{ #RESENHA } A GUERRA QUE ME ENSINOU A VIVER - KIMBERLY BRUBAKER BRADLEY

Quando terminei “A Guerra que salvou a minha vida tive que ir correndo ler a continuação ”A Guerra que me Ensinou a Viver’‘  queria saber como a autora iria continuar a história de Ada e devo dizer que se o primeiro fez com que eu me apaixonasse, no segundo foi impossível evitar as lágrimas que correram pelos meus olhos (ou seria, tem olhos nas minhas lágrimas?).

“Dois pés. Dez dedos, todos apontados para a frente; dez unhas, todas para cima. O pé direito era menor e cheio de cicatrizes, ainda com um calo na pele onde o topo costumava fazer as vezes de base. Mas parecia um pé, não uma aberração. Se eu tivesse um pé assim, talvez a Mãe não gritasse comigo. A cirurgia tinha funcionado. Eu não tinha mais pé torto. Enquanto eu olhava, meus pés me embaçaram, então clarearam, então embaçaram de novo. Grandes bolhas de lágrimas despencaram dos meus olhos.”

{ #RESENHA } A GUERRA QUE ME ENSINOU A VIVER - KIMBERLY BRUBAKER BRADLEY

Depois dos eventos que ocorreram no final de A Guerra que Salvou a Minha Vida Ada finalmente fez a cirurgia que iria consertar o seu pé torto. Durante a recuperação dela várias coisas aconteceram no vilarejo e em Londres, agora a menina que antes tinha o pé feio e diferente está com um pé normal, mas nem tudo são flores, as cicatrizes existentes são muito mais profundas do que apenas a aparência de um pé. Lidando com as incertezas da vida, Ada volta para o vilarejo com Susan e Jamie, para no meio da Segunda Guerra Mundial, tentar reconstruir a vida. Essa é a história de “A Guerra que me Ensinou a Viver”, lançado este ano pela editora DarkSide Books.

“Em cima da França ela escreveu ‘ocupada pela Alemanha’. “Pior que dragões”, comentou. Eu duvidava. Pior que lagartos gigantes, voadores, que cuspiam fogo? Talvez pudéssemos mandar uns os dragões atrás do Hitler.”

DICA DE LEITURA: A GUERRA QUE ME ENSINOU A VIVER - KIMBERLY BRUBAKER BRADLEY

No primeiro volume, conhecemos Ada, Jamie, a Mãe e Susan, os outros personagens aparecem, mas acabamos não os conhecendo direito. No segundo isso muda, vemos mais de Maggie e Lady Thorton, além de algumas outras pessoas que vão aparecer no decorrer da história e, de Lorde Thorton e Jonathan (irmão de Maggie).

Pedir para ler um livro feliz, que se passa no meio da Segunda Guerra Mundial, provavelmente é pedir muito, eu sei. Então, a primeira coisa que vou dizer é que nessa continuação as pessoas morrem, SIM, e minhas lágrimas não foram o suficiente para confortar meu coração. Não desistam de ler, por causa disso, por favor, porque o mais fascinante no enredo, é como no decorrer das páginas, vemos Ada lidar com suas cicatrizes e sentimentos confusos, aprendendo mais sobre a vida e o mundo. Vemos uma Ada ajudando as pessoas, sem saber o que estava fazendo, e inspirando a todos a serem melhores do que já são.

Muito além dos problemas de maus-tratos que Ada sofreu, o livro fala um pouco sobre os problemas que todos sofreram na segunda guerra. O racionamento de alimentos, os bombardeios constantes, o medo da invasão, os entes queridos indo para a guerra e morrendo nela. Além de toda a cooperação entre a sociedade que ela gerou, porque mesmo aqueles que não foram para a linha de frente, lutaram da sua própria forma protegendo suas casas e vilarejos.

A forma como a autora escreve a história de Ada e como ela foi superando os desafios é maravilhosa. Então, como disse no início as lágrimas não puderam ser evitadas durante a leitura. E, preciso dizer, pode até ser uma duologia, mas se houvessem mais livros, eu compraria com certeza. Espero poder conhecer outros trabalhos da autora.

“Arrumei o presente perfeito para você”, disse ela. Entregou-me uma folha de papel. “Aqui. Feliz Natal.” Eu cruzei a sala, empurrei o Jamie para o lado me sentei. Desdobrei o papel da Susan. E li, em grandes letras impressas: “Transferência de propriedade do pônei de nome Manteiga, de Susan Elizabeth Smith a Ada Maria Smith. Vinte e seis de dezembro, 1940”.

DICA DE LEITURA: A GUERRA QUE ME ENSINOU A VIVER - KIMBERLY BRUBAKER BRADLEY

Kimberly Brubaker Bradley mora em uma fazenda no sopé das Montanhas Apalaches, entre pôneis, cães, gatos, ovelhas, cabras e muitas árvores. “A Guerra que me ensinou a viver” é o segundo livro da autora no Brasil, e chegou pela linha Darklove da Darkside, bem naquele estilo que gostamos: com a diagramação mais linda <3. A capa tem aquele toque de colcha de retalhos e o desenho da menina com o cavalo. Como sempre, Darkside nos fazendo morrer de amores por uma de suas publicações.

“Quando fui evacuada, eu queria ser feito a garota no pônei, correndo com o trem. Agora eu era. Certas partes de mim ainda eram confusas – mas talvez aquela garota também fosse confusa. Eu só a havia visto por fora.”

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Título: A Guerra que me Ensinou a Viver 
Kimberly Brubaker Bradley 
Ano: 2018
Páginas: 280
Editora: DarkSide
Gênero: Drama, Ficção, infantojuvenil
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