Há alguns meses eu cobri a cabine de imprensa do filme “Depois Daquela Montanha”. a adaptação literária do romance do autor Charles Martin, publicado no Brasil pela editora Arqueiro. A convite da editora estou aqui hoje para resenhar o livro que recebi como cortesia e fiz uma leitura super rápida e agradável. Em linhas gerais (mas você pode ver na íntegra AQUI), achei a fotografia do filme incrível e a escolha de atores excelente, porém o desenvolvimento do despertar romântico não me cativou, não consegui torcer por eles, faltava química. Qual foi minha surpresa ao encontrar no livro um casal em extrema sintonia, que desenvolve a partir das dificuldades uma cumplicidade linda de se imaginar?! Bom, vamos à história.

Ben Payne, um cirurgião ortopedista voltado para a área dos esportes, se encontra no saguão do aeroporto de Salt Lake City aguardando seu voo para casa após duas semanas de Congresso de Medicina. Devido à chegada de uma imensa tempestade, ele observa o painel onde todos os voos estão sendo cancelados. Em meio a essa confusão, vê se aproximando do local onde está sentada a jornalista Ashley Knox, e através de uma conversa casual descobre que a moça está na véspera de seu casamento e por isso precisaria embarcar com urgência para casa.
Com o cancelamento do voo confirmado e sem previsão de um novo, Ben tem a ideia de fretar um avião menor para assim seguir até Denver (um trajeto de 2 horas) e fugir da tempestade, pegando um voo para casa de lá. É assim que conhece e contrata os serviços do agradável e experiente Grover (e de quebra do seu cachorrinho que sempre o acompanha), um senhor de idade acostumado em fazer viagens curtas a locais remotos, e tendo um lugar sobrando se lembra da pobre noiva que conheceu no saguão e a convida a ir junto. Tudo parece bem e estão seguindo o planejado ao fugir da tempestade, até que Grover sofre um ataque cardíaco durante o trajeto e o avião acaba caindo em uma região de montanhas gélidas extremamente isolada de todas as outras, cercada por um parque de preservação ambiental. Com Kate severamente machucada, poucos suprimentos, nenhum familiar ciente da alternativa de transporte e poucas chances de resgate, os dois precisam encontrar forças para superar a situação e tentar sobreviver.
Os personagens do livro são exemplares em diversas formas que é necessário enfatizar. Como  é narrado por Ben, podemos acompanhar suas inseguranças e incertezas juntamente com a postura otimista frente à Ashley, o cuidado com a mulher que se encontra em uma situação mais crítica após o acidente. Já Ashley não assume o papel de sofredora em apuros e mostra bastante otimismo e força ao enfrentar toda a dor que sente, sem desistir, se render ou martirizar. Sem mentir um para o outro ou esconder a gravidade do que estão vivendo, eles optam muitas vezes pelo humor para criar coragem e dar o próximo passo.
“- Área de Preservação Ambiental das Altas Uintas. As Uintas são a maior cadeia de montanhas com orientação nascente-poente do continente, com 1,3
milhão de acres de natureza selvagem, e recebem de 13 a 18 metros de neve por
ano, mais até, em alguns pontos elevados. Têm mais de setecentos lagos e
algumas das melhores possibilidades de caça e pesca de qualquer lugar do
mundo.
– Parece remoto.
– Lá no meio fica uma floresta nacional declarada área de preservação ambiental, o que significa que não se permite nenhum tipo de veículo motorizado.
Portanto, é um dos lugares mais remotos do planeta. Está mais para Marte que para Terra. Sair e lá é difícil e entrar é uma pauleira. Se vocês assaltassem um banco e quisessem se esconder, esse seria um ótimo lugar.”
Como disse no começo, uma das coisas que mais me incomodou no filme foi a forma como este amor surgiu de forma superficial e inesperada, o que traduzi como uma confusão com instinto de sobrevivência visto que ela estava para se casar e ele citou em alguns momentos ter uma amada esposa. Já no livro a história flui de outra forma. Nós podemos sentir a sintonia dessas pessoas que se encontraram ao acaso. Eles se completam e um encontra forças no outro para enfrentar o próximo obstáculo, quando um cai o outro já está pronto ao seu lado e vice-versa. Ben Payne, retratado como um frio e misterioso cirurgião, age nas telonas com teimosia e arrogância. Agora no livro sua maior virtude é se preocupar com seus pacientes, ser bondoso e atencioso, além do grande amor que sente por sua esposa e nos é mostrado ao longo de seus vários relatos sobre o passado dos dois (trechos dos mais lindos que já li até hoje). Já Ashley não se apresenta como a impetuosa e geniosa do cinema, e sendo assim eles não protagonizam tais cenas de discussão e discordância mostradas, são parceiros desde o começo. Acredito que então eu possa afirmar que, para mim, as falhas do filme se resumem às escolhas de direção e roteiro uma vez que a história-base é bastante consistente.
Capaz de deixar qualquer fã de romance com os olhos repletos de lágrimas, principalmente os fãs de Nicholas Sparks, “Depois Daquela Montanha” é uma pedida segura e reconfortante. Um relato de situações que mudam as pessoas e que após compartilhá-las com outra pessoa é impossível saírem da mesma forma. Uma história de cumplicidade e amor que apenas quem viveu poderia entender. Essa sim é a história de Ben e Ashley, e essa é emocionante!
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Título: Depois daquela montanha 
Autor: Charles Martin
Ano: 2017
Páginas: 304
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance, Drama
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