Num dia comum, uma enorme nave começou a orbitar a terra. Depois de um tempo de silêncio, muita inquietação surgiu na população que questionava o objetivo daqueles extraterrestres ali. Num outro dia comum, veio A Primeira Onda, durou segundos. Um PEM, pulso eletromagnético, destruiu tudo o que funcionava de forma elétrica, matando apenas uma pequena parte da população mundial, meio milhão.

A Segunda Onda fez esse número parecer ridículo, matando três bilhões de pessoas com um tsunami gigante em cerca de um dia. A Terceira? Matou quase quatro bilhões com um vírus. A Quarta Onda foram os silenciadores, preparados para matar quem quer que tivesse ousado sobreviver. E A Quinta Onda? Bem, essa só se pode saber depois de concluir a leitura.

“Por ora, a água é suficiente. Nada vai me fazer aproximar de alguma cidade, a menos que seja necessário.
Por inúmeras razões.
Você sabe afirmar quando está se aproximando de uma delas? O cheiro. Você consegue sentir o cheiro de uma cidade a quilômetros de distância.
Ela cheira a fumaça. E a esgoto a céu aberto. E a morte.”

Cassie tem apenas 16 anos, mas ao invés de uma adolescente comum, ela é a garota com o Ursinho numa mão e uma M16 na outra. Depois de ver a mãe morrer na terceira onda, Cassie, seu pai e seu irmão mais novo Sammy, são obrigados a sair do seu lar em busca de algum fio de esperança. Após um tempo num acampamento, soldados os encontram e levam Sammy para uma base protegida. Mas, num clima de guerra, é difícil saber quem é o inimigo, e Cassie agora está sozinha. Perseguida por um Silenciador, ela quase morre por causa de um tiro.

Ela morreria sangrando, mas se isso não a matasse, uma infecção o faria. Ou o frio. Nesse frenesi de não saber nem o que acontecerá no segundo seguinte, Cassie guarda sua promessa de encontrar o irmão e adormece. Quando acorda aquecida numa cama, coberta por lençóis e com suas feridas tratadas, ela conhece seu resgatador, Evan Walker. Ele é lindo, claro, e bom em tudo o que faz. Mas se o clima ainda é de guerra, como saber se pode confiar nele? E temos uma questão ainda mais difícil: Como conseguir manter a promessa que fez a Sammy?

Paralelamente, vemos a história de Zumbi, que já foi um garoto, mas hoje é uma máquina treinada na base militar de resgate para qual foi levado quando pego num acampamento. Ele está perdendo sua humanidade aos poucos, mas se vê lembrado dela quando um pequeno garotinho é levado para o treinamento e ele se sente obrigado a falar por ele. Numa busca incansável pela saída desse lugar, ele começa a se questionar a respeito da verdade sobre o que realmente está acontecendo.

“Você sabe quem é o inimigo, Cassie?”

Fiquei um tempo refletindo sobre o livro antes de começar a escrever essa resenha. Não foi o caso de pensar se o livro é bom ou não, porque isso eu decidi quando comecei a ler – e é muito, muito bom. A verdade é que, inevitavelmente, quando o leitor está diante da caminhada que é esta obra, ele se pergunta sobre o quê é a história. E a história não é sobre Cassie, ou Evan, ou Sam. A história é sobre uma invasão inimiga, contada do ponto de vista não de apenas personagens isolados, mas de pessoas específicas que formam um ciclo.

Não há começo nem fim, apenas pessoas que estão ligadas por suas histórias. Isso foi um dos aspectos que mais me agradou na leitura, sendo uma forma de construção de raciocínio no qual as peças vão se encaixando aos pouquinhos. Cassie é forte, um pouco arrogante, mas, é possível enxergar que tudo que ela se tornou pós-chegada da nave mãe, não é nada menos do que o esperado. Sammy não é muito diferente de um garoto da idade dele, mas tem uma fé inabalável. Zumbi está se afirmando depois de ser um garoto de 17 anos adorado na escola e ter fugido a luta num momento crucial, e é bastante interessante ver a construção do seu personagem ao longo da trama.  Sabe aquele livro que você termina num suspiro do tipo “Ah, cara, preciso dessa continuação”? Então.

Mesmo que esse cenário meio “pós apocalíptico” não seja exatamente novo, a proposta do autor é muito interessante, foi muito surpreendente e cativante para mim. É uma leitura que flui e apesar de ser um livro longo, isso não onera nem um pouco a qualidade da escrita do autor. Ele não entrega o que realmente está acontecendo em momento algum, então a cada página temos uma nova surpresa. É daquele tipo de livro que você sente tudo o que o personagem sente, todas as dúvidas, o medo de confiar, e mal consegue crer naquilo que você está lendo. Parece que pregam peças em você o tempo todo, e eu amo isso nesse livro.

Há ainda um toque de romance que quebra um pouco o teor pesado de destruição e combina perfeitamente com o andar da história. A Editora Fundamento fez um trabalho lindo, a capa com a imagem de uma garota na floresta com a luz atravessando as árvores está totalmente conectada com o clima de mistério que ronda o livro. Além disso o tamanho da letra é excelente e as páginas amareladas não permitem que a leitura fique cansativa. Cada um desses elementos, unidos, contribuiu para a formação de uma bela obra que mexe conosco de uma maneira inexplicável.

“Isso não tem nada a ver com os Outros. Sempre foi assim. Estamos aqui e, então, vamos embora. E não tem nada a ver com o tempo que permanecemos aqui, mas com o que fazemos com ele.”

O livro faz parte de uma trilogia, seguida de O mar infinito e A última estrela, lançados em 2015 e 2016, respectivamente. Além disso, o filme baseado no primeiro livro foi lançado em Janeiro do ano passado. Dirigido por J Blakeson, com roteiro de Susannah Grant, Akiva Goldsman e Jeff Pinkner, é estrelado por Chloë Grace Moretz (Cassie), Nick Robinson (Ben), Alex Roe (Evan), e não parece ter conquistado o público.

A nota dada pela imprensa de acordo com o AdoroCinema foi duas estrelas em cinco, e pelo público, três estrelas. O argumento que eles usam é que simplesmente “não convence” ou que é “é só mais do mesmo.” Não assisti o filme, mas deixo o trailer aqui para vocês me contarem o que acharam.

“Essa é a falha no plano deles: se não matar todos nós de uma vez, não serão os fracos que vão sobreviver.
É o forte que vai permanecer, os dobrados, porém intactos, como as barras de ferro que davam resistência a esse concreto.
Enchentes, incêndios, terremotos, doenças, fome, traições, isolamento, assassinato.
O que não nos mata nos fortalece. Endurece. Disciplina.”

Esta resenha foi escrita pela Lorhayne quando ainda estava no Blog. 

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Título: A 5ª Onda
Rick Yancey
Ano: 2013
Páginas: 368
Editora: Fundamento
Gênero: Ficção científica
Onde comprar: AMAZON