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A CAÇA – M. A. BENNETT | RESENHA

11 março, 2019 por
A Caça - M. A. Bennett

O livro de hoje é um super lançamento deste mês, da editora Arqueiro. Com uma proposta atraente de suspense, mistério e ação em um ambiente escolar de tradições antigas, “A Caça” chega para tirar o sossego do leitor que deseja arduamente saber o que está acontecendo!

Greer McDonald não é rica, muito menos privilegiada, porém vê seu cenário mudar ao conseguir uma bolsa de estudos na mais tradicional escola interna da Inglaterra: a STAGS . Sua adaptação não é das mais fáceis, pois a escola conserva com orgulho características medievais, como uniformes no modelo Tudor, professores que são antigos alunos e chamados de Frades, valorização da caça e das Cruzadas, galhadas de cervos espalhadas em todos os ambientes, cerimônias religiosas frequentes e obrigatórias presididas pelo Abade, e o principal: ausência da tecnologia moderna.

Não entenda errado, eles usam algumas tecnologias como luz elétrica e carros, mas abominam celulares e redes sociais. Tentando se enturmar, logo Greer se acostuma ao novo estilo e isso a desliga completamente do mundo externo. Já dentro da escola sua situação não é das melhores porque ninguém conversa com ela, passa dias de completo silêncio como uma garota bolsista que é.

“Minha diretora achou que eu tinha notas boas o suficiente para conseguir uma bolsa de estudos, e ela estava certa. Mas, se soubesse o que iria acontecer naquele período de outono, não teria me esforçado tanto.”

A Caça - M. A. Bennett

Livro A Caça

Até que um dia recebe em seu quarto um envelope contendo os dizeres: CAÇA  TIRO PESCA. É um convite dos “medievais”, um grupo composto pelos seis alunos mais privilegiados e influentes da escola, para que ela passe o fim de semana do feriado na casa de campo do líder deles. Sua animação é imediata, o que a cega para os sinais de que algo pode não estar certo. Ainda mais quando chega ao local e descobre que os outros dois convidados também não são tão queridos assim na escola, um rico indiano e uma filha de um criador de tecnologia celular.

Em poucas páginas (234) A Caça consegue desenvolver uma história que te prende e te anima, sendo impossível fazer pausas muito longas. Com grandes doses de adrenalina, não há muito tempo para enrolação, o fim de semana logo começa e você precisa descobrir com Greer tudo o que está acontecendo, ou vai acontecer, mas assim como ela você não tem a menor ideia do que será.

Os medievais são muito bem descritos pela autora e é difícil não criar a imagem de cada um deles, com suas peculiaridades arrogantes, na cabeça. Eles não se acham superiores, tem a certeza disso, e por este motivo agem com os outros à forma que bem entendem, julgando e executando a sua sentença.

“Devo deixar bem claro, antes que você perca toda a simpatia por mim, que não matei com as minhas mãos. Eu ajudei a provocar uma morte, mas não sozinha. Sou como um caçador de raposas.”

Greer, embora pareça bem esperta no início, é facilmente seduzida pelos benefícios oferecidos de forma inexplicável a ela. Essa cegueira da protagonista chega a irritar em vários momentos, irrita até mesmo os seus colegas de desafio, Shafeen e Chanel. Eles são bem mais rápidos em deduzir e nos contar o que está acontecendo.

Algo muito interessante na história é como a autora se utiliza de referências atuais no seu texto, o que nos insere de forma muito mais efetiva. São citados Harry Potter, A Culpa é das Estrelas, Sherlock, Aladdin e vários outros. Além disso, os capítulos são bem curtinhos e eu desafio você a conseguir parar sem pensar nenhuma vez “vou ler só mais um”.

“Eu sou uma assassina. Se bem que, como não tive a intenção de matar, imagino que tenha sido um caso de homicídio culposo.”

Infelizmente existe um forte ponto negativo de a Caça, uma escolha infeliz da autora que acarretou em todas as outras páginas: a personagem principal, a Greer, te dá um um mega spoiler na primeira linha do livro! Ela diz “Eu sou uma assassina”. Não satisfeita, na página seguinte ela disse quem morreu e quem são seus cúmplices agora na escola, quem troca olhares com ela. Só com essas informações já dá para deduzir muita coisa e cortar muita emoção. Lembre-se que o livro só tem 234 páginas.

Confesso que ao chegar nas últimas páginas do livro foi batendo um desespero. A história mudou muito do que eu estava praticamente certa que seria e tive medo de ficar decepcionada… Mas o epílogo me salvou! Acredito que não existia uma melhor forma de encerrar toda a trama, e por isso fica aqui a minha indicação para que você se aventura neste cenário atual e medieval, onde quase tudo que aparenta, não é!

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Autor: M.A. Bennett
Páginas: 234
Editora: Arqueiro
Gêneros: Suspense, Mistério
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4 Comentários

  • Carol Nery
    março 18, 2019

    Combinei com umas amigas de ler mês que vem. Eu tava sem money pra pegar a caixinha.
    Mas né? Tô bastante curiosa! Acho que pode me agradar esse estilo de caçada e banhado a muito sangue.

    • Karina Rodrigues
      Karina
      abril 16, 2019

      Carol… Quero mesmo ver a sua opinião. Hahahaha. Você que é mais sangrenta como eu.

  • O Vazio na Flor
    março 11, 2019

    Puxa, amo o gênero e como não conhecia o livro, estou aqui fascinada com tudo que li acima. E oh, adorei o jogo de imagnes! Caiu como uma luva a cegueira da personagem e em tudo que ela passa.
    Um jogo de gato e rato, literalmente!
    Com certeza, o livro vai para a lista de desejados.
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1105146758068387841

    • Karina Rodrigues
      março 11, 2019

      É realmente um jogo de gato e rato, ou melhor, de caçador e cervo… Atirador e faisão… Pescador e peixe… Não deixe de ler e depois me diga o que achou!