A minha resenha desta semana é sobre o lançamento da editora Seguinte Fraude Legítima “, da autora E. Lockhart (que ficou muito conhecida por “Mentirosos”). Com uma proposta de thriller psicológico envolvendo duas amigas adolescentes, o livro inova ao não contar a história em ordem cronológica e sim do final para o começo, porém seu enredo não é tão inovador assim e talvez você se lembrará de ter visto EXATAMENTE  essa mesma história antes…

Acompanhamos a vida de Jule, uma jovem órfã de 16 anos, que no início da história encontra-se em um resort no México. Apesar de citar diversas vezes sua melhor amiga Imogen e estar em um quarto onde todas as coisas dela também estão, a garota está sozinha. Viciada em esportes, musculação, histórias de super-heróis e com grande facilidade em se reinventar, certo dia na academia do hotel Jule é abordada por Noa, uma mulher que ela suspeita ser policial, e prontamente planeja uma fuga de urgência e… bom, este é o final da história. Como eu disse, os fatos são contados do final até o começo (mas terá um desfecho).

No capítulo seguinte voltamos então algumas semanas para encontrar em Londres a misteriosa Jule, hospedada sozinha no apartamento de sua amiga Imogen.  Imogen Sokoloff foi adotada ainda bebê por uma família rica, sempre teve tudo o que quis e decidiu largar a faculdade para se “conhecer” com o namorado Forrest. Porém, no seu apartamento em Londres, Jule encontra uma carta de suicídio escrita pela jovem, o que causa indignação e descrença em seus familiares, amigos e namorado. O que será que existe por trás deste mistério? Qual é a relação entre Jule, Imogen e seu repentino suicídio? Por que Jule acabará sendo perseguida pela polícia?

Apresentando uma trama até envolvente, o livro é de leitura fácil e rápida (principalmente por ter menos de 300 páginas). É difícil se identificar com as personagens, o que dificulta que você entre rapidamente no clima do livro, mas quando isso acontece é bem interessante. Apesar de ser diferente contar a história de forma invertida, confesso também ser bem confuso. Fica difícil entender e organizar os fatos quando estes são jogados a você de uma forma complicada e cansativa.

“Jule acreditava que quanto mais se suava no treino, menos se sangrava na batalha. Ela acreditava que a melhor forma de evitar ter o coração partido era fingir não ter coração.”

Agora lembram que eu mencionei que talvez você já tenha visto essa história antes? Pois bem, durante a leitura eu comecei a ficar extremamente desconfortável com a semelhança à “O Talentoso Ripley” de Patricia Highsmith (e que tem um filme, lançado em 1999). Mas não é qualquer coincidência de fatos, é uma completa releitura trocando apenas o gênero dos personagens e os países onde tudo acontece. Ao final do livro, nos agradecimentos, a autora menciona Patricia e agradece pela inspiração, mas sendo sincera ela devia agradecer pela obra completa pois até as cenas marcantes acontecem exatamente iguais.

Narrado em primeira pessoa pela personagem Jule, “Fraude Legítima” não supera as expectativas, que aliás estavam lá no alto devido à qualidade de “Mentirosos”. Infelizmente ele fica na minha lista de “capas bonitas”, mas a história fica a desejar. Agora, se você ainda não conhece a história de “O Talentoso Ripley” e não se importa com muitas pontas soltas, talvez se aventure a arriscar.

“O amor era o que se deixava para trás quando se tornava o que ela era agora. Grandiosa. Perigosa. Havia corrido riscos e se reinventado.”
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Título:Fraude Legítima
Autora: E. Lockhart  
Ano: 2017
Páginas: 280
Editora: Seguinte
Gênero: Ficção, Jovem adulto, Suspense e Mistério
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