que nos mostra o que são verdadeiros milagres, que não precisam
ser coisas enormes. Essa edição é maravilhosa, devo dizer que é um dos livros
mais bonitos que entrou na minha estante esse ano, com o fundo todo colorido
com Flamingos – que são tão icônicos da história – além do mapa das estrelas e
o título em alto relevo… A editora realmente caprichou!

Vocês leram? Me contem se essa história mexeu com vocês tanto
quanto mexeu comigo!

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5 Comentários

  • Fabiana Scola
    agosto 23, 2018

    Eu já tinha visto essa capa, mas vou confessar que o título, muito interessante por sinal, não fechou com a diagramação, na minha opinião não se fecharam o que não me fez ir atrás do assunto. Lendo agora, vejo que esse livro é mais versátil do que eu poderia imaginar. Historia de um lado, titulo do outro e desenho/colorido para outro, mistura tudo e dá essa obra que pelo jeito é muito bem abordada, tratando de um assunto triste mas que trás profundidade e não só melancolia, trás esperança e não só queixas ou questionamentos. Mesmo tendo achado uma bagunça e nada combina com nada, vou confiar nos teus elogios e tentar abraças essa historia de coração aberto. Sem melodrama já meio caminho andado para eu gostar. O drama já é pesado por si só, choramingos me incomodam e o tom de esperança e humor ácido me agradam.

  • Carol Campos
    abril 19, 2017

    Bem colorido pra quem não está de óculos escuros né?! Hehe (Sem piadinhas, sorry!) Mas, curti o enredo da história e me interessei. Envolvente, comovente e reflexivo vou aproveitar a leitura quando tiver a oportunidade de ler.

  • Ø Väzïø ñä Flø®
    abril 18, 2017

    Deve ser um livro bem fácil de ser lido, pela descrição acima. O que antes parecia difícil e dolorido, torna-se uma leitura leve e sem a dor que esta doença causa em todos nós.
    Não conhecia o livro,mas fiquei encantada com a capa, título e tudo que li e com isso, ele vai para a lista de desejados com certeza!
    Beijo

  • RUDYNALVA
    abril 17, 2017

    Lo!
    Bom ver um sick-lit que não causa uma leitura depressiva, ao contrário, nos faz ter esperanças em pequenos milagres que acontecem e ainda nos faz crer que mesmo com pouco tempo de vida, muito pode ser vivido.
    Desejo uma ótima semana!
    “Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria.” (Campbell)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

  • Helenna Manuele
    abril 17, 2017

    Eu ainda não li, mas esse livro parece ser incrível!!! Eu o adicionei na lista de babys que vou comprar quando eu tiver dinheiro!!! Estou ansiosa para ler ele.